O que fazer em Puerto Iguazú e o lado argentino das cataratas

Puerto Iguazú encanta. Com carinha de vila, centrinho charmoso e tanta beleza natural por perto, a representante hermana da tríplice fronteira é um daqueles destinos em que dá vontade de morar. Afinal, quem resiste a um lugar com bons restaurantes, Quilmes gelada e, de quebra, a Garganta do Diabo, o ponto mais espetacular das Cataratas, ali do lado?

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Cataratas do Iguaçu - Lado Argentino

Cataratas argentinas ficam em Puerto Iguazú

Se Brasil e Paraguai compartilham a Ponte da Amizade, nosso país divide com os argentinos a Ponte da Fraternidade, oficialmente conhecida como Ponte Tancredo Neves. Do outro lado tudo muda: ali, as placas de trânsito estão em espanhol, as bandeiras são argentinas e a moeda é o peso, muito embora o real circule livremente, uma espécie de moeda paralela.

Com cerca de 80 mil pessoas, Puerto Iguazú é a irmã mais velha de Foz do Iguaçu e a menorzinha das que compõem a tríplice fronteira. Por conta da construção de Itaipu, nas décadas de 1970 e 1980, Foz viveu uma explosão demográfica – milhares de operários migraram para a região em busca de empregos na construção da hidrelétrica. Acabaram as obras, os caras pensaram “pô, aqui é legal, tô perto das cataratas, a Argentina é logo ali, não vou embora nem a pau”. Bom, não posso culpá-los por isso. Foi nessa época que Foz ganhou ares de cidade grande. Puerto Iguazú, por outro lado, se manteve como uma vila simpática do Mochilistão argentino.

Garganta-do-Diabo-Iguaçu

Como chegar a Puerto Iguazú

Localizada a apenas 18 km do centro de Foz do Iguaçu, Puerto Iguazú é acessível pela Ponte Internacional Tancredo Neves e pela rodovia RN12, já em território argentino. O trajeto dura cerca de meia hora e, caso você não esteja de carro, diversas agências de turismo em Foz fazem o transfer entre as cidades, com ou sem passeios inclusos, e a maior parte dos hotéis faz o agendamento para você.  De táxi, a corrida fica por volta dos R$100.

Se preferir ir por conta própria, os ônibus das companhias Itaipu, Celeste e Rio Uruguay, que saem do lado do Terminal de Transportes Urbanos de Foz, deixam no centro da cidade argentina, com parada no Parque Nacional de Foz do Iguaçu, no meio do caminho. Há partidas diversas vezes por dia, em ambos os sentidos. O trajeto custa apenas R$5 na linha comum.

Cruzando a fronteira com a Argentina

Se você vem de Foz, vai precisar passar pela imigração argentina para chegar a Puerto Iguazú. Dá para entrar no país com o passaporte ou portando apenas o seu documento nacional de identificação (RG), desde que em bom estado. Excepcionalmente nessa fronteira, é possível também entrar apresentando a CNH, porém a permanência no país fica restrita a 72 horas. Ali, a imigração é facilitada, devido ao grande número de turistas que atravessam a fronteira e voltam no mesmo dia.

Onde trocar dinheiro em Puerto Iguazú

Muitos dos estabelecimentos localizados nas cidades da tríplice fronteira (Foz, Puerto e Ciudad del Este) aceitam qualquer uma das moedas em circulação na região: reais, pesos, guaranis ou dólares. No entanto, você pode se deparar com situações em que o câmbio não será favorável ou mesmo que o comerciante não aceita outra moeda que não a nacional.

Para visitar Puerto Iguazú, é importante ter uma reserva de pesos no bolso e, se possível, também uma pequena quantidade de dólares se você pretende fazer compras no Duty Free. Você pode trocar as moedas ainda em Foz, em algum dos diversos estabelecimentos especializados. Não recomendamos o câmbio em agentes não oficiais, já que há uma grande circulação de notas falsas na região. Há também locais para trocar dinheiro em Puerto Iguazú, porém as cotações lá são desvantajosas quando comparadas a Foz.

O que fazer em Puerto Iguazú

Parque Nacional do Iguazú: o lado argentino das Cataratas

De todas as competições que envolvem Brasil e Argentina, nenhuma é tão bonita quanto a disputa pelas Cataratas do Iguaçu. Não que os países briguem pelo território. A rivalidade está em saber qual lado é mais bonito. Há quem jure que os argentinos ganham a comparação fácil, afinal a maior parte das quedas – cerca de 80% – está no lado deles. Outros se apressam em lembrar que isso é bom para o Brasil, que vira uma espécie de camarote panorâmico para as cataratas, oferecendo a melhor vista do parque argentino.

Apenas alguns quilômetros separam a ponte do parque argentino. A entrada custa 700 pesos (R$ 135). O lado argentino é mais roots, cheio de trilhas e com uma infraestrutura menos moderna que o parque brasileiro, mas é aí que está a graça. Se no lado brasileiro os visitantes andam de ônibus, no argentino o percurso é feito de trem. E quem quiser vai a pé mesmo, claro. As trilhas são todas devidamente sinalizadas e leves, até mesmo para gente sedentária (tipo eu).

A única coisa que poderia ser considerada negativa na infraestrutura do parque argentino é a frequência dos trens, que demoram bastante para passar. Perder um significa necessariamente reorganizar sua visita ao parque, já que o outro não vem logo em seguida. A trilha mais famosa é a superior, de onde é possível admirar as cataratas argentinas de cima. O panorama não é tão impressionante como o do lado brasileiro, mas nem por isso deixa de impressionar, já que você chega bem perto da queda d’água, algo impossível no lado tupiniquim. Fora que visitar o parque argentino completa a visão das cataratas, deixando a visita melhor como um todo.

Outro ponto alto da visita é a Garganta do Diablo. Para chegar lá, é preciso pegar um dos trens (é tudo muito bem sinalizado) e caminhar um pouquinho por algumas passarelas até chegar na goela do tinhoso. Pouquinho, tipo uns 1500 metros, mas nada que incomode: o percurso dá direito a vistas como essas.

Foz do Iguaçu, Argentina

À medida em que você se aproxima do destino, começa a ouvir as cataratas. A Garganta do Diabo prova que o chifrudo é rouco e fala alto. Não que os sons do Iguaçu sejam ruins, óbvio. A experiência de primeiro ouvir o barulho das quedas e só depois, aos poucos, chegar perto da Garganta, torna tudo mais interessante. Ponto fácil para o lado argentino. Difícil mesmo é arrumar um lugarzinho para admirar a paisagem. Mas fazer o quê, né? Dá pra entender os motivos que essa galera tem para ficar parada ali.

Some as trilhas, o tempo admirando a Garganta do Diabo e a pausa estratégica para o almoço e já vai ser metade da tarde. É por isso que o lado argentino exige mais tempo que o lado brasileiro.  Afinal, antes de entrar no parque o visitante que está hospedado no Brasil tem que trocar moeda e passar pela fila da imigração. Fila que não costuma ser pequena, principalmente durante as férias e feriados.

Além dessas duas atrações, há um monte de outras coisas para fazer no parque argentino. Há uma segunda trilha, conhecida como trilha inferior, um passeio de barco ecológico pelo rio e a visita à Isla de San Martín, que fica no rio Iguaçu e parece incrível: já pensou em se deitar numa praia com direito a cataratas de paisagem? Isso é possível no lado argentino, mas só se você souber fabricar tempo para passar por tudo no roteiro. Por sorte isso é apenas uma questão de escolha: basta voltar no parque argentino no dia seguinte – a segunda entrada tem desconto de 50%.

Marco das Três Fronteiras

Puerto Iguazú é a casa do marco argentino das três fronteiras. São três obeliscos, cada um em um país (Brasil, Argentina e Paraguai) e nas cores da bandeira local. De cada um deles é possível avistar os outros dois – são três países no seu campo de visão.

Para chegar lá, basta pegar um ônibus no centro de Puerto Iguazú com o destino final Marco das Três Fronteiras.

Todos os dias, há um festival de luzes e sons, sempre às 20h, 21h e 22h. Por isso, programe sua visita para o fim da tarde. O espetáculo dura 10 minutos. O local também conta com uma feirinha que vende lembrancinhas e produtos locais, um bom lugar para comprar um alfajor artesanal. Para voltar, pode valer a pena combinar a viagem com um dos taxistas que fazem ponto por ali.

Feirinha de Puerto Iguazú

Certamente uma das paradas mais interessantes dentro de Puerto Iguazú – é no mercado que a vida da cidade acontece. Embora pequeno, o local oferece uma infinidade de produtos típicos da região, entre os cobiçados doces de leite, vinhos, embutidos, carnes, alfajores, temperos, frutas em conserva e azeitonas – comuns e recheadas – e azeites, itens que você vai encontrar em quase todas as lojas.

Eles já estão tão acostumados com os turistas brasileiros que os preços são dados em reais e, com o câmbio, acabam saindo muito em conta para nós. Uma boa ideia é passear por ali e parar em uma das barraquinhas para tomar cerveja barata e petiscos enquanto observa o movimento.

Noite em Puerto Iguazú

Mercadinho em Puerto Iguazú

Icebar Iguazú

Já pensou em ter uma noitada em um bar de gelo? Em Puerto Iguazú você pode. Lá dentro, as temperaturas ficam em torno de -10ºC e você recebe jaqueta e luvas especiais para aguentar o frio. Tudo é feito de gelo: do balcão aos copos e decoração. O jeito é tomar uns bons drinks e dançar para se aquecer. A atração abre todos os dias, das 14h às 00h, e a entrada custa 300 pesos. Dá para pagar o valor em reais, porém o câmbio utilizado na portaria não é dos mais favoráveis.

Cassinos

Cassino em Puerto Iguazú

Depois do bar de gelo você pode tentar a sorte no Casino Iguazú, aquele tipo de experiência antropológica que brasileiros pós-governo Dutra foram impedidos de ter. Se no Brasil não podemos torrar todos os nossos reais na jogatina, que façamos isso na Argentina! Vale a pena como experiência: o melhor é separar um dinheiro (pouco) para jogar nas máquinas e parar assim que ele acabar – ou que você ganhar uma bolada. Há ainda outros dois cassinos na cidade, mas o Iguazú é o mais famoso deles.

Duty Free Puerto Iguazú

Essa loja gigantesca tem de tudo um pouco: bebidas, chocolates e guloseimas, eletrônicos, produtos de beleza, perfumes, artigos para viagem, óculos e presentes diversos. Os preços são em dólar, mas os vendedores também aceitam pagamentos em reais, pesos e cartão de crédito.

Só vale a pena ficar atento ao câmbio, caso você não vá pagar no dinheiro do Tio Sam: algumas vezes a conversão pode não compensar. Fica na fronteira do Brasil com a Argentina e algumas agências de Foz organizam excursões exclusivas para o loja. Abre diariamente, das 10h às 21h. Lembre-se que há um limite de 300 dólares em compras no exterior em viagens por via terrestre.

Onde comer em Puerto Iguazú

Te Amaré Maitena

Localizado no centro comercial de Puerto Iguazú, esse restaurante aconchegante serve a típica comida argentina, além de pizza, frutos do mar e bons vinhos, sempre ao som de música ao vivo. Perito Moreno 402-500.

Noite em Puerto Iguazú

Onde ficar em Puerto Iguazú

O Complejo Americano é uma das principais escolhas de hotéis para quem quer uma hospedagem confortável em Puerto Iguazú, assim como o Hotel San Jorge. Na linha econômica, o Tango Inn Downtown  e o El Quincho têm duas das melhores avaliações entre ex-hóspedes. Mochileiros vão gostar o Rio Iguazú Backpackers.

Encontrar hotéis em Puerto Iguazú

O 360meridianos teve o apoio da Loumar Turismo durante a viagem pela região de Foz do Iguaçu.


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Natália Becattini

Já chamei muito lugar de casa, mas é pra Belo Horizonte que eu sempre volto. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Além do 360, mantenho uma newsletter sobre o a vida, o universo e tudo mais, que eu chamo de Vírgulas Rebeldes. Vira e mexe eu também estou procrastinando lá no instagram @natybecattini e no twitter.

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80 comentários sobre o texto “O que fazer em Puerto Iguazú e o lado argentino das cataratas

  1. Tudo bom? Sou mexicano e gostaria de saber se eu também precisaría carimbar o meu passaporte na imigração brasileira antes da argentina. Não encontro muita info à respeito. O que encontrei foi que viagens de ida/volta no mesmo día não precisam passar pela imigração brasileira más não sei se aplica para todos ou só mercosul.

  2. Olá estamos indo no começo de julho, gostaria de saber se é necessário carteira de vacinação. Tenho 3 filhas duas delas são menores elas podem entrar no cassino? Obrigada

    1. Olá Marli, a Argentina não exige vacinação contra febre amarela.

      Sobre os cassinos, não é permitida a entrada de menores..

    1. Olá Graça, sim, Puerto Iguazu pode ser visitada durante todo o ano! Vai estar um pouco frio haha!

      Abraços e obrigada! Fico feliz que goste do blog!

  3. olá, sobre a entrada com a CNH, alguns sites dizem que só com RG ou passaporte, vou passar 3 dias, só com a CNH e o RG com uma foto mais antiga, eles aceitam?

  4. Oi,entao vc indica um dia pra ver o marco e as cataratas Argentinas,e outro dia pra andar pela cidade? E essa empresa de turismo para em todos os pontos,marco e centro da cidade? Além de Puerto iguazu tem outra mais perto? Q n tenha influência do Brasil e ninguém falando português?

    1. Oi, Diego.

      São dois passeios: um pelas Cataratas e Marco das Fronteiras (do lado argentino) e outro noturno, em Puerto Iguazú, para conhecer os bares, cassino e feira local.

      Não conheço outras cidades por ali.

      Abraço.

  5. Boa noite, estou pensando em namorar em Puerto Iguazú, fui várias vezes mas somente jantar à noite.
    Tem alguém que conhece alguma imobiliária que eu possa fazer contato para ver alguma imóvel para venda ou locação lá ?

    1. Bom dia, primeiro parabéns pelo site! voce dá dicas muito boas! Oh, estou com uma viajem marcada para Foz onde eu vou chegar na sexta de 13:00 e volto na segunda de manhã cedo. Nessa viajem gostaria de conhecer as cataratas brasileiras, o parque das aves, as cataratas argentinas, a cidade Puerto Iguazú e fazer pequenas compras no paraguai. Qual roteiro voce me sugere fazer para que eu consiga abranger esses lugares?

      1. Oi, Deivisson.

        Você pode visitar as cataratas brasileiras e o parque das aves no primeiro dia e as cataratas argentinas e puerto iguazú no segundo. Talvez dê pra encaixar o Paraguai em algum momento, provavelmente no primeiro dia, desde que você acorde cedo e não fique muito tempo nas compras.

        Abraço.

  6. Super concordo. Eu fui conhecer a Usina e as Cataratas em Foz, aproveitei e também passei em Puerto Iguazu. Amei, amei! Já tenho em mente um mochilão por uma parte da América do Sul, e essa cidade está nos planos, com certeza.
    Adorei os bares (lembro que em um deles estava tocando CBJ), as lojinhas com culinária misturada, e principalmente as ruas super largas, hahah

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