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São Paulo Negra: caminhada conta histórias apagadas do centro

Por Guilherme Soares Dias

“Bem vindos à África-Liberdade!”. É assim que eu, Guia Negro, começo a Caminhada São Paulo Negra, que conta que o bairro da Liberdade era originalmente habitado por pessoas negras. Por lá, também ficava o Pelourinho, local onde as pessoas negras eram torturadas, a forca, onde eram condenadas à morte e o Cemitério dos Aflitos, destinado às pessoas negras e indígenas.

As histórias contadas no tour da Blackbird Viagem são desconhecidas da maior parte dos paulistanos. São narrativas da cidade com a maior população negra do Brasil, já que 32% dos seus cerca de 12 milhões de habitantes se declaram de cor preta ou parda. Apesar das pessoas negras serem cerca de 4 milhões e parte importante da história, os lugares de cultura e personagens negros foram sistematicamente apagados.

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O percurso de três horas inclui também histórias de personagens como o advogado, jornalista e abolicionista Luiz Gama, o arquiteto negro do século 18 José Pinto de Oliveira, conhecido como Tebas, e a escritora Carolina Maria de Jesus.

O roteiro traz ainda histórias sobre a nova migração africana, passos de samba rock e a única estátua de uma mulher negra na cidade.

“Revelamos lugares e histórias presentes no cotidiano, mas que mesmo os paulistanos muitas vezes não conhecem. É importante perceber que as pessoas mudam a relação com a cidade depois do tour”, afirma Heitor Salatiel, anfitrião da experiência e fotógrafo.

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Realizada desde junho de 2018, a caminhada São Paulo Negra ganhou versões no Bixiga e na Barra Funda, bairros paulistanos que tiveram suas histórias de negritude apagadas. Já na capital baiana, o Pelourinho é percorrido na Caminhada Salvador Negra e há ainda a Suburbana Tour, que explora a região do subúrbio ferroviário. Veja todas as experiências de Blackbird Viagens.

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As atividades são vendidas pela Diaspora Black e estão suspensas por conta da pandemia, mas são experiências únicas de conhecer as histórias não-contadas do povo preto.

“Afinal, se viajar é uma experiência transformadora, por que não pode ser também inclusiva?”, questiona Luciana Paulino, fundadora da @blackbird_viagem, citando o slogan da empresa.


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Guilherme Soares Dias

Jornalista, empreendedor e viajante. Editor do site Guia Negro, sócio da Black Bird Viagem e autor do livro Dias pela Estrada

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