Viagem ao Marrocos: é seguro? 20 dicas para mulheres

A minha viagem ao Marrocos foi numa excursão, mas passei dois dias em Marrakech sozinha e também acompanhada somente de outras mulheres. Eu confesso que antes de ir tinha bastante receio do assédio masculino. Li muitas experiências de outras mulheres, encontrando informações boas e ruins nesses relatos. Neste texto, você encontra todas as informações sobre como é o Marrocos para mulheres viajantes (e homens também), com dicas práticas e dados realistas para quem está pensando em ir para lá.

Vai para o Marrocos? Então leia também:
– O que fazer em Marrakech – guia de viagem
– Os principais pratos da comida marroquina
– Como é passar uma noite no deserto do Saara
Onde ficar em Marrakech: melhores bairros e riads

O Marrocos é perigoso?

Segundo o Global Peace Index 2019, o Marrocos é considerado um país relativamente seguro, mais seguro do que o Brasil, pelo menos em termos de crimes violentos, com um índice muito baixo de roubos a mão armada e homicídios.

Há furtos, golpes e tráfico de drogas, mas, infelizmente, tudo isso existe na maioria dos países do mundo. Logo, exerça no Marrocos o mesmo cuidado que você teria em qualquer lugar do Brasil: não deixe objetos de valor à mostra, não ande pela rua à noite em lugares escuros e vazios, não deixe seus pertences sem supervisão.

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No caso dos cuidados com saúde, é bom só tomar água mineral engarrafada, levar algum medicamento para diarreia que seu médico indique e, claro, embarcar com um bom seguro viagem, principalmente se você pretende se aventurar no deserto. Descubra como conseguir um seguro viagem com cupom de desconto!

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Golpes comuns no Marrocos e como evitá-los

1. É comum nos mercados e dentro da Medina pessoas gritarem que o caminho é para o outro lado ou oferecerem para te guiar. Em geral, o resultado disso é a pessoa te levar para a loja dela ou ela te cobrar algum dinheiro para mostrar o caminho. Melhor é ignorar e seguir seu rumo. Se for perseguida, não tenha medo em xingar e ameaçar de chamar a polícia. Uma boa forma de evitar esse golpe é ter o Google Maps ou Maps.me salvo no seu celular e ir seguindo o GPS.

2. Também é comum alguém te oferecer para ser seu guia de forma gratuita. Isso pode acontecer de maneira descarada ou sorrateira, com a pessoa vindo explicar alguma coisa. Não vai ser gratuito, tenha certeza. Se você quiser explicações sobre algum lugar, contrate um passeio guiado previamente.

3. Mulheres que fazem pinturas de henna podem segurar seu braço, pintando-o contra sua vontade. Não vi isso, mas li um relato na internet. Não tem muito jeito de evitar, além de xingar e forçar seu braço.

4. Os tintureiros do Souk de Marrakech e os cortumes em Fez colecionam histórias ruins de vendedores e guias que vão tentar te seguir e extorquir. Quase aconteceu comigo no dia que fui ao souk pela primeira vez. É melhor evitar o passeio sem guia.

5. Saiba que você será cobrado mais caro porque é turista. Mas vai além disso: por exemplo, viajantes portugueses (famosos por serem pão duros) recebem o preço inicial menor do que turistas franceses ou alemães. Pessoas loiras têm grandes chances de receberem preços mais altos (aconteceu no meu grupo, num restaurante). Essa é a terra da barganha, e se você não for bom nesse jogo, vai perder dinheiro. Uma boa forma de diminuir o prejuízo é sabendo o preço médio das coisas antes. Pergunte no seu hotel e verifique na internet os valores de táxis, comida e compras.

6. Para quem pretende alugar carro, é bom saber que a polícia costuma parar turistas e dizer que eles cometeram alguma infração, cobrando propina para liberá-los. Você pode tentar evitar isso seguindo todas as regras à risca, ou seja, estar com toda a documentação certa, não ultrapassar o limite de velocidade e nunca andar sem cinto de segurança. No entanto, corrupção não é exatamente fácil de ser evitada. Infelizmente, cabe a você avaliar se na hora vale a pena brigar pelos seus direitos ou pagar o valor cobrado para evitar a dor de cabeça.

Como é a vida das mulheres marroquinas?

Especificamente em relação a mulheres, segundo uma pesquisa global do Georgetown Institute for Women, Peace and Security (GIWPS), 53,3% das mulheres marroquinas se sentem seguras sozinhas à noite na cidade onde vivem. Entre as brasileiras, menos de 30% se sentem seguras na mesma situação. A taxa de violência doméstica no país, de 6,4%, é a mais baixa dentre todos os países do Oriente Médio e do Norte da África.

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Mulheres marroquinas trabalhando numa cooperativa de tapeçaria

Você vai encontrar mulheres marroquinas usando roupas ocidentais, como calça jeans e camiseta, mas também mulheres usando véu e burca. Vai vê-las andando sozinhas ou em grupos, trabalhando, comprando, pegando transporte público, enfim, vivendo a vida normal durante o dia. Já à noite, é mais comum vê-las com as famílias. É bem raro (para não dizer que não acontece) ver um grupo de mulheres marroquinas sentadas num restaurante, por exemplo.

O Marrocos está na posição 133 no ranking de equidade e segurança das mulheres do GIWPS, dentre os 167 países avaliados. O Brasil não está numa posição muito melhor, a de 98. No entanto, esse ranking diz menos sobre situações de violência direta, como estupro ou feminicídio – que em geral são casos mais subnotificados e difíceis de contabilizar no mundo todo – tratando mais sobre questões estruturais sobre a condição da mulher.

Segundo o ranking, o Marrocos, dentre os países árabes, é o que menos possui leis discriminatórias contra mulheres. No entanto, vai mal em termos da independência financeira, anos de escolaridade e acesso ao mercado de trabalho. Segundo o Mohamed El Assimi, guia de turismo que nos acompanhou por Marrakech, desde 2010, ano da Primavera Árabe, muitas reformas governamentais foram feitas pela igualdade de direitos.

Saiba mais: Como as cooperativas femininas de Óleo de Argan mudaram as comunidades rurais marroquinas

A poligamia foi um dos muitos costumes tradicionais que passaram a ser freados: para que exista uma segunda-esposa, a primeira tem que dar a autorização. Ainda, criaram uma bolsa-escola para as famílias que deixam as filhas estudarem. E nas universidades o Marrocos segue a tendência mundial: há mais mulheres do que homens estudando.

Mulheres no Marrocos: qual a experiência de viajantes sozinhas?

Marrakech, a cidade mais turística do Marrocos, é considerada a mais tranquila e segura para viajar. Casablanca, Fez e Tangier têm fama pior. Na internet é possível encontrar muitos relatos, dos mais positivos aos bem negativos (como o caso dessa blogueira gringa, em que um homem jogou uma pedra).

Minha experiência pessoal passeando em Marrakesh foi bastante positiva: andei sozinha na Medina e fiz compras, peguei ônibus sozinha, fiquei uma noite num hostel por minha conta e em nenhuma dessas situações me senti ameaçada ou assediada de forma muito desagradável. Não quer dizer que eu não recebi muitos olhares ou cantadas, isso acontece sim, mas não chegou a um nível de tirar meu humor.

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Todas as dicas para viajar pelo Egito
Guia para mulheres que querem viajar pela Índia
Guia para mulheres em Istambul

É importante pontuar que muita gente me dizia que eu parecia marroquina. Obviamente por isso, chamava bem menos atenção do que uma turista loira, por exemplo.

Pelo que me explicaram e observei do comportamento das mulheres marroquinas, elas não ficam conversando com homens desconhecidos. Então não se sinta na obrigação de dar papo para algum deles se não estiver confortável com a situação.

Tenho amigas que viveram situações bem diferentes da minha. Uma amiga foi com o namorado e o guia se recusava a falar diretamente com ela ou responder às suas perguntas. Outra, que foi com a mãe, foi bastante assediada e seguida na Medina, com as famosas ofertas de trocar elas por camelos. Por fim, outro casal de conhecidos teve que ajudar duas meninas chinesas, durante um tour pelo deserto, porque os músicos bérberes começaram a passar a mão nelas descaradamente.

Em relação ao caso acima, é importante que você tome cuidado com o tour que você contratar para passeios no deserto. Dê preferência para opções que você possa pesquisar na internet e ler reviews, evitando passeios comprados na hora.

Além do caso que minha amiga relatou, li muitos de mulheres sozinhas sendo assediadas em passeios assim, seja pelo guia do tour, pelo motorista da van ou pela banda de músicos no passeio. Evite convites para fazer coisas que te isolem do resto do grupo e, se alguém tentar encostar em você ou fazer avanços indesejados, seja firme em dizer que está desconfortável e que não quer. Peça ajuda às outras pessoas do seu grupo.

9 dicas de segurança para mulheres viajando pelo Marrocos

dicas de segurança para mulheres viajando pelo Marrocos

  • Não tenha vergonha de dizer NÃO em nenhuma situação, especialmente por ser um país onde a cultura é da barganha;
  • Sim, alguns vendedores são chatos, mas a melhor dica que eu segui foi ignorar aqueles que eram incômodos (ou dizer “la shukraam” = não, obrigada) e seguir em frente sem olhar para eles;
  • Não se sinta obrigada a ficar respondendo de que país vem e nem a ser simpática (se não quiser ser)
  • Mesmo em situações que você estiver perdida, evite demonstrar insegurança ou que não sabe o que está fazendo. Nessas horas vai aparecer mais gente para te urubuzar do que para te ajudar, inclusive golpistas. Melhor ir andando sem falar com ninguém até achar uma mulher ou um vendedor sério que possa te ajudar (ou você descubra o caminho sozinha);
  • Evite entrar dentro de lojas ou estabelecimentos em que você vá ficar fechada sozinha com um homem;
  • Para pegar ônibus, pergunte informações às mulheres que estiverem no ponto e tente sentar do lado de uma mulher;
  • Se se sentir incomodada em qualquer situação, não tenha vergonha em xingar e ser muito clara que não está gostando daquilo. Pedir ajuda para outras pessoas e ameaçar chamar a polícia é super válido;
  • Se contratar algum passeio e o guia for desagradável, peça ajuda para outros turistas que estiverem perto e deixe claro que não está gostando;
  • Cuidado ao postar na internet (Instagram, Facebook, Tiktok) sua localização em tempo real. Melhor deixar para postar depois que você já tiver saído do local.

Leia mais: 
Como saber se um destino é seguro para mulheres
Mulheres devem viajar sozinhas pelo mundo?
O inferno que é o assédio na rua em qualquer lugar do mundo

O que vestir no Marrocos: mala para inverno ou verão

Algumas dicas do que levar na mala numa viagem para o Marrocos:

O que vestir no Marrocos: mala para inverno ou verão

  • Evite levar roupas curtas, muito coladas e decotes;
  • Tenha sempre um lenço/echarpe que possa te cobrir em caso de necessidade. Mas lembre-se que não precisa cobrir a cabeça para andar na rua!
  • No outono/inverno, é mais fácil porque você pode usar uma roupa normal, como calça e camiseta ou um vestido, com uma camisa ou casaco mais largo por cima;
  • Para quem vai no verão, vale a pena investir em peças largas, como vestidos e saias compridos, macacão ou calça pantalona, de tecidos leves e que deixam a pele transpirar, como linho, algodão e viscose.

Vale a pena contratar uma excursão para sentir mais segura?

Eu fiquei dois dias sozinha em Marrakech, mas nos primeiros 7 dias de viagem pelo Marrocos eu estava numa excursão contratada para conhecer o deserto do Saara, a região das montanhas do Atlas e Ouazazarte.

marrocos com excursão como e

A verdade é que eu tinha vontade de conhecer o Marrocos desde que me mudei para Portugal, em 2014, mas, devido aos relatos de amigas e colegas que eu citei ali em cima, mais a minha experiência pessoal na Índia, eu realmente não tinha vontade de viajar sozinha por lá. A excursão acabou sendo a única forma que encontrei para conhecer o país.

Eu li muitos relatos antes de ir e meu principal problema é que o assédio exacerbado me deixa com raiva e estraga a minha viagem. Cada mulher sabe seu limite, sua coragem e força para enfrentar os perigos numa viagem. Dentro dos meus limites, viajar com uma excursão (num grupo pequeno, de 15 pessoas), apesar de não ser meu estilo de viagem favorito, me pareceu a melhor forma de conhecer o país.

Eu também me permiti ter uns dias em Marrakech como viajante independente e foi a melhor escolha que eu poderia ter feito. Isso porque, pelo menos para mim, a questão do assédio foi bem menos problemática do que eu pensei que seria.

Minha sugestão:

1. Se você é uma viajante experiente, que costuma viajar sozinha e tem bastante jogo de cintura para enfrentar assédio, vá para o Marrocos sozinha tranquilamente. Sugiro que contrate um guia local ou excursão para lugares específicos, como um passeio pela Medina de Marrakech, uma aula de culinária, ou um tour para chegar no deserto do Saara. Os guias são uma boa forma de ter contato com pessoas locais, descobrir mais sobre a cultura marroquina e, de quebra, ainda ganhar umas dicas de segurança.

2. Se você não costuma viajar sozinha ou, como eu, fica muito incomodada com o assédio exagerado, contratar uma excursão pode ser uma excelente ideia. Pesquise bastante na internet: há muitos tipos e perfis de agências e excursões diferentes. Eu, por exemplo, dei preferência para uma agência de grupo pequeno e com um roteiro menos correria. No caso, eu fui com a Marrocos.com.


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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 30 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

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3 comentários sobre o texto “Viagem ao Marrocos: é seguro? 20 dicas para mulheres

  1. Em 2018 comprei uma passagem promocional para Portugal pela Royal Air Maroc com escala de 24h em Casablanca na volta. Cheguei na cidade sozinha por volta das 19h, troquei euros pela moeda local no aeroporto mesmo e fui direto pegar um táxi. O taxista me cobrou 30 euros para ir até meu hotel, que era bem central, muito perto da Medina. Como cheguei a noite, não me senti confortável para sair (tinha até feito uma reserva no café do filme Casablanca, mas acabei não tendo coragem de ir). Acabei jantando no hotel mesmo, pedi uma comida e uma cerveja marroquina no quarto. Pela manhã caminhei cerca de 30 a 40 minutos até a Mesquita Hassan II e me senti bem segura pelo caminho (sempre cuidando o mapa no maps, claro). Fiz a visita guiada da mesquita com diversos turistas de todo canto do mundo. Depois, como tinha pouco tempo, peguei um táxi para poder conhecer a Medina.
    Lá na Medina tive alguns momentos desconfortáveis. O primeiro deles foi quando um filhote de gatinho veio na minha direção e eu peguei ele no colo. Logo surgiu um homem querendo acariciar o gatinho (que estava no meu colo, próximo ao meu peito). Tentei sair de perto e ele foi insistente e parecia não falar nada de inglês. Sorte que o outro cara da mesma banca que ele percebeu que eu não estava tranquila, chamou ele e me pediu desculpas. Ainda teve outras situações onde as ruelas da medina eram mais estreitas e os homens fazem de tudo para que você encoste neles, mas nada que eu não esteja acostumada a lidar com uns encontrões e uma cara de poucos amigos.
    Mas a situação que me deixou mais desconfortável foi no hotel. Tive um problema com minha banheira (não sabia como esvaziar ela) e liguei para a recepção, que avisou que iria mandar alguém ver. Só que o funcionário ENTROU NO QUARTO SEM BATER QUANDO EU RECÉM TINHA SAÍDO DO BANHO e estava enrolada apenas na toalha. Sorte que consegui me esconder atrás da parede e ele foi embora sem eu ver a cara dele e sem pedir desculpas. Relatei a situação na hora do checkout e nem um pedido de desculpas do hotel recebi…

    Mas voltaria sim para o Marrocos para conhecer outras cidades, mas acho que agora somente se fosse acompanhada de outras pessoas.

    1. Oi Daniele,

      Obrigada por mandar seu relato.

      Acho que você exemplificou bem: não é o tipo de viagem em que mulheres conseguem ficar 100% confortáveis. Tem momentos muito chatos e invasivos. Vai de como cada uma lida com isso.

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