Walking Tour alternativo em Berlim

Portão de Brandemburgo, Memorial Judeu, Reichstag. Esqueça-se de tudo isso. Nesse walking tour alternativo, em Berlim, você vai passar bem longe dos pontos turísticos tradicionais, daquelas coisas que todo mundo que vai a Berlim precisa riscar da listinha. Durante cerca de três horas, você vai percorrer as ruas e descobrir uma nova faceta da capital alemã, sua cara underground que a transformou em uma das cidades mais interessantes e vibrantes da Europa.

O ponto de encontro é na Potsdam Platz, perto do Starbucks. Há um tour às 11h e outro às 13h. Chegue um pouco antes porque o pessoal é bem alemão e, como a praça é grandinha, você pode demorar um pouco para encontrar o grupo (aconteceu com uns amigos meus e tivemos que voltar para buscá-los).

Dali, você sai para conhecer um pouco dos murais e arte de rua que colorem a região do Mitte, além de conhecer as leis que regem esse tipo de atividade e como os artistas fazem para burlar as autoridades e escaparem das multas. Como esse tipo de manifestação é temporária e está sempre sendo substituída por outras, cada tour – mesmo aqueles feitos com um dia de diferença – é diferente.

Arte de rua em Berlim

Entre os pichadores e grafiteiros mais famosos de Berlim está o 6. Ele é um verdadeiro mistério na cidade. Ao caminhar pelas ruas, você vai se deparar com inúmeros 6 pichados nos muros e ninguém sabe a razão disso. Há diversas teorias, no entanto, e teve gente que já tentou mapear os números para tentar entender o recado – há que diga que isso tem a ver com a velocidade da conexão de internet nas áreas onde o 6 aparece. Recentemente, os 6 começaram a virar 7, o que talvez signifique que a internet deu uma melhoradinha em algumas regiões de Berlim.

Mr.6 - Berlim

Outro artista de rua que também está por toda parte é o El Bocho. Sua obras mais famosas retratam Little Lucy, uma famosa personagem de desenhos animados, em situações pouco adequadas para uma personagem infantil.

Grafite - Berlim Little Lucy

Hoje fortemente gentrificada, a região do Mitte já teve dezenas de casas ocupadas e já foi foco de resistência contra a violência policial, nos anos 1990. Em um dos confrontos mais famosos, os moradores das casas chegaram a usar britadeiras contra os policiais e a jogar geladeiras em cima deles, tudo para evitar que a área fosse desapropriada e colocada à disposição da especulação imobiliária.

O tour segue até Haus Schwarzenberg, um pátio interior que representa uma resistência contra a “plastificação” da cidade e a expansão de lojas de grife e cadeias multinacionais na região. Ali, além de bares, há um museu sobre a Anne Frank, uma antiga fábrica de vassouras que serviu de refúgio para judeus cegos e surdos durante o holocausto, um museu de adesivos e estúdios de diversos artistas, além de um mural onde grafiteiros locais e de outras partes do mundo são convidados a expor seu trabalho. Vale a pena voltar ali depois do tour para uma cerveja em um dos bares. Eu já dediquei um post inteiro sobre esse beco aqui.

haus schwarzenberg berlim

Uma breve viagem de metrô e saímos no coração de Kreuzberg, uma vizinhança predominantemente turca que começa agora a viver o processo de gentrificação. O bairro possui características que o tornam um lugar especial, repleto de lojas de kebab, restaurantes, bares e galerias.

Dali, seguimos para a The Bethanien House, uma galeria de arte alternativa. Em seus terrenos também podemos ver uma casa que resiste como ocupação. O lugar foi usado, no passado, como sede de treinamento dos membros da RAF, ou da Facção do Comando Vermelho, um antigo grupo radical de extrema esquerda que atuou na Alemanha entre 1967 e 1998. Hoje, o local é a casa de muita gente, mas também possui um bar e costuma abrir as portas para shows de punk.

Dali, caminhamos para conhecer a história do Media Spree, uma região às margens do rio Spree que, antes pública, está sendo vendida pelo governo local a grandes companhias que vão, inevitavelmente, impedir o acesso da população à orla. Essas mudanças já podem ser vistas na cidade: “antes, você podia chegar até a margem, agora está tudo cercado”, explicou nossa guia. Os moradores da região se revoltaram e fazem um protesto contra a privatização da área. Esse movimento é um exemplo que se repete em toda a cidade: a briga entre o governo, que insiste em adotar medidas mercadológicas, e os moradores que preferem que Berlim seja uma cidade para as pessoas.

Media Spree Berlim

O tour termina no YAAM beach, uma praia artificial às margens do Spree que conta com diversos bares e algumas barraquinhas de comida africana e caribenha. É a sua chance de almoçar por ali, tomar uma cerveja ao som de reggae e, quem sabe, provar uma culinária diferente. Afinal, Berlim é uma cidade do mundo.

YAAM Beach - Berlim

O Tour Alternativo por Berlim funciona no esquema de free walking tour, ou seja, é grátis, mas é esperado que você dê uma gorjeta para o guia ao se despedir. A empresa que oferece esse serviço também conta com outros tipos de tours, alguns pagos e todos eles com uma pegada alternativa, como o pubcrawl por bares obscuros, o Real Berlin Experience e o tour de grafite.


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Natália Becattini

Já chamei de casa a Cidade do Cabo, Chandigarh, Buenos Aires e Barcelona, mas acabo sempre voltando pra minha querida BH. Gosto de literatura, cervejas, música e artigos de papelaria, mas minha grande paixão é contar histórias. Por isso, desde 2011 viajo o mundo e escrevo sobre o que vi. Também estou no blog sobre escrita criativa Oxford Comma e compartilho minhas impressões de mundo também no instagram @natybecattini e no twitter.

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7 comentários sobre o texto “Walking Tour alternativo em Berlim

  1. A dica e o texto são fantásticos! Mas não encontrei o horário que deve estar na Potzdam Platz para encontrar o grupo. Ou alguma outra informação para iniciar o tour, chego em Berlim em 15 dias.

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