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Atlas: Praga, República Tcheca

5 curiosidades e mitos de Praga

Com mais de mil anos, Praga tem uma das histórias mais interessantes da Europa. E isso significa muita coisa. Se alguns desses relatos são famosos – tipo a Primavera de Praga e a Revolução de Veludo – outros, quase inacreditáveis, são de conhecimento só de quem vive ou passa por lá .

Neste post, você vai ver 5 curiosidades e mitos de Praga, uma cidade linda, mas que também tem histórias sombrias. Quer fazer um roteiro focado nesses relatos? Tem jeito! É só seguir para a região da Old Town Square, onde muitos desses fatos aconteceram (ou não).

old town square praga república Tcheca

A moda agora é defenestrar

A maior prova de que a humanidade está errada é o fato de existir um verbo para o ato de jogar alguém por uma janela. E se a defenestração tem uma cidade favorita, com certeza é Praga. Sério. A ponto de existir até um verbete na Wikipédia somente para as Defenestrações de Praga, com direito a primeira e segunda defenestrações, embora tenham existido inúmeros casos menores ao longo dos séculos.

Essa história começou com Jan Hus, um pensador que viveu pouco antes da Reforma Protestante. Ele nasceu perto de Praga, mas estudou e passou a morar (e pregar) na cidade. Quer dizer, pregou coisas que o Papa não queria ouvir, tipo dizer que a venda de indulgências era um absurdo. É lógico que Hus foi queimado vivo. E é lógico que isso deixou seus seguidores, muitos deles cidadãos de Praga, prontos para a guerra.

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praga república Tcheca monumento

Memorial de Jan Hus, em Praga

Hus morreu em 1415. Numa era em que não havia internet, a notícia demorou a chegar em Praga. Em 1419, o cenário já era tenso. Até que os seguidores de Hus – chamados de hussitas – resolveram marchar para a prefeitura de Praga. Qual a pior coisa que você pode fazer com uma multidão enfurecida? Pois é,  uma pedra foi atirada a partir de uma janela do prédio e em direção ao líder do movimento. Revoltados, os hussitas invadiram o prédio e atiraram 13 membros do conselho da cidade pela janela. Quem não batia as botas na queda, era pisoteado até a morte pelos manifestantes.

Já a Segunda Defenestração ocorreu cerca de 100 anos depois e também envolveu um conflito religioso entre católicos e protestantes. Em resumo, é basicamente a mesma coisa: direitos violados, protestantes boladíssimos e católicos defenestrados. E aí vem a parte “mito” desse caso: uma das vítimas sobreviveu para contar a história. Para os católicos, foi um milagre da Virgem Maria. Já os protestantes garantiram que o sujeito não morreu porque caiu num  enorme monte de merda de cavalo. Fique com a história que você preferir. Eu escolhi a da bosta.

praga república Tcheca defenestrar

Praga, do ponto de vista de um defenestrado

Lembra que eu falei que muitas dessas histórias aconteceram ao redor da Old Town Square?  Não foi diferente nesse caso – as janelas dessa praça já conjugaram o verbo defenestrar diversas vezes. Ao ver o lugar hoje,  um cartão-postal do país, pode ser complicado imaginar isso. Não se engane: as marcas dessa época estão por todos os lados, inclusive no chão da praça. Cruzes brancas lembram a morte de 27 líderes protestantes, executados ali pouco depois da segunda defenestração, que obviamente não ficou impune.

praga república Tcheca calçada

A maldição do relógio astronômico

Nós já te contamos em outro post sobre a Torre Astronômica de Praga, o relógio desse tipo mais antigo do mundo que ainda está em funcionamento. Quando inaugurado, há mais de 500 anos e também na Old Town Square, o relógio causou espanto geral e começou a atrair milhares de viajantes, que queriam ver a maravilha. Enfim, não muito diferente do que acontece hoje, com uma galera que fica lá, de hora em hora, aguardando pelo show do relógio.

Dizem que o construtor da Torre foi Jan Růže, também chamado de Hanuš. Depois de concluir seu trabalho, rolou com o Hanuš todo aquele enredo típico de quem fazia grandes obras de arte. Com medo de que ele fizesse algo tão grandioso em outra cidade, os governantes resolveram dar um jeito no cara. Para isso, invadiram a casa dele no meio da noite e o cegaram. Em vingança, o Hanuš teria lançado uma maldição sobre o relógio, que ficaria sem funcionar.

“Maldição? Isso não pega não, amigo!”,  provavelmente pensaram os envolvidos. Mas pegou. Mesmo cego, Hanuš deu um jeito de ir até a Torre e “desligar” o sistema do relógio, que passou um bom tempo sem funcionar. Eu até acredito nessa história, só não entendi como Hanuš escapou de uma defenestraçãozinha básica.

praga república Tcheca torre do relógio

Praga e a Igreja da mão mumificada

Já vi tantas igrejas e templos que raramente recomendo que alguém visite um. Esse não é o caso da Igreja de Santiago (Church of St. James the Greater), que fica pertinho da Old Town Square. Dizem que essa Igreja é belíssima. Eu até fui lá, mas não consigo te dizer como é o interior do prédio. É que eu não tirei os olhos de um braço mumificado que está pendurado numa das paredes há pelo menos 400 anos.

Certo dia, um ladrão percebeu que havia um nicho de mercado inteiro para ele atuar – o das relíquias religiosas. Como ele era um sujeito inteligente, se escondeu na Igreja de Santiago, esperou que todos os religiosos fossem embora e começou a colocar seu plano em ação. O cara já tinha enchido a sacola com jóias de todos os tipos quando tentou roubar a estátua de uma santa. O problema é que a santa reagiu, segurando o braço do larápio.

praga república Tcheca dentro da igreja

Diz a lenda que o ladrão passou a noite assim, preso pelo braço e provavelmente gritando desesperadamente. Quando os monges chegaram, no dia seguinte, tentaram soltar o invasor de todas as formas, mas não conseguiram – a santa não soltava o braço de jeito nenhum! A solução foi cortar o braço dele.  E aí entra a parte mais bizarra da história: o que fazer com o braço amputado de um ladrão? Pois é, eles resolveram mumificar o braço e pendurar na entrada da igreja, para servir de exemplo para os próximos ladrões e provar o milagre da santa. Se é verdade eu não sei, mas o braço está lá. Ó:

praga república Tcheca mão

Eu voltei ao Brasil achando que essa era a única história bizarra envolvendo a Igreja de Santiago. Só que descobri que um Conde chamado Vratislav, dono de uma das tumbas mais imponentes do templo, também deu o que falar. Muitas pessoas garantiram que ouviram gritos e lamentações vindo da tumba dele, dias depois do enterro. O Padre até recomendou uma reza brava, afinal o morto estava com dificuldades para chegar ao céu.

Anos mais tarde, abriram a tumba, para só então perceber que o morto tinha sido enterrado vivo, mas as pessoas tinham preferido acreditar que os gritos eram de um fantasma. Percebeu como essa Igreja vale uma visita?

Briga de astrônomos?

Eu precisei me esforçar para convencer a Naty e Luíza a fazerem uma parada rápida na igreja onde o Tycho Brahe está enterrado. “Tycho quem?”, elas perguntaram, já esquecidas das aulas de física do ensino fundamental.  Eu também não me lembrava muito: só sabia que ele foi um dos maiores astrônomos da História. Sem o Tycho Brahe, muitas das leis que hoje conhecemos – incluindo aí alguns trabalhos de  Isaac Newton – poderiam nunca ter aparecido.

O que eu não sabia é que existe uma lenda bizarra envolvendo a morte do Tycho Brahe. Dizem que ele estava num banquete real, em Praga, bebendo como se não houvesse amanhã (ou como se já existisse o Engov). Eventualmente Tycho ficou com vontade de ir ao banheiro, mas resolveu segurar o xixi. Segurou, segurou, segurou… até que ele desenvolveu uma infecção que o matou, cerca de 10 dias depois. Ponto final, pelo menos para o Tycho, que bateu as botas, não sem antes exclamar: “Não me deixe parecer ter vivido em vão”.

Monumento aos astrônomos em Praga

Monumento aos astrônomos, em Praga (Foto: Mohylek, Wkimedia Commons)

Quem ouviu essa frase foi o jovem Johannes Kepler, assistente de Brahe e que mais tarde virou um astrônomo ainda mais destacado do que seu mestre. E muito graças a ele, inclusive, já que Kepler nem esperou o corpo esfriar para se apropriar dos estudos detalhados que Brahe deixou sobre o movimento dos planetas.

Durante séculos, a boca miúda que rolava em Praga contou a história da morte de Brahe, que deve ter virado até um meme para os jovens que bebem sem parar (Se for beber, urine). Até que chegou o século 21, com a moda CSI de exumação. E os cientistas descobriram uma quantidade absurda de mercúrio nos restos mortais do Tycho Brahe, transformando a história da bexiga que explodiu numa das grandes lorotas da História. Agora, pensa comigo, quem mais se beneficiou com a morte do Tycho?

Ele mesmo, Johannes Kepler. Tem até um livro que defende essa teoria. Se você não está acreditando, dá uma ollhada nessas matérias do The New York Times e do The Guardian. Ahhh, e outra coisa importante, tem quem diga que o assassino é outro, um primo de Tycho Brahe. Já o mandante seria o rei da Dinamarca, que estava putíssimo porque o Tycho Brahe teria se metido debaixo da saia da mãe dele. Roteiristas de Hollywood, o que vocês estão fazendo que não transformaram essa história em filme até agora? Shakeaspere não perdeu tempo – dizem que foram as peripécias de Tycho Brahe inspiraram Hamlet.

praga república Tcheca igreja

Se você quiser fazer uma visitinha ao túmulo do astrônomo, ele está enterrado na  Igreja de Nossa Senhora de Tyn (Church of Our Lady Before Týn), também na Old Town Square. Essa aí da foto de cima.

O monstro do rio Moldava

Paris tem o Sena, Londres tem o Tâmisa e Praga tem o rio Moldava. Vantagem para o último, que tem sua própria criatura mitológica. Como muitas cidades da Europa, em Praga existe um bairro judeu. E, como em todas as outras cidades, os judeus sofriam na mão dos vizinhos. Isso motivou um rabino a criar o Golem de Praga.

“Opa, pera aí, você disse o Gollum de Praga?”

Não, Golem. Segundo a Wikipédia, uma criatura mítica do judaísmo. E a história do Golem de Praga é justamente a mais famosa delas. Diz a lenda que o rabino Judá Loew ben Betzalel fez o Golem usando o barro do rio Moldava e antigos rituais mágicos. No começo o Golem ficava escondido no sótão da Sinagoga e era usado para proteger os judeus, mas logo o bicho saiu do controle e começou atacar a quem ele deveria proteger.

praga república Tcheca rio e ponte

Rio Moldava

Com isso, o rabino resolveu matar o Golem, que deixou de ameaçar a cidade. Mas a narrativa sobreviveu aos séculos e já foi contata diversas vezes por autores diferentes. Há quem diga que o golem serviu de inspiração para o personagem Frankenstein.

Curtiu essas histórias? Saiba que Praga tem muitos outros mitos e curiosidades desse tipo. Mais um motivo para visitar a cidade, não acha?

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*Imagem destacada: Chosovi, Wikimedia Commons


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Rafael

Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014 voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura. Siga minhas viagens também no instagram, no perfil @rafael7camara no Instagram

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12 comentários sobre o texto “5 curiosidades e mitos de Praga

  1. Partiu Praga urgente!!
    Caraca! Andei uns meses pela Europa e não fui a Praga! agora percebo o que perdi!
    Mas ainda pretendo recuperar, breve!
    kkkkk Parabéns pelo texto!
    Abrç

  2. Amei o texto! estou em praga e percebi, só quando cheguei aqui, que a cidade tem esse climão mesmo! Cada rua parece que já presenciou muita coisa, fora que a a cidade parece combinar com qualquer tipo de lenda, bruxas, golem, pinocchio, fadas. ai pesquisei em portugues lendas de praga e me vem esse texto animal! parabens!

  3. Então Rafael, se não me engano, há um quadro em um dos salões do Castelo de Praga, onde está retratado uma das cenas de defenestração. Outra história interessante é sobre o Homem de Ferro, uma estátua que está em uma das ruas próximas à Praça Venceslau (não me recordo bem), que representa a estória de um cavaleiro que cancelou seu casamento pensando que sua noiva tinha o traído. Quando viu que ela suicidou-se, afogando-se, viu que tinha cometido um erro. Diz a lenda que a cada 100 anos ele aparece na Rua “Platnérská” procurando pela amada. Vou ver se tenho uma foto e coloco na comunidade do G+
    Mais uma vez, vocês estão de parabéns!!!

    1. Oi, Sérgio. Não conhecia essa história do Homem de Ferro, muito boa também. O que não falta em Praga são histórias interessantes assim, né?

      Se achar a foto compartilha com a gente sim!

      Abraço e obrigado!

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