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Atlas: Ceará, Brasil

Literatura do Ceará: José de Alencar e outros autores

A história de Bentinho e Capitu se passa no Rio de Janeiro. O sertão de Minas Gerais, Goiás e Bahia foi cenário para o encontro de Diadorim e Riobaldo. Nos pampas do sul, Bibiana e Rodrigo Cambará se apaixonaram. E, sob o sol do Ceará, aconteceu o amor de Martim por Iracema. É difícil visitar Fortaleza e não encontrar pelos mapas referências ao romance Iracema (1865), uma das obras mais célebres de José de Alencar. Só daí já dá para notar a força que a literatura tem na história cultural do estado. Quer ver só?

As duas estátuas mais famosas de Iracema em Fortaleza estão na orla. Uma, inaugurada em 1965, fica no Mucuripe. A outra, conhecida como Iracema Guardiã, está três quilômetros adiante, no bairro Praia de Iracema (viu como é difícil fugir?). Há ainda outras duas estátuas da protagonista indígena na capital cearense. Mas o livro está bem longe de ser a única obra que deixou marcas na história do estado. Hoje vamos falar sobre autores que levaram para as páginas da ficção personagens, lugares e situações inspiradas no Ceará da vida real.

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Literatura do Ceará: 5 autores consagrados

José de Alencar

Em sua obra, há livros sobre diversas épocas e lugares. Mas a parte mais importante do trabalho de José de Alencar é a que marca o indianismo. Para quem esqueceu a aula de literatura, esse era um elemento tipicamente brasileiro do romantismo. Enquanto as obras românticas europeias enalteciam grandes amores trágicos e heróis medievais, por aqui, onde não houve Idade Média, o índio virou herói literário. Iracema é um exemplo. A história da “virgem dos lábios de mel” representava o encontro entre a natureza e a civilização (representada por Martim, um homem branco). De quebra, o livro faz as vezes de mito fundador, já que conta que Moacir, filho miscigenado de Martim e Iracema, é o “primeiro cearense”.

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Adolfo Caminha

Seu romance mais conhecido é Bom-Crioulo (1895), que chocou a sociedade da época ao retratar uma relação homossexual e inter-racial. Mas Caminha também escreveu A normalista (1893), um dos melhores exemplos do naturalismo brasileiro. No romance, uma estudante da ultraconservadora Escola Normal de Fortaleza (que existiu de verdade) é seduzida pelo tio, engravida dele e realiza um aborto. Se hoje o tema ainda causa polêmica, imagine que estamos falando de século 19. Com uma tendência a falar sobre criminosos e pervertidos, o autor não era muito apreciado na época. Ele morreu aos 29 anos e só foi ter reconhecimento um tempo depois.

Domingos Olímpio

A virada do século 19 para o século 20 foi marcada por grandes secas no Nordeste, em que muita gente sofreu e morreu de calor e de fome no Brasil. A mais devastadora dessas secas foi entre 1877 e 1878, quando morreram mais de 400 mil pessoas e 70 mil deixaram o Nordeste rumo a outras regiões do Brasil. O alagoano Graciliano Ramos ambientou seu Vidas Secas (1938) nesse período. Mas, três décadas antes, Domingos Olímpio tinha lançado Luzia-Homem (1903), protagonizado por uma retirante cearense que faz serviço pesado na construção de uma prisão e se envolve em intrigas e amores trágicos.

Rachel de Queiroz

O quinze (1930) retrata a luta do povo nordestino contra a miséria. Mas a obra é revolucionária por outros motivos. Uma de suas personagens centrais é a professora Conceição, que desafia a família com pensamentos socialistas e feministas. Ela era sexualmente livre e não queria se casar. É mais incrível ainda pensar que Rachel de Queiroz tinha só 19 anos quando publicou O quinze. Não por acaso, ela foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, em 1977, depois de lançar outros romances e crônicas ambientadas no Ceará.

Patativa do Assaré

literatura do ceara cordel patativa do assareBem longe do circuito acadêmico e literário frequentado pelos intelectuais, Patativa do Assaré começou cedo a fazer repentes, poesias cantadas e escritas, no início do século 20. Sua obra era oral e informal, ilustrada em cordéis e recitadas na rua e nas rádios. Foi só em 1967 que os versos de Patativa, que contam histórias de personagens populares e fantásticos e trazem elementos da natureza, se transformaram em livro. Hoje em dia, a poesia popular também é valorizada pelo meio acadêmico – Patativa do Assaré até caiu no meu vestibular, lá em 2005.

Outros autores cearenses

O sol, o mar, o sertão, a política, a religião e o povo cearense estão presentes nas obras de inúmeros autores que nasceram e cresceram no estado, mesmo quando esses escrevem histórias ambientadas em outras regiões do país. A literatura cearense é riquíssima e até mesmo vanguardista: houve por lá um movimento chamado Padaria Espiritual, que juntou escritores, pintores e músicos que se posicionavam contra o conservadorismo na última década do século 19. Essas reuniões eram bem parecidas com o Modernismo, que tomou forma décadas depois no Sudeste. Os escritores Antonio Sales e Lívio Barreto se destacaram nesse período.

De lá para cá, dezenas de outros nomes fizeram história: Antônio Martins Filho, João Clímaco Bezerra, Fran Martins, Lúcia Fernandes, até chegar em contemporâneos como Natércia Campos, Socorro Acioli (única brasileira selecionada para uma oficina de Gabriel García Márquez em 2006) e o multimídia Xico Sá, que também nasceu no Ceará e conta memórias de sua infância e adolescência por lá.


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Otávio Cohen

Cresci lendo muitos livros e assistindo a muitos filmes. Deu nisso: hoje vivo de contar histórias. Por coincidência, algumas das melhores acontecem longe de casa. Por isso, de vez em quando, supero o medo de avião e a saudade do meu cachorro para ir em busca de uma nova história.

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