6 lugares que correm o risco de desaparecer nas próximas décadas

No dia 8 de março de 2017, uma forte onda varreu para as profundezas do Mar Mediterrâneo um dos maiores cartões-postais de Malta. A Azure Window era um arco de calcário naturalmente esculpido nas rochas, como se fosse uma janela para o mar. O lugar que atraia centenas de pessoas que passavam pela ilha Gozo, e era motivo de orgulho entre os moradores dali, está perdido para sempre.

O mundo está em constante transformação, tanto por força da natureza, quanto por ação humana. Coisas que estiveram ali por anos e anos desaparecem por completo em poucos segundos – ou sofrem uma lenta degradação até que, um dia, não existam mais. É impossível prever o que a humanidade vai perder nas próximas décadas em decorrência de guerras, atentados e catástrofes naturais. Algumas tragédias, no entanto, são anunciadas. A poluição, o aquecimento global e a expansão das cidades são ameaças lentas, porém constantes, às belezas naturais e aos patrimônios históricos que existem há séculos. Veja algumas delas.

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Taj Mahal

Poluição causa severos danos ao Taj Mahal

Taj Mahal sofre diversas ameaças atualmente

O Taj Mahal está ficando verde. O motivo pelo qual o belo mármore branco está mudando de cor são as fezes dos insetos que circulam pela região, atraídos pelo poluído Rio Yamuna, que corre ali perto. “Logo atrás do monumento há 52 canos escoando esgoto no rio”, disse o ativista ambiental DK Joshi à BBC. “A água do Yamuna está tão parada que os peixes que se alimentavam dos insetos estão morrendo – o que permite a proliferação das pestes no rio”. As manchas são removíveis com o uso do produto de limpeza, mas é justamente aí que mora o perigo: as substâncias químicas presentes em tais produtos danificam de forma permanente o mármore.

E não é nem de longe a única ameaça a esse belo monumento ao amor. Não bastasse a nada agradável cor de fezes, o branco do mármore já estava passando por outro processo que afetava sua coloração: a poluição gerada por uma refinaria de petróleo vizinha à cidade de Agra fazia com que o palácio adquirisse um estranho tom amarelado. O mausoléu recebeu tratamento com lama para retirada dos poluentes diversas vezes ao longo dos últimos trinta anos.

Em 2011, especialistas detectaram também uma forte erosão nas bases de mogno do Taj que poderia levá-lo ao chão. Na época, eles disseram que o desastre poderia ocorrer em cinco anos, prazo que já foi ultrapassado. Esse ano, o governo indiano decidiu limitar o número de visitantes diários a 40 mil, para reduzir a pressão colocada sobre as bases do monumento. Nos fins de semana, o número de pessoas que passavam pelo templo poderia chegar a 70 mil. Saiba mais sobre a história do Taj Mahal.

Ruínas de Babilônia

Ruínas da Babilônia no Iraque. Foto: Qayssar Hussein, Shutterstock.

Além da degradação implacável do tempo, as ruínas de Babilônia, resquícios de uma das maiores e mais importantes cidades do mundo antigo, localizadas no que hoje conhecemos por Iraque, precisam enfrentar desafios ainda piores. Ao longo de seu regime, Sadam Hussein chegou a construir um enorme palácio no topo da cidade e o trabalho de preservação na época deixa muito a desejar, mas a situação se agravou mesmo com a entrada das tropas americanas, em 2003, e com a interminável guerra que se seguiu. A partir de então, qualquer tipo de trabalho arqueológico na região parou e as ruínas ficaram completamente abandonadas aos saques e vandalismo.

Os militares americanos chegaram até mesmo a usar as ruínas como base e, mais tarde, elas foram também ocupadas por tropas polonesas, presença que marcou de forma visível a região. Desde 2009, no entanto, um grupo de pesquisadores trabalha na recuperação e preservação do sítio arqueológico, em um ambicioso programa denominado Projeto Babilônia. Mas, além de tudo isso, eles ainda precisam lidar com uma ameaça antiga que assombra a cidade desde a época do rei Nabucodonosor II, que construiu a cidade: a água salgada que encharca o solo e coloca em risco as bases da construção.

A reconstrução da Porta de Ishtar, a oitava porta da Babilônia, e da via processual, pode ser vista no Museu Pergamon, em Berlim.

A Grande Barreira de Corais da Austrália

Vista aérea da Grande Barreira de Corais na Austrália. Foto: JC Photo, Shutterstock.

A poluição ameaça a maior barreira de corais do mundo. O aquecimento global afeta o pH dos oceanos e causa um “estresse de calor severo” a esse tipo de ecossistema, o que leva a um branqueamento em massa dos corais. Isso quer dizer que os coloridos recifes se transformam em verdadeiros cemitérios brancos, esqueletos sem vida nos oceanos. No ano passado, a Grande Barreira da Australia sofreu um branqueamento pelo segundo ano consecutivo. Dessa vez, o fenômeno se alastrou por 1500 quilômetros.

Em geral, os corais levam entre 15 e 20 anos para se recuperarem de branqueamentos em massa. Porém, com a velocidade com a qual eles vêm ocorrendo atualmente, o medo é que os ecossistemas não tenham tempo para isso e acabem extintos. De acordo com a WWF, quase um terço dos recifes de corais do mundo já desapareceram e o restante deve sumir antes da metade do século atual. Apenas quatro dos 29 ecossistemas de corais listados como Patrimônio Mundial não sofreram branqueamento nos últimos três anos.

Saiba mais: O perigo de pisar nos recifes em Porto de Galinhas

Para a Unesco, o Acordo de Paris, que visa estabilizar o aquecimento global em dois graus celsius acima dos níveis pré-industriais, é a única chance de salvar os corais. A extinção desses ecossistemas seria catastrófica para a vida marinha e para a economia mundial.

Mar Morto

Mar Morto. Foto: vvvita, Shutterstock.

Isolado do Mar Mediterrâneo há 18 mil anos por causa de atividades tectônicas na região, o Mar Morto é um lugar de grande importância histórica e religiosa para as três maiores fés monoteístas do mundo. Além disso, atrai milhares de turistas que querem experimentar o fenômeno de não se afundar em suas águas hipersalinizadas. Mas, se nada for feito, o Mar Morto vai desaparecer até 2050.

Durante séculos, o mar manteve seu volume de água através de um delicado equilíbrio entre o que chegava do Rio Jordão e outros pequenos afluentes e o que evaporava. Desde 1960, depois que Israel passou a usar uma pequena represa para coletar água do rio e, com ela, abastecer o país, o volume de água do Mar Morto passou por uma redução drástica e que cresce a cada ano.

Até 1950, o Mar Morto recebia 1,3 bilhão de metros cúbicos de água todos os anos. Hoje, esse volume só chega aos 50 milhões. Por isso, calcula-se que nas últimas cinco décadas, o Mar Morto tenha perdido já um terço de sua superfície, o que se acentua a cada ano. O problema piora com a atividade das empresas que extraem minerais na região e depositam os sedimentos no fundo do mar.

Ilhas paradisíacas

Arquipélago de San Blás pode ser engolido pelas águas graças ao aquecimento global

Arquipélago de San Blás, no Panamá, é um dos que poderá desaparecer graças ao aquecimento global. Foto: tonisalado, Shutterstock

O aumento do nível dos oceanos causado pelo aquecimento global colocará diversas ilhas paradisíacas debaixo d’água. Estima-se que, até o final do século, as Ilhas Maldivas e Seychelles serão engolidas pelos mares. Kiribati e Tuvalu são outros destinos que correm o risco de desaparecer. Em alguns lugares, o processo já está bastante avançado. Os indígenas Kuna, que habitam o arquipélago de San Blás, no Panamá, já traçaram um plano de fuga em algumas de suas ilhas e já são considerados os primeiros refugiados do aquecimento global.

Veneza

Veneza pode desaparecer nos próximos anos

A relação de Veneza com a água sempre foi complicada. Ao longo de sua história, a cidade foi inundada diversas vezes e sempre conviveu com a possibilidade de ser engolida. O mesmo elemento que confere charme a Veneza é uma ameaça de séculos. Parte das razões para o afundamento de Veneza são naturais. A cidade está numa zona de alta atividade tectônica, bem na base dos Apeninos, e os processos geológicos empurram Veneza para baixo.

Há ainda uma instabilidade no solo provocada pela compactação de sedimentos, fatores que juntos fazem a cidade afundar de 1 a 2 milímetros por ano. Mas além do afundamento natural, o aumento do nível das águas também representa uma ameaça para Veneza. Pesquisadores acreditam que as barreiras construídas para suportar a pressão da água podem amenizar o processo, mas que, para sobreviver, a cidade vai precisar de muitos cuidados nos próximos anos.


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Natália Becattini

Já chamei muito lugar de casa, mas é pra Belo Horizonte que eu sempre volto. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Além do 360, mantenho uma newsletter sobre o a vida, o universo e tudo mais, que eu chamo de Vírgulas Rebeldes. Vira e mexe eu também estou procrastinando lá no instagram @natybecattini e no twitter.

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7 comentários sobre o texto “6 lugares que correm o risco de desaparecer nas próximas décadas

      1. São Blas é uma das maravilhas escondidas.Pouca gente conhece os vaidosos índios Kuna. A barreira de coral já deixava passar muitas ondas há dez anos…

        1. Ei Luís, além de parecerem incríveis, acho que San Blás é um dos poucos lugares da América Latina que tem a autonomia indígena bastante preservada. Me encantei pela cultura Kuna. É uma pena que as ilhas estejam sofrendo por problemas ambientais.

          Abraços

    1. Argumento irrefutável! Excelente percepção da realidade, você precisa dizer isso ao mundo, esta teoria desmascara os ambientalistas. Como ninguém percebeu isso antes? Estou chocada!

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