Whipala, todas as cores da bandeira andina

A bandeira colorida tremulava em frente à sede do governo equatoriano enquanto um grupo de manifestantes entoava hinos de protesto contra a desapropriação de terras indígenas por uma mineradora na Amazônia. A muitos quilômetros dali, no Peru, ela abria caminho para uma marcha que pedia melhores condições trabalhistas em Cusco. Já na Bolívia, ganhou o direito de ser hasteada ao lado da bandeira nacional, uma lembrança das origens e da história do país. Alheia às fronteiras, a Whipala tremula de norte a sul da cordilheira, um símbolo da união de toda a nação andina.

Whipala sendo erguida em protesto no Equador

Formada por 49 quadrados coloridos, separados por uma faixa de quadrados brancos que cortam o centro da bandeira na diagonal, a Whipala é considerada o símbolo de resistência e da diversidade dos povos nativos da Cordilheira dos Andes. Sua origem é incerta, embora o padrão xadrez tenha sido encontrado em tecidos, pinturas rupestres e cerâmica de povos ancestrais sob o domínio dos Incas, além de desenhos e relatos de viagem da colonização.

Acredita-se que, naquele tempo, o emblema nasceu com sentido pacífico, sendo utilizado como calendário agrícola e festivo, mas foi transformado em um símbolo de guerra com a chegada dos espanhóis.“Eles chegaram com estandartes carmesim ou vermelhos e com símbolos romanos e cristãos. Para enfrentá-los, os Incas aprenderam a organizar seus exércitos com cavalaria e armas e, na frente deles, levaram a Whipala como um símbolo de guerra e defesa”, explica o historiador Germán Choquehuanca ao Periódico de Investigación sobre Bolívia.

Desde então, a bandeira vem sendo usada como um símbolo da luta indígena na região e já apareceu em diferentes cores e formatos ao longo da história. Durante a Guerra Civil Boliviana de 1899, por exemplo, o indígena Pablo Zárate Villca comandou uma rebelião do povo aymará levando à frente a bandeira. Ela também foi usada como símbolo da luta camponesa dos aymarás, nos anos 1970.

Whipala hasteada ao lado da bandeira boliviana

Na Bolívia, desde 2009 a Whipala é considerada símbolo nacional. Foto: Shutterstock, por Jess Kraft

A versão oficializada hoje, totalizando 49 pequenos quadrados, é fruto de um redesenho feito por historiadores em 1979, com base em uma antiga figura da Whipala gravada em uma cerâmica que hoje está exposta no Museu Abad de Cusco. O significado do nome da bandeira é controverso: embora as diversas fontes afirmem que vem da língua falada também pelos Aymarás, alguns dizem que é resultado da junção das palavras eiphay, que significa alegria, e phalax, que é o sonho produzido por conduzir uma bandeira. Já para Germán Choquehuanca, whipala quer dizer objeto flexível, ondulante e quadriculado.

Embora seja vista por todo o continente, do Equador ao norte da Argentina, é apenas na Bolívia que ela é reconhecida como símbolo oficial do país, ao lado da bandeira nacional, do hino boliviano, escudo de armas, da flor de kantuta (típica dos Andes) e da flor do patujú (comum no leste do país).

A decisão foi do presidente Evo Morales, em 2009, e tem como objetivo representar a diversidade de povos do país no qual mais de 60% da população se declara indígena. Além da ligação com a resistência e causas políticas indígenas, a wiphala também é utilizada em cerimônias religiosas, casamentos, matrimônios e outros eventos sociais e culturais andinos.

Os quadrados são coloridos com as sete cores do arco-íris, e cada uma delas possui um significado. O vermelho representa a terra; o laranja, a sociedade e a cultura; o amarelo é a energia, força e expressão dos princípios morais; o branco é o tempo e o desenvolvimento; o verde é a economia e as riquezas naturais andinas; o azul é o espaço cósmico, os sistemas estelares e os fenômenos naturais e o violeta é a política e a ideologia andina, expressa pelo poder comunitário.


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Natália Becattini

Já chamei de casa a Cidade do Cabo, Chandigarh, Buenos Aires e Barcelona, mas acabo sempre voltando pra minha querida BH. Gosto de literatura, cervejas, música e artigos de papelaria, mas minha grande paixão é contar histórias. Por isso, desde 2011 viajo o mundo e escrevo sobre o que vi. Também estou no blog sobre escrita criativa Oxford Comma e compartilho minhas impressões de mundo também no instagram @natybecattini e no twitter.

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