E quando a lei de Murphy implica com sua viagem?

Dizem que quando está tudo ruim a coisa ainda pode piorar. Mas essa Lei de Murphy tem cada hora para se provar verdadeira que tenho certeza que tem alguém no cosmos rindo da nossa cara. Imagine duas pessoas viajando juntas por 15 dias, depois de terem morado juntas por três meses. Quando você está junto há tanto tempo, muitas coisas, tipo conceitos como cortesia, deixam de existir. E os defeitos do outro (e os seus defeitos) se tornam mais exacerbados. Isso pode ou não gerar conflitos.

Eu viajei para os Estados Unidos com uma colega de faculdade que também havia sido minha colega de escola. Na época éramos muito amigas, hoje somos colegas que se encontram de vez em quando. Essa é a história de quando as coisas deram muito errado numa viagem com amigos.

Era uma viagem de 17 dias, por seis cidades, bastante econômica. Tão econômica, que sabíamos que a hora de comer o fast-food de cada dia não era quando estávamos com fome, mas sim quando estávamos com tanta fome que ficávamos mal-humoradas e começávamos a brigar uma com a outra. Pode não parecer uma decisão sábia do seu ponto de vista de leitor confortável, porque de fato não era uma decisão sábia, era uma decisão de pobre corredor – de tanto andar o dia todo e comer mal, emagreci rapidamente todos os cinco quilos adquiridos nos 3 meses de McDonalds.

Estávamos em Los Angeles, a quinta cidade que visitamos, essa numa correria de apenas dois dias. De lá partimos para Las Vegas, o último destino. Lembram quando eu contei aqui que Los Angeles foi a cidade onde tive mais dificuldade para me locomover? Pois é, o fato da cidade ser uma grande região metropolitana espalhada no território dificultou muito o nosso senso de navegação. Nosso hotel ficava em Santa Mônica. A rodoviária ficava em outro lugar, a muitos quilômetros. Entre eles,  um sistema de ônibus confuso. Soma-se a isso uma mala enorme e pesada para cada.

O pessoal do hostel bem que teve a maior boa vontade de nos explicar o caminho e quais ônibus precisávamos pegar. O problema foi que, mesmo saindo com antecedência, o trânsito e a nossa confusão fez com ficássemos muito atrasadas. Ao descer do ônibus no ponto que nos indicaram ser o mais perto da rodoviária, descobrimos que não estávamos tão próximas à rodoviária assim.

O que fazer nessas horas? Pedir informação, certo? Foi o que eu fiz. Vi um pessoal e perguntei como fazer para chegar à rodoviária. A resposta não foi nada animadora: olha, você tem que dar a volta ali, seguir o túnel aqui e fazer mais algumas coisas que eu não me lembro mais. Só a perspectiva de sair carregando minha mala todo esse caminho me fazia querer chorar. Mas lá fomos nós seguindo as indicações. Acho que foi na metade do caminho que aconteceu.

Não me lembro se tinha um degrau, se alguém tropeçou ou se era só o estresse de ter cinco minutos para pegar um ônibus e estar perdida carregando uma mala de 25 quilos. Eu sei que resolvemos brigar na pior hora que alguém pode resolver brigar. Minha colega, cansada, decidiu que iria desistir e voltar para o hotel. Eu, obstinada, falei para ela ir, que eu ia continuar.

Então, estressada e abandonada, segui com a meu fardo caminho afora até a rodoviária. Acho que foram os piores minutos de caminhada da minha vida, não superados nem anos depois quando caminhei pelo labirinto de cocô em Varanasi.

E quando a lei de Murphy implica com sua viagem?

Um dos ônibus da Greyhound, a principal cia rodoviária dos EUA. Foto: Wikimedia Commons

Demorou, mas cheguei. E obviamente já tinha perdido o ônibus. Porém, paguei uma multa não muito alta (acho que eram 20 dólares), e pude pegar o próximo ônibus, que partiria dali meia hora. Quando eu entrei no ônibus, uma surpresa! Minha colega, a desistente, desistiu de desistir e pegou um taxi até a rodoviária. Talvez você esteja se perguntando porque eu não fiz o mesmo: bom, eu tinha 10 dólares na carteira, porque não tinha tirado dinheiro. E fora isso, cadê o espírito de economia a qualquer custo?

Leia também: Como viajar de ônibus pelos Estados Unidos

Enfim, ainda chateada com a colega, sentei longe dela no ônibus e dormi. Acordei quando chegamos em Las Vegas. Desembarcamos e, quando fui pegar a mala, uma nova surpresa: tinha sido arrombada. Lembro até hoje o sentimento de ódio que tomou conta de mim. Meu único consolo é que o infeliz do arrombador não teve nenhum sucesso, porque só tinha um monte de roupa suja e nada de valor. Aí lá fui eu fazer as reclamações contra a empresa de ônibus e tentar encontrar a solução para a minha mala que agora não fechava.

Como não estávamos nos falando direito, minha colega foi para o hotel de táxi e eu fiquei lá preenchendo um formulário enquanto um funcionário amarrava a mala com silver tape. Depois, fiz com que eles ligassem para o meu hostel, que providenciou um motorista para ir me buscar. O simpático senhor foi me consolando pelo caminho – obviamente eu estava chorando – e disse que arrumaria o zíper quebrado de graça, era só eu deixar a mala com ele na mesma noite.

Quando finalmente cheguei no hostel eu e a colega tivemos uma conversa revolvedora de problemas. Ela também tinha passado alguns perrengues  no caminho e acabamos superando as diferenças por hora e caindo na noite em Vegas. Afinal, a moral dessa história é que quando tudo dá errado numa viagem, o melhor a fazer é largar tudo e ir beber alguma coisa. Murphy não deve gostar de cerveja.

Imagem Destacada: David Iliff, Wikimédia Commons


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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 30 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

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8 comentários sobre o texto “E quando a lei de Murphy implica com sua viagem?

  1. Oi Luíza,
    Eu também ja fiz uma viagem com minha melhor amiga e foi um horror (Mossoró e Fortaleza, 2 semanas, com a mãe e a avó dela). Ja éramos amigas a mais de 10 anos (agora são quase 15, firmes e fortes!), sempre frequentei a casa dela, passava os finais de semana lá, então tínhamos intimidade de irmãs. Ou seja, sem papas na língua, sem preocupação com o que a outra vai pensar, sem muitos cuidados com o jeito de falar certas coisas. No final da primeira semana, brigávamos por qualquer coisa, tudo nos irritava, foi um caos. Então, um dia eu decidi que iria sair sozinha, enquanto ela ia ao centro resolver umas coisas de banco e foi a melhor coisa que eu fiz. Um dia inteiro sozinha me deu o tempo comigo mesma que eu estava precisando e nem sabia. Foi quando eu aprendi que preciso desses momentos de solidão de vez em quando, para colocar os pensamentos em dia. No dia seguinte conversamos sobre as brigas, nos desculpamos e prometemos nos esforçar para evita-las no restante da viagem. E assim foi…

  2. Oi Luíza!!! Meus parabéns muito bacana teus relatos e experiências. Eu já tive a oportunidade de morar em Vancouver, enquanto estudava inglês, fiquei em casa de família e as viagens que fiz foram todas de curto período durante os finais de semana.

    Agora estou me organizando para explorar os EUA e ainda em dúvida se tento fazer um programa no modelo “work” and “travel” ou somente ir para conhecer alguns lugares e obviamente neste caso permanecer por um período menor. Também tenho interesse em visitar feiras de negócios locais.

    No hipótese de sair ao estilo “Into the Wild” e percorrer o país, o que você recomendaria? Uma mochila estilo alpinista carregando tudo nas costas ou um mochila menor junto com uma mala?? Parece uma pergunta banal, mas é que sempre quando viajei nunca me preocupei com a bagagem pois a mesma ficava no hotel e saia só com o necessário. Mas desta vez quero algo mais aventureiro e independente. Se puder me dar um conselho lhe agradeço.

    E rumo aos 30 países Luíza!!! Eu estou com 28 anos e com 20 visitados, se valesse considerar cada estado americano um país ficaria melhor né? hehehe Abraço!

  3. Oi Luíza, só de ler que vcs estavam em LA sem carro já imaginei problemas relacionados com ônibus e meios de locomoção! Para parafrasear, Lei de Murphy happens!!! =)
    E por experiência própria posso afirmar que temos que tomar mais cuidado em escolher os companheiros de viagem do que em montar o próprio roteiro.
    A viagem a gente acaba fazendo, mas há vezes que a amizade não volta mais ao que era!!

    1. Pois é Adriana, LA sem carro, nunca mais.

      Agora o problema da amizade realmente é complicado. Porque acho que não basta só escolher bem o companheiro, tem que estar bem alinhadas as vontades de cada um para a viagem. Eu, Rafa e Naty já brigamos muito feio numa viagem que fizemos juntos num reveillon na praia. O problema foi que queríamos fazer coisas muito diferentes. Depois, durante a volta ao mundo, que durou 10 meses, brigamos muito pouco, nada muito sério. Acho que porque estávamos bem alinhados sobre nossos interesses ao longo da viagem.

      Mas realmente, depois de uma viagem, nós nunca somos mais os mesmos, então as amizades também não são as mesmas.

      bjss

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