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O que é ser mochileiro?

Vou te contar um segredo. É meio óbvio, mas tem muita gente que se esquece: para ser mochileiro, meu amigo, o que menos importa é a mochila. Também não precisa ter dread no cabelo, usar sandália de couro ou fazer o estilinho hippie – embora você possa, se quiser. No entanto, saiba que isso não faz de você mais ou menos mochileiro que alguém que viaja de mala de rodinha.

Mas sim, muita gente se esquece disso tudo. Já ouvi pessoas com antipatia de quem coloca mochila nas costas e se acha mais viajante que todo mundo, ou que levam o mochilão em viagens onde ele é desnecessário e só atrapalha, só para fazer o estilo. A coisa pegou tanto que hoje é possível fechar um “mochilão” inteirinho com agência de intercâmbio, com direito a passagem de trem, reserva em hotel e planejamento de roteiro. Eu não sei quanto a vocês, mas eu acho isso bizarro. É melhor assumir de uma vez que você viaja de pacote, porque não tem nada de errado em viajar de pacote. São duas escolhas, duas preferências pessoais – e eu sou adepta da filosofia do: viaje do jeito que for, mas viaje.

Safari de Camelo

E se não é o mochilão que define o mochileiro, o que é então? Os mochileiros compartilham entre si certas ideias e práticas e fazem parte de uma cultura específica, um modo de explorar o mundo, um estilo de viagem e de vida backpacker. Dificilmente um mochileiro vai se contentar, por exemplo, em sentar a bunda na cadeira de praia por uma semana no melhor estilo “daqui-não-saio-daqui-ninguém-me-tira (até segunda-feira, quando volta o trabalho, lógico)”. Não existe nada de errado nisso e confesso que às vezes me dá uma vontade danada de fazer o mesmo, mas a viagem do mochileiro não é apenas uma oportunidade de descanso e relaxamento, é uma oportunidade de aprendizado. Não queremos apenas nos enterrar em uma cidade cenográfica feita para turistas, queremos contato direto com a sociedade que visitamos, explorar o mundo e descobrir o que os lugares têm para oferecer, aprender com eles e descobrir mais sobre nós mesmos.

Tem a ver com experiências, interação e fim de preconceitos, com o crescimento através da descoberta do novo. Tudo isso é muito bom, muito bonito, clap, clap, clap. Mas tem aquela outra coisa que nos une, aquilo que faz parte da nossa essência: somos duros. Uns mais que outros, como qualquer mundo com muita desigualdade social deve ser, mas na maioria das vezes costumamos carregar essa característica em comum. Eu, por exemplo, já me conformei que nunca vou viajar com dinheiro sobrando. Afinal, se eu junto 10 mil reais para uma viagem de um mês, logo vou querer transformá-la em uma viagem de quatro meses e vou viver no limite do orçamento. Mas como eu disse, é uma escolha. E eu escolho viajar mais.

Os dois fatores acima somados dão origem a um terceiro: viajamos de forma independente. Em primeiro lugar porque é mais barato. Em segundo, porque acreditamos que os pacotes vendidos em massa pelas agências de turismo não são capazes de nos oferecer toda a gama de experiências que queremos desfrutar. Dormir em um hostel é, por exemplo, além de uma opção econômica, uma grande oportunidade para conhecer outros aventureiros, trocar impressões e conhecer gente do mundo inteiro. Algo um pouco mais difícil de acontecer em um hotel.

Vale Sagrado Inca

E pode soar meio utópico – mas todo viajante tem mesmo um quê de sonhador: descobri em minhas andanças que costumamos compartilhar a crença de que podemos ajudar a transformar o mundo através da troca que promovemos, que a sabedoria local gera entendimento em uma esfera global e que conhecimento é fatal contra o preconceito.

Agora que você já sabe que não é preciso sair correndo e gastar centenas de reais na mochila mais cool do momento, é hora de colocar o pé na estrada e ser feliz.

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Natália Becattini

Jornalista, escritora e mochileira. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Já chamei muito lugar de casa, mas é pra BH que eu sempre volto. Além do 360, mantenho uma newsletter inconstante, a Vírgulas Rebeldes, na qual publico crônicas e contos . Siga também no instagram @natybecattini e no twitter.

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42 comentários sobre o texto “O que é ser mochileiro?

  1. Já estamos em 2018 mas esse artigo é atemporal! Muito bem colocado o texto sobre a cultura mochileira e o que a caracteriza. Explorar, compreender e se conhecer resumem seu texto e a vida mochileira. Estou te citando em um trabalho da faculdade o/

    1. Olá Thiago! Fico lisonjeada por ser citada em seu trabalho. Espero que o texto tenha ajudado.

      Obrigada por comentar e volte sempre!

  2. “E pode soar meio utópico – mas todo viajante tem mesmo um quê de sonhador: descobri em minhas andanças que costumamos compartilhar a crença de que podemos ajudar a transformar o mundo através da troca que promovemos, que a sabedoria local gera entendimento em uma esfera global e que conhecimento é fatal contra o preconceito.”

    Obrigado por isso. Mas muito obrigado mesmo!

  3. olá, sou uma estudante de ensino médio e sou fascinada por esse estilo de vida. Adoraria conhecer e colecionar aventuras, experiência, conhecimento e culturas de vários lugares. queria muito receber mais dicas e historia sobre esse estilo de vida.

  4. Cara vc falo tudo daqui uma cemana comeso munha jornada tenho 16 anos grasas a vc sei o que cigui nifica ser um muchileiro valeu Felipe.

  5. Oi, eu no segundo semestre planejei uma viagem pra Índia, eu vou fazer um mochilão por lá, mas vou sozinha, algumas pessoas estão dizendo pra tomar alguns devidos cuidados, li seus post sobre a índia e tudo, mas teria alguma dica especial ?

  6. Fato, já conheci gente que se achava mais mochileira que a outra por ter viajado para um destino mais “alternativo” ou só porque carregava um mochilao!! Até em um hostel que eu fui em Foz do Iguaçu o dono chegou a comentar que ele só queria mochileiro e não esa gentinha que usava mala de rodinha!!! Vê se pode isso!! haha

    Enfim, quanto à Hotel/Hostel, sempre fico em hostels mas faço exceções durante as viagens de no mínimo 2 semanas de duração, tentando passar pelo menos uma noite em uma pousada ou um hotel 3 estrelas, já que no Hostel faço amizade com os roommates e sempre acabo dormindo pouco preciso dessa noite boa de descanso + um bom café da manhã lá na metade da viagem para recarregar um pouco as energias.

    1. Ei Felipe, muito boa essa dica que ficar pelo menos uma noite em hotel. Hostel pode ser mesmo um pouco cansativo haha

      Abraços!

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