Intercâmbio de moda em Milão

A experiência de intercâmbio da Letícia Sales deve interessar muita gente. Durante seis semanas, ela trabalhou numa empresa de moda em Milão, na Itália. No texto, ela conta mais sobre a experiência, sobre a expectativa de trabalhar num local tão famoso para moda e o que encontrou de verdade. Assim como a equipe do 360meridianos, o intercâmbio dela foi pela AIESEC, uma organização apartidária, independente, educacional, sem fins lucrativos e totalmente formada e gerenciada por estudantes universitários. Veja abaixo o relato da Letícia.

Em maio e junho de 2013 passei 6 semanas em Milão, na Itália, num intercâmbio de trabalho voluntário da AIESEC. Neste projeto, a acomodação e alimentação seriam bancadas pela AIESEC. Normalmente, os projetos de trabalho voluntário são relacionados à educação, dar aulas para crianças carentes e coisas do gênero. Mas este projeto foi diferente. Todos os anos a AIESEC Milão organiza um concurso para estudantes de moda, chamado EcoFashion Lab, cujo intuito é a criação de moda sustentável. O concurso é patrocinado pelo CNA, organização de pequenas e médias empresas de moda e artesanato italianas.

intercambio em milão

intercambio em milão

Algumas criações do projeto EcoFashion Lab, organizado pela AIESEC Milão

Éramos dois grupos de voluntários. O primeiro era responsável por divulgar o concurso para universidades e estudantes de moda e também auxiliar na organização. O segundo trabalhava em pequenas empresas associadas ao CNA. Eu fiz parte do segundo grupo.

Vai fazer intercâmbio? Saiba como transferir dinheiro para o exterior com menos taxas

Cheguei na Itália em 18 de maio para um estágio em uma pequena empresa de moda em Milão. Mas acho que posso dizer que a preparação para a minha viagem à Itália começou anos atrás. Logo após escolher trabalhar com moda e seguir esta carreira na universidade, aos 15 anos, comecei a aprender e a criar expectativas sobre a moda italiana e o “Made in Italy”.

intercambio em milão

Depois de semanas em Milão, o que encontrei foi totalmente diferente do que eu esperava. Talvez esperasse demais, mas quando você cresce em um país como o Brasil, onde a mentalidade geral é de que tudo que vem da Europa e Estados Unidos é melhor e onde você constantemente ouve sobre a qualidade dos produtos italianos, é difícil não esperar muito.

Porém, descobri que a mentalidade italiana em muito se assemelha à brasileira. A população é conformada, acostumada à corrupção e com conversas gerais sobre futebol e mulheres bonitas. Alguma semelhança..? Fiquei surpresa ao encontrar donos de empresas conformados com a realidade da crise, sem trabalharem ao máximo para tentar recuperar seus negócios. Aliás, a maioria das empresas italianas é de pequeno porte e administração familiar e as pessoas realmente acreditam que as empresas devem continuar pequenas e internacionalização é algo desnecessário que dá muito trabalho.

Veja também: Onde ficar em Milão – os melhores bairros

Contudo, a minha experiência foi incrível. Minha tarefa principal na empresa foi fazer pesquisa de mercado sobre a moda japonesa, pois meu chefe iria para Tóquio em julho, numa feira de negócios. Tive a sorte de ter tido um chefe que me levou para muitas reuniões e visitas a fornecedores pela Itália; de designers de lenços de seda em Como a fabricantes de bolsas de couro em Florença.

intercambio em milão

Pude conhecer fornecedores de cintos de couro para a Armani e percebi a quantidade de chineses que moram ilegalmente em Florença fabricando os produtos “artesanais made in Italy”… feitos por chineses. Aprendi do jeito mais difícil o quanto o marketing ajuda a criar um sonho, uma ilusão nas pessoas de algo que não existe.

E como a Europa possui muitos países pequenininhos e próximos, tive a oportunidade de, nos finais de semana, viajar para França, Suíça, Espanha… e até mesmo Irlanda! Conheci pessoas incríveis, aprendi a dividir um minúsculo quarto de hostel por 6 semanas com mais 7 pessoas do projeto, com grana para alimentação contada.

intercambio em milão

Fiz amigos da Alemanha, Canadá, Polônia, Rússia, Índia, Cazaquistão, Itália e Tailândia. Valeu muito a pena e tenho apenas a agradecer a AIESEC ESPM e AIESEC Cattolica, em Milão, por essa experiência. Sem dúvidas, viajar e trabalhar em outro país são experiências extremamente enriquecedoras.

Próxima parada: Índia!

(A Letícia saiu de Milão direto para Jaipur, então o próximo relato da Aiesec também será dela, contando a experiência na Incredible India).

Gostou deste post? Veja aqui outros relatos de intercambistas da AIESEC.


Compartilhe!



Com o 360meridianos, você encontra as melhores opções para planejar a sua viagem. Confie em quem já tem prática no assunto!

 

Reserve seu hotel com o melhor preço e alto conforto

 


Veja as melhores opções para seguros de viagem

 


Transfira dinheiro para o Brasil e exterior com menos taxas

 


Alugue veículos com praticidade e comodidade

 




Quer 70 páginas de dicas (DE GRAÇA!)
para planejar sua primeira viagem?




AIESEC

Uma organização apartidária, independente, educacional, sem fins lucrativos e totalmente formada e gerenciada por estudantes universitários.

  • 360 nas redes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

7 comentários sobre o texto “Intercâmbio de moda em Milão

  1. Mas que post maravilhoso!

    Eu sou formada em Moda e quero fazer um intercambio assim! Não sabia que a AISEC tinha esses projetos!

    Valeu pela ajuda!

    Ano que vem mando meu relato hahaha. Amo esse blog <3

    1. Oi, Daniela!
      A AIESEC de Milão fez esse projeto 2 anos seguidos, hoje em dia não sei se ainda rola. Foi o único projeto de trabalho voluntário relacionado à moda que eu achei. Mas pelo Talentos Globais tem várias vagas relacionadas a moda sim, e sendo remunerada ainda! A maior parte das vagas de moda fica na Turquia, Vietnã ou Índia, normalmente pra trabalhar em empresas que fornecem para marcas brasileiras.
      Depois da minha experiência na Itália eu vim para a Índia, escrevi um relato aqui:
      https://www.360meridianos.com/2013/10/intercambio-em-jaipur-india.html
      Vim para trabalhar em uma empresa que faz roupas para Marisa, Pernambucanas, M Officer, Mango, Le Lis Blanc.
      Foi bem legal pra aprender o lado do fornecedor, e fazer networking com as marcas brasileiras.
      A Índia é riquíssima em referências para moda, com cores, bordados, tye dye…vale muito a pena! Estou aqui até hoje, abri minha marca aqui pra vender produtos inspirados em lugares legais do mundo todo, e fazemos uma parte social também, a cada produto vendido, patrocinamos a educação de crianças com HIV aqui em Jaipur.
      Se tiver alguma dúvida me manda um e-mail ou add no face, vou ficar feliz em ajudá-la. 🙂

    2. Oi, Daniela!
      A AIESEC de Milão fez esse projeto dois anos seguidos, entre maio e junho. Hoje em dia não sei se o projeto ainda existe. De voluntário relacionado a moda foi o único que achei, mas pelo Talentos Globais tem várias vagas para moda, os principais países são Turquia, Índia e Vietnã. Tem várias empresas nesses países que fornecem para marcas brasileiras, e o melhor é que vc é paga por isso.
      Depois da Itália eu vim direto para a Índia para fazer um intercâmbio em Jaipur, dá uma olhada no post sugerido ali em cima “Intercâmbio em Jaipur, Índia”. Trabalhei em uma empresa que faz roupas para marcas como Mango, Marisa, Pernambucanas, M Officer, Le Lis Blanc. Foi bem legal pra conhecer o lado do fornecedor e fazer networking com gente de várias empresas do Brasil.
      A Índia é riquíssima em referências de moda, como cores, bordados, tye dye, estampas…recomendo MUITO!
      Estou na Índia até hoje, abri a minha marca de moda social, para cada produto vendido nós patrocinamos a educação de crianças carentes aqui.
      Se tiver alguma dúvida, me manda um e-mail ou responde este comentário, ficarei feliz em ajudá-la 🙂

  2. Caramba! A sinceridade dela sobre o que realmente achou dos italianos me surpreendeu!
    Adorei o relato dela e cada vez mais me interesso por essa ONG tão criativa!

2018. 360meridianos. Todos os direitos reservados. UX/UI design por Amí Comunicação & Design e desenvolvimento por Douglas Mofet.