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Atlas: São Paulo, Brasil, São Paulo

São Paulo é feia, mas tá na moda

Deu na mídia: São Paulo é uma das 10 cidades mais feias do planeta. A nona, para sermos exatos, atrás da Cidade da Guatemala (a 1ª e mais horrorosa de todas), Cidade do México, Amã (Jordânia), Caracas (Venezuela), Luanda (Angola), Quichinau (Moldávia) Houston e  Detroit (ambas nos Estados Unidos). A também norte-americana Los Angeles foi declarada mais bonitinha que Sampa e ficou com o décimo lugar. Paulistas, não apedrejem este blog. O autor do top 10 é o site  de viagens U City Guides  – nós não temos nada com isso.

Ao explicar a participação brasileira na lista, o site foi ainda mais, digamos, cruel com nossa maior metrópole: “Parece que a natureza concentrou todos os seus esforços no Rio e se esqueceu completamente da outra grande metrópole brasileira. São Paulo pode ser uma das cidades mais interessantes do mundo quando o assunto é comida ou compras, mas não há dúvidas de que se trata de uma grande e feia selva de concreto”. Vale dizer que só concorreram ao prêmio capitais e grandes cidades.

Rio Tietê

Tietê (Foto: Fernando Mafra, Wikimédia Commons)

O que nós achamos disso? Em parte um exagero. Não que São Paulo não seja feia – é sim. Feia pra caramba. É impossível chegar de busão na capital paulista, se deparar com o Tietê pela manhã e não achar a cidade horrorosa. A poluição – do ar e da água – faz muito bem o papel de deixar nossa Nova York com cara de Mumbai. Mas e o exagero, cadê? Bom, São Paulo pode até ser feia, mas passa longe de entrar num ranking mundial desses. A única justificativa plausível para Sampa estar nessa lista e Nova Délhi não é se a terrível camada de poluição tiver escondido a capital indiana dos autores da lista. Eles foram lá e só viram fumaça, só pode. Mumbai e Jacarta também mereciam mais essa premiação do que Sampa, garanto.

Deixando esse papo de “sou feio, mas você é mais que eu” de lado, pensemos em São Paulo. Afinal, que os outros países cuidem das cirurgias plásticas das cidades deles. Fui pela primeira vez na capital paulista em 2009 e me apaixonei pela cidade, apesar de todas as imperfeições. Jurei que iria morar lá, alvo alcançado em 2012. Fui morador de São Paulo (com direito a nota fiscal paulista) durante aproximadamente um ano. Nesse tempo, conheci boa parte dos lugares horríveis de Sampa. Trabalhei em duas empresas que ficam em pontos diferentes da Marginal Pinheiros. Vista linda do arranha-céu na hora do almoço. Só que não.

marginal pinheiros

Marginal Pinheiros (Foto: Dornicke, Wikimédia Commons)

São Paulo é feia não por culpa da natureza. É feia por culpa do homem. Transformamos os rios Pinheiros e Tietê em dois grandes esgotos a céu aberto. A poluição de nossos carros e fábricas emolduram a cidade com um horripilante céu cinza. Além, é claro, de transformar todo habitante em fumante passivo, diminuindo até a expectativa de vida da população, garantem alguns.

Houve um tempo em que grandes cidades europeias conviveram com problemas parecidos com os que São Paulo enfrenta hoje. No século 19 o rio Tâmisa, em Londres, tinha um apelido carinhoso: “O Grande Fedor”. Fedia tanto que reuniões do Parlamento, que fica às margens do Rio, tiveram que ser suspensas por conta do cheiro. 150 anos depois e muitos investimos, o rio voltou a ser cartão-postal da cidade. Há 20 anos São Paulo tem um projeto para ressuscitar seus rios. Se a iniciativa vai dar em algo é outra coisa, mas fica pelo menos a esperança de que um dia Tietê e Pinheiros sejam atrações turísticas, e não esgotos.

Londres

Acredite se quiser: o Tâmisa já teve cara (e cheiro) de Tietê

Apesar disso, São Paulo é uma das cidades mais interessantes do Brasil. Se você nunca visitou, um conselho: faça isso. São Paulo tem ótimos restaurantes, museus incríveis, espírito cosmopolita e, acredite se quiser, até alguns lugares lindões. Tipo a Avenida Paulista ou o Parque do Ibirapuera, por exemplo. Também sou fã do Bairro Liberdade, reduto da comunidade japonesa que vive no Brasil. E dizer que São Paulo é feia por ser uma “selva de pedra”,  como fez U City Guides, é também um preconceito contra a classe de selvas desse tipo. Talvez o passeio mais legal da cidade seja justamente subir num dos arranha-céus para admirar a vastidão de concreto. Já vi o skyline de metrópoles nos cinco continentes. O de São Paulo passa mesmo longe de ser o mais bonito, mas acho que é o mais impressionante.

Mirante do Edificio Banespa

Um paralelo interessante para fazer com São Paulo é Berlim. Cerca de duas décadas depois da queda do infame muro, a capital da Alemanha ainda tem marcas da divisão do mundo entre capitalistas e comunistas. Durante uma campanha eleitoral, Klaus Wowereit, o prefeito, afirmou: “Berlim é pobre, mas é sexy” – frase que virou uma espécie de slogan da cidade. Algo parecido pode ser dito da capital paulista. São Paulo é feia, mas está sempre na moda. Isso ninguém pode negar.

P.S. o mesmo site que colocou São Paulo como uma das cidades mais feias do mundo já tinha feito um top 10 com as mais bonitas. O Rio de Janeiro ficou em quinto lugar, atrás de Veneza, Paris, Praga e Lisboa. Imagina como a cidade poderia ser ainda mais maravilhosa com uma gestão pública mais eficiente…

*Foto destacada: Rio Tietê, São Paulo (Foto: Ana Paula Hirama, Wikimédia Commons)

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Rafael

Siga minhas viagens também no perfil @rafael7camara no Instagram - Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014, voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura.

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