Tags:

6 formas de prejudicar uma experiência de viagem

No hostel em que morávamos em Buenos Aires, tinha uma figura engraçada. No café da manhã, ele comia o próprio cereal matinal, apesar do hostel oferecer medialunas com doce de leite e chá de yerba mate. Nunca saia a noite, que era para não acordar tarde na manhã seguinte e, mais estranho ainda, não foi explorar a cidade nem uma vez durante a sua estadia. Passava horas assistindo a filmes e séries americanas na TV. Ele era voluntário, como nós, e seu comportamento logo virou motivo de comentário entre os demais intercambistas: “O que diabos ele veio fazer aqui?”.

Uma viagem pode ser uma excelente oportunidade para abrir a cabeça, te obrigar a ter contato com coisas que você nem imaginava que existiam e expandir seus horizontes. Ou pode não ser nada disso. Tudo depende da forma como você se comporta e do quão aberto a experimentar o novo você está. Veja agora algumas formas de esvaziar uma ótima viagem.

Coma somente o que você já conhece

sanduiche-orlando-eua

Confesso que essa é uma das mais difíceis pra mim. Eu não tenho o paladar mais aventureiro do mundo. Mas eu tento. E estou melhorando. Este ano, a lista de coisas que eu não como diminuiu consideravelmente. No entanto, ainda tenho sérios problemas com pimentas e especiarias muito fortes, o que torna a comida em certas partes do mundo não muito agradável para mim.

E também tem as coisas com texturas estranhas, que para mim são as piores. Mas, apesar de tudo isso, eu tento pelo menos provar tantos pratos típicos quantos eu conseguir. Alguns eu não vou gostar, não tem jeito. Outros vão se tornar o meu porto-seguro na culinária local.

Ninguém vai te culpar se você sair correndo para a rede de fast food mais próxima de vez em quando. Mas tenha certeza de que você vai embora sabendo mais sobre a culinária daquela parte do mundo que quando você chegou.

Só converse com brasileiros

Ainda que seu inglês não seja lá essas coisas, isso não é desculpa para que você ignore todas as outras nacionalidades enquanto estiver viajando. Eu sei que ter alguém que fale a sua língua é muitas vezes um alívio, ainda mais em situações de perrengue. Não é preciso ser aquele tipo de gente que finge ser gringo quando escuta alguém falando português, mas conversar com pessoas de outros contextos é uma experiência enriquecedora em qualquer momento da vida. Em uma viagem, é uma experiência essencial.

Aja como se estivesse na sua casa

Kochi-Kerala-India- Experiência de Viagem

Você não chega na casa de uma pessoa que mal conhece e vai abrindo a geladeira e colocando o pé no sofá, certo? Então não tem nenhum motivo que justifique que você chegue no país dos outros e comece a se comportar como se estivesse no seu próprio. Você é nada mais que uma visita ali, tenha isso em mente. Por isso, antes de embarcar, leia um pouco sobre os valores e a cultura locais. Procure compreender a forma como as pessoas vivem ali e não faça nada que ofenda o código social vigente.

Eu sei que isso é mais difícil que parece, porque algumas coisas estão tão incrustadas na gente que pensamos que são normais para todo mundo. Uma coisa é cometer uma gafe sem querer porque você não está familiarizado com aquela cultura (se isso acontecer, peça desculpas). Outra bem diferente é ofender os costumes de propósito porque você não concorda com aquele modo de vida.

Leia também: E quando você não concorda com a cultura que visita?

Diga “não” mais que “sim”

Uma forma muito eficaz de perder experiências e oportunidades é dizendo mais “não” que “sim”. Convite para a festa do hostel? Não. Chance de sair do seu roteiro planejado para explorar a cidade com um local? Não.  Convite para jantar na casa de um nativo? Também não. É claro que a gente tem que respeitar nossos limites e dizer não pras coisas que não estamos a fim de fazer ou que não nos parecem uma boa ideia. Mas esteja aberto. Começar se perguntando o porquê da sua resistência pode ser uma boa forma de viver situações que você nunca imaginou.

Prenda-se a estereótipos e a histórias únicas

mulher-indiana-varanasi

A pior coisa que você pode fazer é chegar em um país já pronto para encontrar todos os estereótipos que você ouviu sobre ele. Se forem positivos, você corre o risco de se decepcionar amargamente. Não, os indianos não são, por natureza, seres mais elevados espiritualmente que nós e não praticam ioga e meditação como parte da sua rotina diária. E não, os alemães não são todos super educados e corretos.

Por outro lado, se os estereótipos forem negativos, você pode já se colocar na defensiva e ter maus momentos por isso. Parisienses e argentinos não são todos antipáticos, mas se você já chegar agindo como se eles fossem, eles provavelmente vão ser. E só com você.

Da mesma forma, não pegue um caso isolado e o use para falar mal de um povo inteiro. Não é só porque você foi destratado em um bar na Inglaterra que todos os ingleses são uns estúpidos. Nem porque você caiu em um golpe na Tailândia que só tem safado morando lá. Toda cultura é complexa e diversa, se a gente analisa de perto. E idiotas existem em qualquer lugar, lembre-se disso.

Se aborrecer demais com imprevistos

Shit happens! Perrengues de viagem acontecem a cada esquina. Pode ser que você perca o voo, tenha o passaporte roubado, fique sem dinheiro, se desentenda com a sua companhia, caia em um golpe, perca seus equipamentos… a lista de coisas erradas que podem aparecer é infinita. O importante é que, quando elas acontecerem, você lide com elas da melhor forma possível e depois, que passar, apenas esqueça! Caso contrário, você pode arruinar todo o resto da viagem por causa de um único problema. Ficar remoendo as coisas não vai mudar o que já deu errado.

Tenha um roteiro rígido ou apertado demais

 

Eu entendo que você queira ver tudo, mas tentar seguir um roteiro que não te dá tempo nem para respirar vai acabar fazendo você ver um monte de coisas pela metade e não aproveitar devidamente nenhuma delas. Viajar não é cortar um monte de itens de uma lista de atrações para ver. Agir dessa forma só vai tornar sua experiência estressante e nada divertida.

Da mesma forma, se você fica preso a um roteiro criado antes de chegar, vai sobrar pouco espaço para as coisas que você pode descobrir quando chegar lá.

Inscreva-se na nossa newsletter

Avalie este post

Compartilhe!







Eu quero

Clique e saiba como.

 




Natália Becattini

Sou jornalista, escritora e nômade. Viajo o mundo contando histórias e provando cervejas locais desde 2010. Além do 360meridianos, também falo de viagens na newsletter Migraciones, no Youtube e em inglês no Yes, Summer!. Vem trocar uma ideia comigo no Instagram. Você encontra tudo isso e mais um pouco no meu Site Oficial.

  • 360 nas redes
  • Facebook
  • YouTube
  • Instagram
  • Twitter

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

12 comentários sobre o texto “6 formas de prejudicar uma experiência de viagem

  1. Mas alguém chegou a conversar com esse cara estranho? Pq as vezes ele já tava mto tempo na estrada e encostou lá pra descansar e criar uma rotina. Uma coisa engraçada é que a gente se força a experimentar coisas novas qdo em viagem, mas no dia a dia, na nossa cidade, fazemos o oposto. Não conversamos com estranhos, não comemos coisas estranhas, não vamos a lugares estranhos. Eu acho que manter o espírito de viajante dentro da nossa casa torna a vida mais divertida.

    1. ahha O pior, é que sim! Conhecíamos ele. Ele tava no mesmo programa que a gente, era americano, ia ficar apenas 6 semanas ali antes de voltar para o seu país, e não aproveitou nada! MAs concordo com você que a gente tinha que viver mais o espírito viajante mesmo na nossa cidade. Tantas coisas que a gente deixa sempre pra depois pq estão ali pertinho!

  2. Sobre a parte dos argentinos “antipáticos” eu “quebrei a cara” quando fui pra lá. Não fui pensando em besteiras, estava com a mente aberta. Porém você houve certas coisas sobre o povo de lá e aquilo fica guardado num canto do seu cérebro.

    SÓ QUE FUI MUITO BEM RECEBIDO NO PAÍS HERMANO já logo de cara quando peguei um ônibus coletivo e não sabia que tinha que ter um cartão para usá-lo. Primeiro que o motorista sacou que eu era de fora e me deixou entrar, mas como não estavam afim de “viajar de graça” acabei pergunta pros passageiros sobre o bilhete. Na mesma hora uma senhora me deixou passar o bilhete dela e lhe dei o valor em dinheiro.
    Tive uma experiência parecida no Uruguai.

    Pra quem tá lendo este post fica a dica:
    VÁ DE BOA! NÃO ESQUENTE A CABEÇA…
    Se alguém falar besteira sobre o povo do lugar que vc vai, mentalize um F&#$-SE! bem falado na sua cabeça pro sujeito.
    Tudo o que tá escrito aí no post é pura verdade.

  3. Perfeito esse post! Certa vez eu ainda estava planejando a viagem e ia com uma amiga. Só que ela não queria sair de noite, não queria experimentar comidas novas, não queria falar com ninguém e já tinha perdido a paciência com ‘imprevistos’ da mente. Isso tudo antes mesmo de ir, vê se pode? Deixei ela e fui sozinha, foi perfeito. Adoro experimentar o novo nas viagens, isso vale muito.

  4. Ótimo, post Natália. Eu acho que viajar ajuda a gente MUITO a levar esses comportamentos super positivos pra vida. Pq se viajando agir assim j’;a nos faz curtir mais, se tornarmos isso um hábito na vida, então melhora demais. Pra mim viajar tornou muito, mas muito mais fácil e feliz a vida também enquanto estou em casa =)
    beijos,

2018. 360meridianos. Todos os direitos reservados. UX/UI design por Amí Comunicação & Design e desenvolvimento por Douglas Mofet.