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Viagens não são perfeitas

Não sei se você já chorou de cansaço, mas acho que essa é a melhor forma de explicar o que eu estava sentindo naquele momento. Eu já tinha percorrido diversas vezes todo terminal do JFK, aeroporto de Nova York, em busca de alguém da American Airlines que pudesse me dar alguma informação. Era tarde. Eu já nem conseguia me lembrar da última vez que tinha comido alguma coisa. Eu não tinha ideia de quando ou como iria chegar em casa.

Tudo começou com uma tempestade. Nosso voo, que saía de Miami em direção a Nova York, começou a dar voltas para tentar contornar a tormenta. Sem sucesso, recebeu autorização para pousar em algum lugar da Carolina do Norte e esperar o tempo se acalmar. A viagem de três horas se estendeu para cinco, seis, sete… Com o passar do tempo, ficou evidente que não conseguiríamos pegar a nossa conexão para o Brasil. “Acontece”, pensamos.

Nova York - Central Park

Quando finalmente pousamos em Nova York, exaustas e com fome, fui correndo ao balcão da companhia para remarcar nossas passagens. Achamos que seria uma boa ideia que, enquanto isso, uma das minhas tias que me acompanhavam na viagem, fosse tentar encontrar nossas malas. Mas tudo deu errado. O voo no qual fomos colocadas sairia dali a cinco minutos, do outro lado do aeroporto.

Eu acredito que, em qualquer circunstância, seria impossível chegar a tempo do embarque no portão, motivo pelo qual eu culpo a funcionária da American Airlines pelo estresse desnecessário causado pela nossa correria desenfreada com as bagagens de mão pelos corredores e escadas rolantes do aeroporto. Além disso, a tia que tinha ido conferir as malas não era encontrada em lugar nenhum. Eu tinha um relógio em contagem regressiva, uma esperança moribunda de ainda chegar em casa na manhã seguinte e uma tia que não falava uma palavra em inglês perdida em um aeroporto enorme.

Quando finalmente chegamos ao portão de embarque, o avião já deveria estar sobrevoando o Caribe. Não havia, por perto, nenhum funcionário da American Airlines para contar a história. Foi mais ou menos depois da segunda volta pelo aeroporto em busca de alguém que pudesse me ajudar que meus olhos começaram a arder.

Só fomos chegar ao hotel por volta das duas da manhã, ainda de barriga vazia e com as passagens remarcadas para a noite seguinte. Mas ninguém tinha ânimo para comemorar a estadia extra em Nova York (que, para piorar, saiu do nosso bolso). Minha outra tia, a que não se perdeu, não estaria presente para comemorar o aniversário do filho, motivo principal pelo qual a data de volta da viagem tinha sido marcada para aquele dia.

Vista Skyline Nova York

Histórias de viagem como essa, que envolvem estresse, frustrações, nervosismo e muitas vezes lágrimas, não são raras. No entanto, elas dificilmente são consideradas nos nossos planejamentos. Claro que a gente sempre conta que tudo vai dar certo. A gente passa meses – e até anos – sonhando com as férias perfeitas, mas, como em tudo na vida, a realidade não toma conhecimento das nossas expectativas. É claro que o episódio do aeroporto não apaga todos os outros momentos em que nos divertimos ou fizemos algo interessante na viagem. Nem mesmo enfraquece seu brilho.

Eu passo cerca de oito meses do ano na estrada. Por mais que isso possa parecer legal, minha vida está longe de ser perfeita. Os meus problemas continuam a me tirar o sono, mesmo estando a milhares de quilômetros do Brasil. Eu passo dias trancada no quarto do hotel sem poder passear, tentando lidar com prazos e uma conexão de internet muito longe do ideal. Eu tenho saudades de casa, problemas burocráticos difíceis de resolver. Em alguns momentos, o estresse de uma convivência tão próxima com meus companheiros de viagem se torna pesado. Em outros, é a falta de convivência com meus amigos que estão longe que aperta. Tenho altos e baixos e alguns perrengues não tão simples de resolver quanto um voo perdido em um país como os Estados Unidos.

rio-tamisa-londres

Se compensa? Bom, para mim sim. Tanto que esse é o estilo de vida que eu escolhi ter e sou feliz assim. Mas este post foi só para te lembrar que a realidade é muito diferente daquele feed do Instagram.

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Natália Becattini

Jornalista, escritora e mochileira. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Já chamei muito lugar de casa, mas é pra BH que eu sempre volto. Além do 360, mantenho uma newsletter inconstante, a Vírgulas Rebeldes, na qual publico crônicas e contos . Siga também no instagram @natybecattini e no twitter.

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10 comentários sobre o texto “Viagens não são perfeitas

  1. Adoro seus textos e seu estilo de escrever, Natália! A maioria dos textos que me interesso e venho aqui ler na íntegra, quando vejo, são seus… rs… Inclusive estou com seu outro blog, o Oxford, aqui na minha lista pra dar uma lida com mais tempo (já andei dando uma olhadela por lá). Aliás, o 360 tem sido uma grande influência e meta de qualidade no blog que estou montando com minha esposa.
    Sobre perrengues em viagens, te digo que mal consigo lembrar de alguma sem pelo menos um… rs… Dos mais intensos aos mais amenos, muitas vezes são dessas situações inusitadas, quando lembradas, que surgem as melhores risadas. Mesmo que na hora a vontade seja de chorar mesmo, com o coração saindo pela boca nas correrias e mal entendidos da vida… Parabéns pelo texto e pelo trabalho! Um abraço!

    1. Olá Alexander, fico muito feliz com o seu comentário! hehe eu tô precisando voltar a atualizar o Comma, mas tá difícil com mestrado e o 360. Mas passa por lá sim 🙂
      Viagem sem perrengue não é viagem, é o que eu digo. E depois, a sensação ruim se apaga e fica apenas a aventura e as boas recordações.

      Abraços

  2. Perrengues são parte natural das viagens, infelizmente. O importante é seguir em frente e sempre aproveitar ao máximo. Esse tipo, relacionado a vôos e companhias aéreas, é fichinha. Eu já tive uma apendicite no segundo dia de viagem a Nova Iorque e fui operada por lá. Depois aproveitei da melhor forma que pude meus 12 dias. Recentemente arrombaram meu carro alugado e roubaram todas minhas malas em Portugal. Eu só comprei o necessário e continuei uma jornada incrível. Não dá pra ficar chorando, né? Se for pra chorar o leite derramado, que seja leite condensado! Adorei o site! Abraços!

  3. até que tive sorte. estava tentando lembrar de perrengues e não veio nenhum na cabeça. dai me esforcei um pouco e vieram alguns:

    – a empresa de balão esqueceu de me buscar no hostel na Capadocia (e eu tendo que acordar o dono pra resolver as 4 da manhã) – no final ele me levou de motinha até o local (super experiência);
    – quando me perdi de madrugada em Paris e não sabia como voltar;
    – em Praga: um tcheco me perseguiu na rua querendo briga e outra vez que fui parar num bar bem da galera local e eles ficavam me olhando e se batendo (juro que achei que fosse morrer em Praga hehhe);
    – em Hvar conheci uns brasileiros e fomos fazer uma trilha até a vila seguinte. chegamos no fim do dia. quando fomos ver não tinha transporte de volta e o táxi era bem caro. acabamos voltando pela estrada no escuro contando apenas com a lanterna do celular para avisarmos que estavamos ali. só quase chegando uma croata enfiou nós cinco no carro dela.

    acho que não lembrei disso de cara, pois considero mais como experiências que perrengues. 🙂

  4. O tema “viagens” me atrai e interessa bastante e, de todos os blogs/sites/páginas que acompanho, o 360 meridianos atualmente é o que eu mais gosto, justamente por esse tom leve e realista com que trata do assunto. Parabéns por mais um excelente post!

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