fbpx

Por que manter um diário de viagem?

Outro dia, arrumando meu armário, encontrei meu diário de viagem da volta ao mundo. Era um caderno verde, feito com folhas recicladas e capa de tecido, que eu comprei em uma lojinha em McLeod Ganj só para ajudar os monges tibetanos. Quando eu acabei de preencher as últimas folhas do bloco estilo moleskine que eu tinha levado do Brasil, ele se tornou meu companheiro pelo resto do caminho.

Eu passei as páginas até o final, lendo de relance algumas frases aqui e ali. De repente, um pedaço de papel se soltou dele e caiu no chão. Era uma nota de 5 rúpias nepalesas, o equivalente a nada, que eu nem me lembrava que tinha guardado ali. Nesse momento, um novo arrependimento surgiu: o de não ter conseguido levar a cabo a missão de escrever até o final da viagem.

Travel Journal

Mais ou menos na altura em que eu estava na Nova Zelândia, os relatos pararam. A loucura de mudar de cidade a cada poucos dias e o cansaço causado pelo movimento incessante acabaram me tirando a vontade de escrever e eu abandonei o caderno no fundo da mala até chegar ao Brasil.

Foi um erro. Ao ler as minhas palavras outra vez, tive uma nova dimensão de como essa viagem e tudo o que eu vivi desde então me transformou. Pude comparar a forma como eu via as coisas na época e como eu vejo hoje. Com certeza muita coisa mudou. Quase três anos depois, eu já tive tempo mais que suficiente para digerir tudo, mas também muita coisa se perdeu. As primeiras impressões, o choque ao ter meus princípios confrontados com outras culturas, a confusão da estrada, sensações que evaporam com o tempo e que, de alguma forma, eu consegui preservar naquelas páginas.

Travel caderno de viagem

É claro, as fotos ajudam. E eu tenho várias, cerca de 30 mil. Mas, embora elas sejam ótimas para me lembrar de lugares, falham na hora de reconstruir diálogos, o nome das pessoas que eu conheci e todo o pano de fundo para aquelas imagens. Eu me sinto reconfortada por saber que não dependo da minha memória para saber o nome daquele pequeno restaurante no terraço no meio do Himalaia.

Mais do que isso, meu diário funcionou como uma terapia, um espaço secreto que eu criei no meio de uma viagem com amigos, em que eu raramente ficava sozinha. Era ali o lugar onde eu podia colocar meus pensamentos em ordem e tentar lidar com os meus momentos de frustração, de encantamento, de coragem, de auto-conhecimento, estresse, medo, tédio e vulnerabilidade.

Meus diários de viagem

No momento em que eu empunhava a caneta, eu me obrigava a focar no que eu sentia, em dar atenção para as coisas que me impressionaram, em descobrir o que tudo aquilo significava para mim. Era quando eu parava o mundo um pouquinho para que eu pudesse pensar. Um diário de viagem é um souvenir personalizado, que não vai te lembrar apenas dos lugares em que você esteve, mas de quem você era enquanto estava lá.

Mochila e diário de viagem

Clube Grandes Viajantes

Assine uma newsletter exclusiva e que te leva numa viagem pelo mundo.
É a Grandes Viajantes! Você receberá na sua caixa de email uma série de textos únicos sobre turismo, enviados todo mês.
São reportagens aprofundadas, contos, crônicas e outros textos sobre lugares incríveis. Aquele tipo de conteúdo que você só encontra no 360 – e que agora estará disponível apenas para nossos assinantes.
Quer viajar com a gente? Então entre pro clube!

Avalie este post

Compartilhe!







Banner para newsletter gratuita

Receba grátis nosso kit de Planejamento de Viagem

Eu quero!

 

 




Natália Becattini

Jornalista, escritora e mochileira. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Já chamei muito lugar de casa, mas é pra BH que eu sempre volto. Além do 360, mantenho uma newsletter inconstante, a Vírgulas Rebeldes, na qual publico crônicas e contos . Siga também no instagram @natybecattini e no twitter.

  • 360 nas redes
  • Facebook
  • YouTube
  • Instagram
  • Twitter

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

28 comentários sobre o texto “Por que manter um diário de viagem?

  1. Olá Natália,
    Adorei seu texto! Já fiz vários mochilões para fora do país… sua dica foi fantástica, escrevo mas não texto e sim, gastos, compras etc… mas de agora em diante irei fazer um diário sim sobre as viagens. História é o que não faltará pra contar, ainda mais sozinha pelo fundo a fora. Abraços.

  2. Acho ótimo ter algo físico para registrar os momentos, as aventuras, os momentos que deram certo e até os imprevistos.
    Apesar de hoje em dia ter vários aplicativos para registrar a viagem o caderninho tornar as recordações algo que se pode tocar e faz de fato você voltar aquela viagem.

  3. Nunca tinha pensado na importância de ter um diário de viagem. Apesar de eu nunca ter feito um mochilão (espero não tá velha demais quando conseguir fazer isso) eu amo viajar, e escrevo no meu blog sobre os lugares. Mas acho que experiências escritas para nós mesmas é diferente.
    Gostei da ideia! Tetarei implementá-la as minhas viagens!

Carregar mais comentários
2018. 360meridianos. Todos os direitos reservados. UX/UI design por Amí Comunicação & Design e desenvolvimento por Douglas Mofet.