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Viajantes maiores de 60: A liberdade de cair na estrada não tem idade

“A gente costuma dizer que a viagem que mais gostamos é a que a ainda vamos fazer”, contam Martha Kirchner e Arno Alfredo Hardt. Eles são os autores de um projeto que vem lá do sul do Brasil, o Viajantes maiores de 60.

Todo mundo sabe que a sociedade está ficando mais velha, mas pouco se discute que, assim como pessoas mais jovens, a “melhor idade” também precisa de oportunidades de sair pelo mundo. A vida de quem passou dos 60 não precisa ser somente sobre netos, TV, remédios e INSS. Cair na estrada deveria ser prescrição médica para qualquer idade.

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Viajantes maiores de 60, o projeto

De acordo com a ONU, a expectativa de vida do brasileiro é de 82 anos. E o Ministério do Turismo mostra que quase 18 milhões de viagens feitas por ano no Brasil são de quem já completou seis décadas de vida. Juntos há seis anos, com filhos crescidos e netos chegando, Arno e Martha dão cara a essa estatística e querem estimular mais pessoas a viver como eles.

Essa história começou quando eles ainda estavam namorando. Martha tinha uma vontade de conhecer Colônia, no Uruguai. Para agradar a amada, Arno prometeu que a levaria pra lá. Dito e feito. E foi nessa primeira viagem, de carro, que eles resolveram começar o projeto e documentar as aventuras. Logo depois, viajaram para a Índia e foram se envolvendo e se apaixonando cada vez mais.

A ideia deu tão certo que eles compraram um carro novo e começaram um plano mais ambicioso: viajar pela América do Sul, de Ushuaia a Cartagena. Sim, dirigindo. Foram nove meses na estrada, 50 mil quilômetros rodados. Dormiram sob a luz das estrelas e acordaram de frente para o mar. Uma sensação de liberdade maravilhosa.

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Eles acharam que iam ter muitos perrengues e dificuldades, mas, afinal, a maturidade ajudou bastante. Por exemplo, por conta da idade, eles foram tratados de forma diferente, mais respeitosa, quando parados em uma barreira policial.

Mas é claro que, como com todo viajante que se preze, nem tudo são flores. Num dia de chuva na Carretera Austral, rodovia no Chile, o pneu do carro furou – e eles nunca tinham trocado um pneu do carro novo. Tiveram que parar, ler o manual do veículo e fazer a substituição na marra. O resultado? Arno pegou um resfriado tão forte que eles tiveram que refazer um pedaço da viagem. Em outra ocasião, o retrovisor do carro foi roubado.

“A parte mais gostosa de cair na estrada é você ver a troca de paisagem a todo momento. É você parar pra dormir na beira da praia, numa troca de lua, sem ninguém por perto, só você. Dormíamos quando escurecia e acordávamos com o sol nascendo, em muitos lugares especiais. Essa é, com certeza, a parte mais gostosa”, garantem.

Para eles, com a chegada dos 60 não teve isso “do que piorou”, tem é coisa que vai ficando “mais usada”. Nem tudo é como quando eles tinham 20 anos, é verdade. Para o Arno, “o pique da cabeça agora aos 60 é melhor do que o dos 20. Mas, algumas vezes, o pique mental não tem a resposta da parte física. Nada que nos impeça de seguir sempre em frente”.

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A barreira da língua

“A gente não fala inglês. Na verdade, fala bem pouco, mas a gente se vira. Esse é o nosso maior perrengue, mas não temos medo algum”, garantem. Viajar para fora do Brasil sem dominar uma segunda língua é um fator que pode gerar desânimo para algumas pessoas, especialmente para os mais velhos. Mas eles afirmam que, mesmo não dominando o inglês, se viram muito bem durante as viagens. Seja com mímica, tradutor ou muito esforço, todo mundo se comunica. A dica deles é tentar cair na estrada em grupo, uma viagem mais tranquila, com alguma excursão. Não faz diferença como, o importante é ir. Eles dizem que são meio “maluquinhos”, mas que nunca fazem uma viagem sem segurança.

Além de já terem visto boa parte da América do Sul, em seis anos eles também passaram pelo Vietnã, Camboja, Laos, Tailândia, Malásia, Sri Lanka, Mianmar, Nepal, Filipinas e muitos outros países – foram 27! E, se continuar nesse ritmo, já já eles passam dos 60 também nessa conta, né?

Para eles, não há nenhuma razão para deixar de viajar. “Vários destinos estão preparados para os idosos, inclusive gente com muito mais idade do que nós e com limitações maiores. E dar de cara com esse pessoal na estrada nos deixa extremamente felizes, pois são pessoas que se negam a ficar em casa, na frente da televisão. Eu me nego a isso”, diz Arno, com um tom na voz que faz a gente dar um sorriso de alegria. “Os nossos lugares preferidos são os que a gente voltaria, com uma experiência diferente, como a Índia”, completa.

E hoje eles servem de inspiração não somente para os mais velhos – mesmo quem tem a metade da idade deles vem buscando as dicas dos dois sobre destinos e experiências, sobre o roteiro de carro pela América do Sul. Eles adoram quando os leitores pedem dicas. Por isso, eles adesivaram a traseira do carro com as informações das redes sociais e contatos do Viajantes Maiores de 60. Mesmo quando só estão passeando pela cidade, eles recebem fotos do veículo e mensagens de gente que reconheceu a dupla, o que os deixa orgulhosos.

Quando perguntados qual dica eles dariam pra quem está lendo este texto e se sentiu inspirado, a resposta vem na ponta da língua: “VIAJE. Vá com medo. E se der medo, vai com medo mesmo.”

A Vozes

A Vozes é uma newsletter especial, enviada quinzenalmente, onde nós contamos histórias de pessoas e projetos extraordinários, que usam o universo das viagens para transformar o mundo. Vez por outra o conteúdo é publicado aqui no blog também, mas se quiser sempre receber os textos, e em primeira mão, assine a nossa newsletter. É de graça e você ainda ganha de presente um ebook recheado de dicas para planejar sua primeira viagem ao exterior.

Se quiser acompanhar o que nós já fizemos:

#2- Black Bird: por um mundo com mais viajantes e destinos negros
#3- Antropologia Visual: olhar para o diferente e enxergar o semelhante
#4- Oficina Shanti: Os tecidos que mudaram uma vida
#5- Guia do cadeirante viajante: as duas rodas que rodam o mundo
#6- Plan International Brasil- Um basta ao turismo sexual
#7- Favelados pelo mundo: Descendo o morro pra descobrir o planeta


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Fernanda Pádua

Tenho BH como meu ponto de partida e o meu porto seguro. Entrei pela primeira vez em um estádio de futebol aos 10 anos e ali descobri que queria ser jornalista. 20 anos depois, me tornei repórter esportiva e viajante nas horas vagas. Fiz intercâmbio na Irlanda em 2016/2017, pra estudar inglês. Tenho um objetivo de visitar todos os estados brasileiros e metade dos países do mundo e já percorri boa parte do trajeto, mas várias histórias e paisagens legais ainda estão por vir.

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