O Lago di Como é o terceiro maior lago da Itália, somando 146 km2, e fica a 1 hora de Milão, do lado da fronteira com a Suíça. A principal cidade no entorno do lago é Como, que tem 90 mil habitantes e as principais conexões de trens e ferries.
Nesse texto, contamos para você o que fazer em Como, na Itália, possível de se encaixar num bate-volta de Milão ou num passeio de um dia antes de explorar as vilas do Lago di Como.
Se você vai ficar mais tempo ao redor do lago, não deixe de ler nosso roteiro Roteiro no Lago di Como: o que fazer em 3 a 5 dias.
Um pouco da história da Cidade de Como
Como, a cidade que cresceu às margens do lago de mesmo nome, tem cerca de 90 mil moradores e jeitão de cidade pequena. Se os habitantes são poucos, os anos são muitos – a cidade está ali, de frente pra água, desde antes de Roma ser um Império.
Inclusive, foi o personagem mais importante da Roma Republicana que estabeleceu o local atual de Como. Júlio César ordenou a mudança da cidade, que ficava nas montanhas próximas, para a beira do Lago di Como. Sei lá o motivo dele, mas pelo menos na paisagem o cara acertou.

Igual qualquer cidade com dois mil anos de vida, Como tem igrejas, casarões e prédios históricos para ninguém reclamar.
Uma das praças da cidade, a Piazza Cavour, tem uma fonte relativamente famosa. Ou melhor, tinha, já que no começo do século 20 a fonte foi vendida para o empresário William Rockefeller, da família que batizou o Rockefeller Center, em Nova York. Ou seja, gente pobre. O cara levou a fonte para os Estados Unidos, que atualmente é uma atração legítima de Como no Zoológico do Bronx, muito embora atenda pelo nome de seu pai adotivo: agora ela se chama Fonte Rockefeller.
Ou seja, você não vai ver a Fonte Rockefeller em Como, mas felizmente há outras atrações que os norte-americanos não compraram.
O Que Fazer em Como em 1 dia
O passeio pelo centro da cidade é uma das atividades preferidas dos turistas. No centro de Como você pode visitar a Catedral, dar uma volta pela beira do lago e subir de funicular até Brunate: e isso já dá conta de um dia inteiro bem aproveitado. A cidade é pequena, dá para fazer tudo a pé, e por isso vale chegar cedo: quanto mais tarde você chegar, mais vai concorrer com as filas do funicular no meio do dia.
Catedral de Como (Duomo)
A Catedral de Como – oficialmente Catedral de Santa Maria Assunta ou Duomo di Como – é o grande cartão-postal arquitetônico da cidade. É considerada uma das catedrais góticas mais bonitas do norte da Itália, e construção levou séculos: começou no final do século XIV e só foi concluída no século XVIII, o que explica a mistura de estilos que você vê na fachada: gótico, renascentista e barroco lado a lado, como camadas de uma história muito longa.

O interior guarda tapeçarias flamengas e pinturas atribuídas a nomes importantes da Lombardia renascentista. Dois dos evangelistas esculpidos na fachada são frequentemente apontados como representações de Plínio, o Velho e Plínio, o Jovem: dois escritores romanos famosos que, segundo a tradição, nasceram exatamente nessa região do lago.

A catedral de Como abre de segunda a domingo, das 10h às 13h e das 14h às 17h. A entrada é gratuita, mas respeite as regras de traje — ombros e joelhos cobertos são exigidos.
Do lado de fora, a fachada dá para a Piazza del Duomo, que é o coração histórico da cidade e boa opção para sentar num café e observar o movimento local.
Ruelas, praças e onde comer e beber
O centro histórico de Como é pequeno e dá para explorar a pé sem muita cerimônia. Vale caminhar pela Via Olginati, pela Via Lambertenghi e pela Via Armando Diaz, que conecta o centro ao lago — ruas tranquilas, com comércio local e fachadas antigas que valem o passeio.

A Piazza San Fedele é uma das mais bonitas da cidade, com uma basílica românica do século XII no meio e mesinhas de bar nas bordas. Boa pedida para sentar um pouco antes de seguir para o funicular.
Na Piazza Alessandro Volta é dedicada ao físico que nasceu em Como e deu nome à unidade de tensão elétrica – os bares com mesinhas na calçada são o lugar certo para tomar um vinho no fim do dia antes de pegar o trem de volta para Milão.
Para almoçar, vale muito a Osteria del Gallo, na Via Vitani. É uma osteria de família aberta desde 1987, sem cardápio fixo – a dona chega na mesa e fala o que tem no dia, em italiano, francês, alemão ou inglês dependendo de quem estiver sentado. Ravioli feito na hora, polenta com funghi, carne com batatas. O lugar é pequeno e lota, então tente reservar com antecedência.

Piazza Cavour e o calçadão à beira do lago
Da Catedral até o lago são menos de cinco minutos a pé. A Piazza Cavour fica exatamente na beira d’água e é um bom lugar para parar, tomar um café e olhar para o lago antes de continuar. O calçadão à beira do lago, o Lungo Lario Trieste, é lindo, tranquilo, com vista direta para a água e para as montanhas ao redor.
De lá você vai encontrar esse visual aqui, ó:

Passeio de Barco
Se você curtiu a paisagem do calçadão, a tentação de embarcar é natural.
Se você está com o tempo contado, tem opções de passeios de barco curtos, como esse mini cruzeiro pelo lago para ver as vilas e paisagens a partir da água,passando pelas principais vilas da região, incluindo a Vila D’Este, dura 1 hora.
Mas saiba que o cais fica pertinho da estação de trem Como Nord Lago, e de lá saem os ferries da Navigazione Laghi para as outras vilas do lago, como Bellagio, Varenna, Tremezzo e outras.

Uma dica importante: existe o serviço rápido e o lento. O rápido chega a Bellagio em uns 40 minutos; o lento pode levar mais de duas horas. Na alta temporada, a fila para o rápido pode ser grande, então vale ir direto ao cais assim que chegar em Como e comprar o ingresso antes de qualquer outra coisa.
Os horários e tarifas ficam no site da Navigazione Laghi.
Se a ideia de ficar juntando trem + ferry + fila sozinho parece trabalhosa, tem a opção de fazer um tour organizado saindo de Milão, que já inclui ônibus, barco e guia. Não é o jeito mais barato (custam a partir de €50), mas é bem mais tranquilo: Veja tours de 1 dia ao Lago di Como saindo de Milão
Villa Olmo
Seguindo em direção ao norte pelo calçadão, você chega à Villa Olmo: uma mansão neoclássica do século XVIII com jardim aberto ao público.

A entrada no jardim é gratuita; o interior abre em períodos de exposição temporária. Mesmo quem não entra na villa vale a pena parar no jardim, que é bem charmoso.

Tenha em mente que, dada as distâncias você precisará optar entre visitar a Villa ou seguir para a próxima atração – o funicular – a não ser que fique em Como mais de um dia.
Funicular para Brunate
Nós seguimos para o funicular de Como, que liga a cidade a uma vila chamada Brunate, com menos de dois mil habitantes. Essa vila fica numa das montanhas ao redor de Como e tem vista para toda a cidade, que está só 500 metros abaixo. Ou, dependendo do ponto de vista, 500 metros morro acima. Pois é, ainda bem que tem funicular, usado por turistas e moradores.
O funicular foi construído em 1894 e lembra um pouco os de Valparaíso, no Chile. Já a paisagem lá de cima é diferente – Lago, casinhas, Catedral, tudo fica mais legal visto do alto. De vez em quando dá até para ver a neve dos Alpes Suíços, que ficam pertinho.
Além da vista, Brunate tem igrejas, restaurantes e casarões e também já serviu de casa para gente famosa, tipo o Alessandro Volt. Alessandro quem? Embora o nome dele possa ser desconhecido para a galera não-nerd, o sobrenome não é: o volt, unidade de tensão elétrica, foi batizado em homenagem a esse físico italiano, que inventou a pilha, viveu em Brunate e nasceu em Como.

Uma vez lá, você pode se sentar em algum restaurante para aproveitar a vista. Ou pode encarar o estilo aventureiro e iniciar uma trilha pelas montanhas. É claro que nós optamos pelo sedentarismo, por isso ficamos só relaxando.
O funicular sai da Piazza Alcide De Gasperi, pertinho do lago, e funciona todo dia. A subida dura uns 7 minutos e sai a cada 15 minutos aproximadamente. O bilhete ida e volta custa em torno de €7,20 — confirme o preço na bilheteria no dia.
Em alta temporada, especialmente julho e agosto e nos fins de semana, a fila pode facilmente passar de uma hora. Chegue antes das 10h se quiser evitar o pico.

Quando descemos de funicular já era hora de pegar o trem para voltar a Milão.
Chegar no Lago di Como a partir de Milão
O jeito mais prático é o trem da Trenord saindo da Estação Cadorna, bem no centro de Milão e perto de alguns dos pontos turísticos mais importantes. O bilhete custa cerca de €4,80 por trecho e em pouco mais de uma hora você está em Como. Desça na última estação da linha, a Como Nord Lago, e você já está de frente para o lago e pertinho do centro. É só caminhar.
Os trens saem com frequência de 30 em 30 minutos ao longo do dia, não precisam de reserva antecipada, e o bilhete vale por 3 horas a partir do horário marcado — então se você perder um trem, pode pegar o próximo.
Tem também a opção de sair da Estação Central de Milão pela Trenitalia, com destino a Como San Giovanni — mas a estação fica um pouco mais longe do lago, e você vai precisar caminhar uns 15 minutos até o centro.
Use a Omio para comparar horários e comprar as passagens antecipadamente.
Onde ficar perto do Lago di Como
Como é uma cidade agradável para quem quer usar o lago como base por alguns dias. O centro histórico concentra as melhores opções, com restaurantes, bares e acesso fácil ao cais dos ferries.
Se for pernoitar, confira também nosso guia completo: Onde ficar no Lago di Como.
| Hotel | Preço | Destaque |
|---|---|---|
| Ostello Bello Lake Como | € | Nota 8.6 · Hostel animado à beira do lago, com bar e terraço com vista |
| Posta Design Hotel – 3 Estrelas | €€€ | Nota 8.2 · Localização central, a 5 min da catedral e do cais |
| Il Loggiato Dei Serviti – 3 estrelas | €€ | Nota 7.8 • Hotel bom e barato, pertinho de como San Giovani |
Veja aqui uma lista com opções de hospedagem.
No meu roteiro pelo Lago, cheguei em Milão à noite e segui direto para Como, onde passei a primeira noite, hospedada no hotel econômico Il Loggiato Dei Serviti – 3 estrelas, nota 7.8 – €€ . No final do dia seguinte, seguimos para Menaggio e lá passamos as 3 noites seguintes em Menaggio, num apartamento simples, confortável e com ótimo custo/benefício, o Valentina Apartment – flat, nota 8.3 – €€ .

O Lago di Como e os outros lagos da Lombardia
A cidade de Como é a porta de entrada mais fácil do lago, mas está longe de ser o único motivo para visitar a região. Se você tiver mais tempo ou quiser explorar além da cidade, confira nosso guia completo com roteiro, ferries e as principais vilas: Roteiro no Lago di Como: o que fazer.

A região da Lombardia e Veneto conta com quatro lagos. O Lago di Garga é o maior da Itália, com direito até a ilhas. O segundo em tamanho é o Maggiore, o que é engraçado, afinal em bom português o nome dele é Lago Maior. O menorzinho é o Lago de Iseo, enquanto o Lago di Como é o terceiro maior do país, mas um dos preferidos quando o assunto é celebridade – gente como Madonna e George Clooney têm casa por ali (conheci uma blogueira de lá que já tinha se encontrado com o Clooney no supermercado. Ou pelo menos com o sósia dele).
Vai viajar? O Seguro de Viagem é obrigatório em dezenas de países da Europa e pode ser exigido na hora da imigração. Além disso, é importante em qualquer viagem. Veja como conseguir o seguro com o melhor custo/benefício e garanta promoções.
A Itália será o meu próximo roteiro que estou programando para abril de 2017. Estas informações vão me ajudar muito!