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Atlas: Alexandria, Egito

Alexandria, Egito: a história da Biblioteca e da cidade de Alexandre, o Grande

Alexandre Magno foi o último grande Faraó do Egito. O líder macedônio conquistou o país da dominação persa e foi coroado faraó, de 332 a 323 a.C. A cidade de Alexandria foi escolhida por ele, pessoalmente, para ser a capital egípcia do seu império. Antes, ali era apenas uma vila de pescadores. Alexandre também mandou construir outras dezessete Alexandrias no mundo antigo, mas foi a egípcia a única que tornou-se realmente famosa e um importante centro cultural, arquitetônico, econômico e político no mundo antigo. Infelizmente, Alexandre, o Grande, nunca chegou a ver nada disso. É que ele morreu em Babilônia, com pouco mais de 30 anos, antes que seu projeto de cidade fosse concretizado.

A Alexandria que conhecemos hoje, uma cidade do mar mediterrâneo, famosa entre os egípcios por suas belas praias, guarda pouco do seu passado glorioso, que foi destruído por incêndios, terremotos, tsunamis e povos que conquistaram a cidade ao longo dos séculos. Mas busca reconstruir e relembrar parte de sua história. Em 2002, por exemplo, foi inaugurada a versão moderna da Biblioteca de Alexandria, um projeto para celebrar um dos maiores espaços do conhecimento que a humanidade já produziu.

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O único papiro que sobreviveu da antiga Biblioteca de Alexandria

Quem fundou não só a Biblioteca de Alexandria, mas também o Farol de Alexandria, uma das maravilhas do mundo antigo, foi Ptolomeu, um dos generais de Alexandre e que assumiu o controle do Egito e criou a dinastia Ptolomaica. Todos os reis dessa dinastia chamavam-se Ptolomeu e todas as rainhas eram Cleópatra. A Cleópatra famosa da história é, para os egípcios, Cleópatra VII.

Tentando seguir a tradição dos faraós anteriores, a dinastia Ptolomaica casava irmãos com irmãs. Eles também precisavam convergir as culturas helênica e egípcia e, para isso, criaram uma nova divindade toda trabalhada no sincretismo: Serápis, uma espécie de união do deus egípcio Osíris e do grego Dionísio. Sua figura era humana, porque os gregos não gostavam de cultuar animais, e sua imagem era bem próxima daquela que atualmente temos do Deus católico: um homem mais velho, barbado, carregando uma cruz.

alexandria egito biblioteca ptolomeu II

Estátua de Ptolomeu II em frente à entrada da Biblioteca.
O rei foi um dos responsáveis por adquirir boa parte da coleção da biblioteca antiga

Tudo ia mais ou menos bem para os egípcios/gregos, até que os romanos chegaram. Isso foi já na altura da Cleópatra famosa, que assumiu o poder aos 18 anos, ao lado do irmão mais novo. O resto é história: Pompeu, um dos generais romanos, fugiu para o Egito, depois de perder uma guerra para Júlio César. Ele foi assassinado em Alexandria (uns dizem que a mando do próprio César) e uma batalha pela cidade, em 48 a.C. marcou a primeira vez que a Biblioteca de Alexandria pegou fogo.

Depois das idas e vindas de César, Cleópatra e Marco Aurélio, o Egito torna-se oficialmente uma província romana em 30 a.C, quanto Otaviano, sobrinho de César e futuro Imperador Augusto, conseguiu tomar o poder. Assim, em Alexandria, há ruínas dessa mistura entre tradições egípcias, gregas e romanas em templos, múmias, tumbas e símbolos.

As ruínas históricas em Alexandria, Egito

Hoje, quem visita a Alexandria moderna precisaria olhar embaixo d’água para ver a maioria dos antigos tesouros. A biblioteca antiga estava ali, bem perto de onde está a moderna. Embaixo d’água, num trecho de cinco quilômetros entre a antiga biblioteca e o local onde ficava o Farol de Alexandria, mergulhadores descobriram muitos artefatos arqueológicos. Havia um projeto para criar um museu, com túneis de vidro abaixo do nível do mar que permitissem ver a Alexandria original. Infelizmente, o projeto está pausado.

alexandria egito biblioteca ptolomeu II

No lugar do Farol de Alexandria fica hoje a fortaleza de Qaitbay. Essa fortaleza foi construída em 1480, por um sultão otomano, e destruiu o que restava dessa maravilha do mundo. Já a Biblioteca Antiga pegou fogo novamente, num incêndio provocado pelos muçulmanos, no século 7 d.C.

alexandria egito coluna de pompeu

As ruínas da chamada Coluna de Pompeu e parte da acrópole sobreviveram de pé e ainda podem ser visitadas. A tal coluna é um monólito trazido das pedreiras de Aswan – tal como eu contei nesse post, que eles usavam para fazer os obeliscos enormes que os romanos levaram do Egito para o seu império na Europa. O nome de Pompeu foi dado à coluna pelos cruzados, séculos mais tarde, dizendo que a cabeça do general romano ficava no topo dela. Isso seria impossível, porque Pompeu, César e Cleópatra morreram trezentos anos antes. Na verdade, a coluna foi um presente da cidade de Alexandria ao imperador Diocleciano.

Também é nesse local que ficava o Templo de Serápis. O templo servia não só como local de culto do novo deus, como também um espaço para o armazenamento de obras da Biblioteca de Alexandria. Infelizmente, bem no início da era cristã, por volta de 390 d.C, um papa da igreja ortodoxa mandou destruir o templo e todo o seu conteúdo. O único papiro sobrevivente está num museu dentro da biblioteca moderna.

alexandria egito ruinas romanas

A verdade, nossa guia explicou, é que Alexandria é uma cidade em camadas. A cidade original foi, no fim das contas, destruída no ano 8 d.C., com um terremoto e um tsunami. Quando ocorriam esses sismos, a população reconstruía a cidade com as pedras dos prédios anteriores. É possível, por exemplo, visitar as escavações de um anfiteatro, escola e banhos romanos construídos nos séculos 3 e 5 a.C e que ficaram anos soterrados. Essas construções dão uma boa dimensão da vida romana na cidade e também dessa explicação das camadas de história em Alexandria.

alexandria egito anfiteatro romano

A Biblioteca de Alexandria moderna

O governo egípcio tem planos de reconstruir a Biblioteca de Alexandria desde os anos de 1970. Em 1988, promoveram uma competição internacional de arquitetura e um projeto de um arquiteto norueguês venceu. Em 2002, a nova biblioteca foi inaugurada.

alexandria egito biblioteca moderna

alexandria egito biblioteca de alexandria reconstruida

O edifício enorme foi construído com a inspiração do sol nascente e a fachada é coberta com 120 inscrições de alfabetos. Há espaço para 8 milhões de livros e a principal sala de leitura tem 11 andares. Dentro do complexo, também ficam quatro museus, um planetário, um centro de conferências, além de laboratórios, exibições temporárias e permanentes e salas multimídia.

É possível visitar a biblioteca por conta própria ou ainda fazer uma visita guiada. Dê uma olhada no site oficial para conferir os horários.

Como visitar e onde ficar em Alexandria

A cidade de Alexandria é a segunda maior do Egito e um famoso balneário para os egípcios aproveitarem o sol e o mar mediterrâneos. O clima ali passa longe do de deserto – e faz até um friozinho no inverno.

Um bom jeito de chegar a Alexandria é de avião, principalmente se você for sair de mais longe, como Aswan. O aeroporto da cidade recebe voos da excelente Egypt Air (que voa com jatos da Embraer) e também de outras empresas como Turkish Airlines e Aegean Airlines. Também é possível fazer o trajeto pela rota rodoviária, partindo do Cairo. Existem ônibus que fazem o trecho de hora em hora. Você também pode contratar um tour com uma agência. A viagem teoricamente leva três horas, mas é possível que, como eu, você pegue um engarrafamento e fique mais tempo na estrada.

Por fim, também dá para fazer o trajeto com os trens que saem da Ramses Station, no Cairo. É recomendável para turistas comprar a viagem de 1º ou 2º Classe, que são mais confortáveis e menos cheias – uma passagem no trem expresso pode custar menos de 10 dólares. A viagem dura de duas a três horas. É possível comprar o bilhete diretamente na estação ou online.

alexandria egito mar mediterraneo

Sobre hospedagem em Alexandria, há uma enorme avenida chamada El Geish, que fica à beira-mar. É ali que se concentram os melhores hotéis da cidade. Foi lá que eu fiquei hospedada, no Four Seasons Hotel Alexandria At San Stefano: o hotel 5 estrelas tem diárias a partir de R$645,00.

Claro, há opções mais em conta e muito bem localizadas, com vista para o mar. Você pode conferir todas aqui.

A viagem pelo Egito foi feita a convite da AmCham Egypt. 


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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 30 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

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4 comentários sobre o texto “Alexandria, Egito: a história da Biblioteca e da cidade de Alexandre, o Grande

  1. Eu tenho muito interesse em ir ao Egito, mas tenho uma dúvida muito grande. Qual o melhor trajeto para um brasileiro ir ate o Cairo? Nós, pobre mortais, que temos que correr para achar passagens baratas para poder viajar temos sempre essa dúvida. Então, vocês poderiam da uma dica? O melhor jeito e/ou mais barato de chegar de avião ao Egito é do brasil via que cidade??? Voo p lisboa, Paris, Roma, Frnkfurt??????? Obrigado

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