Carnaval no Recife e em Olinda: um guia para iniciantes

O que o Carnaval de Olinda e Recife pede da gente é entrega. E, por que não, uma certa dose de preparação. Falo por experiência própria: nascida e criada na capital pernambucana, nem sempre fui fã da festa que mobilizava quase todos os meus conterrâneos. Na adolescência, me incomodava com a multidão e não entendia como esse povo todo tinha energia para tantos dias de farra, subindo e descendo ladeira. Até que aprendi a curtir a folia de verdade e tudo mudou.

Descobri que com um pouco de estratégia e disposição a experiência se transforma de perrengue em êxtase. Hoje, sou mais uma a lamentar a triste quarta-feira, que chega tão depressa. E faço um alerta: depois de sentir a embriaguez do frevo você nunca mais será o mesmo. Um dia de festa é suficiente para declarar seu amor a Olinda, seus coqueirais, seu sol e seu mar. Com dois ou mais dias, sua maior preocupação na vida certamente será saber se o coco é oco. E no final já vai estar morrendo de saudades de tomar umas e outras e cair no passo.

Ainda é iniciante em matéria de frevo e não entende nada do que eu estou falando? Então vem descobrir como funciona o melhor Carnaval do Brasil (primeira coisa que você precisa saber: todo bom pernambucano é megalômano e bairrista).

Vai para Pernambuco? Leia todas as nossas dicas:

O que fazer no Recife em 2 ou 3 dias: principais atrações

O que fazer em Olinda em um dia

Guia de viagem para Porto de Galinhas

Guia de viagem para Praia dos Carneiros

Todas as dicas para Fernando de Noronha

carnaval Olinda

As prévias do Carnaval no Recife e em Olinda

Vamos começar do começo. Para pernambucanos, o Carnaval não é só um período de quatro dias que e vai todo ano, assim como quem não quer nada. Ele é uma instituição. Ápice da nossa existência, alicerce cultural, momento de exorcizar demônios internos e lembrar que a vida é uma só (e que dois corpos podem ocupar o mesmo lugar).

Por isso mesmo, tentamos prolongar o máximo possível a euforia foliã. No Recife, e principalmente na cidade-irmã Olinda, “passou Natal, já é Carnaval”. Algumas prévias até começam antes do dia do bom velhinho, mas de janeiro em diante é farra garantida todo final de semana (e alguns dias “de semana” também, porque ninguém é de ferro).

Se você quiser curtir a festa numa vibe mais light ou fugir da altíssima temporada momesca (ou seja, dos preços mais altos de hospedagem e passagens no Carnaval propriamente dito), saiba que tem muito o que se curtir nesse período de preparação. As prévias são quase tão animadas quanto o Carnaval em si, dados os altos níveis de ansiedade do meu povo.

Para saber aonde ir nesse período, procure um folião qualquer: certamente ele terá um calendário de festas prontinho para ser encaminhado para o seu Whatsapp. No site PE no Carnaval também tem várias opções, ainda que não seja uma lista exaustiva (missão impossível, eu diria, dada a quantidade de blocos e festinhas que surgem todo ano).

Para não errar, foque na tradição e procure pelos ensaios da Pitombeira dos Quatro Cantos, o cortejo do Boi da Macuca e o ensaio aberto do Eu Acho é Pouco, todos no Sitio Histórico de Olinda. No Centro e na Zona Norte do Recife, algumas sugestões são os acertos de marcha do Bloco da Saudade, o Amantes de Glória e o Nem Sempre Lily Toca Flauta.

Se você busca algo mais trendy, algumas opções são o Me Vingo de Tu no Carnaval e o Bora, Mago, e se seu negócio for mais maracatu do que frevo, não faltam ensaios para conferir pelo Recife: veja alguns de 2018 aqui.

Tudo isso é de graça mesmo, no meio da rua. Mas tem também as prévias pagas, em lugares fechados, que nem sempre têm o frevo como trilha sonora, mas costumam contar com line ups de peso. Alguns exemplos são as festas do Enquanto Isso na Sala da Justiça, Hoje a Mangueira Entra, o Baile do Eu Acho é Pouco, o Baile Municipal e o Guaiamum Treloso Rural.

carnaval olinda recife

Olinda, Recife e o carnaval oficial

Depois disso tudo, é até difícil acreditar que o Carnaval começa no Galo da Madrugada, né? A música diz que o maior bloco do mundo (segundo o Guinness) faz a abertura da festa no Recife, saindo cedinho pelas ruas do bairro de São José, no Centro. Mas na verdade, oficialmente o babado começa na sexta à noite, com shows no Marco Zero, praça que fica no coração do Recife Antigo.

Daí em diante a Cidade Alta (Sítio Histórico) de Olinda ferve durante o dia, com infinitos blocos subindo e descendo as ladeiras. Enquanto isso alguns blocos diurnos tomam conta do Centro do Recife também, mas com exceção do Galo, as maiores atrações da capital são no palco do Marco Zero mesmo. Os nomes que passam por lá sempre incluem Alceu Valença, Elba
Ramalho, Lenine e também outros artistas menos carnavalescos, como O Rappa, Emicida e até Jota Quest. A programação para o Carnaval 2018 já está disponível.

Se tiver disposição, acorde cedo para passar o dia em Olinda e vá direto de lá para o Antigo (se acostume a cortar o “Recife” do nome do bairro, como fazem os locais). Caso seus níveis de energia sejam mais limitados (#tamojunto), pesquise a programação e escolha o que mais tem seu perfil.

Aqui você encontra os dias, locais e horários de saída de vários blocos tradicionais. Dentre esses, recomendaria no Recife o Amantes de Glória e em Olinda o Hoje a Mangueira Entra, Eu Acho é Pouco, Ceroula, Enquanto Isso na Sala da Justiça, a Apoteose e o Encontro dos Bonecos Gigantes e a Pitombeira dos Quatro Cantos. No entanto, cada grupo de amigos que você conhecer terá também sua própria lista de blocos menores, que apesar de menos tradicionais tendem a ficar menos cheios e ser mais fáceis de acompanhar.

Olinda Carnaval

Seja como for, o essencial é não andar no contra fluxo dos blocos e jamais ficar andando sem rumo pela multidão (receita para se estressar sem propósito). Escolha um bloco para seguir, tente ficar o mais perto possível da orquestra e vá no fluxo até o fim, ou até cruzar com outro e decidir mudar de foco, porque o improviso faz parte.

Tradicionalmente todas as festas são gratuitas, mas nos últimos anos têm surgido cada vez mais camarotes para quem procura mais conforto. Existem diversas opções no Galo da Madrugada e algumas em Olinda, como o Carvalheira na Ladeira, e no Marco Zero do Recife, como o do Seu Boteco.

Outra opção em Olinda são os day uses de algumas casas e pousadas, como o da bem localizada Pousada dos Quatro Cantos, que normalmente dão acesso a banheiros limpos, comida e uma vista privilegiada da muvuca. Fique ciente, no entanto, que o pernambucano roots considera que essa história de “área VIP” não é Carnaval de verdade.

Para quem quer curtir algo mais “alternativo”, vale a pena conferir os palcos descentralizados, que se espalham pela cidade, permitindo aos moradores de várias áreas curtir a festa perto de casa. Costuma ser bem mais tranquilo chegar, sair, ir ao banheiro e comprar bebida nesses polos menores, que muitas vezes têm opções voltadas para crianças. Nando Reis, Nação Zumbi, Jota Quest e Gaby Amarantos estão na programação de 2018 dos palcos espalhados pela cidade.

Onde se hospedar durante o carnaval de Olinda

Como era de se esperar, os valores de acomodação nas duas cidades sobem muito durante o Carnaval. Hotéis e albergues costumam fazer pacotes para o feriado inteiro, muitos deles por preços dignos de resorts. Mas se você vier com um grupo de amigos e não exigir muito conforto, dá para encontrar casas e apartamentos para dividir por valores mais em conta.

Se quiser curtir a folia 24 horas por dia e não fizer questão de boas noites de sono, não pense duas vezes: alugue uma casa no Sítio Histórico de Olinda. O melhor Carnaval da minha vida foi nesse esquema e acho que é o tipo da coisa que toda pessoa festeira devia fazer uma vez na vida. Os melhores preços são para quem garante a vaga com antecedência, mas nas semanas
que se antecedem à festa ainda é possível encontrar algumas vagas.

A demanda é alta porque não é ocupada só por quem vem de longe: muitos recifenses se organizam com amigos para alugar uma das casas por lá. O costume é criar um sistema “all inclusive”, juntando a grana de todos para comprar comida e bebida e, em alguns casos, contratar pessoas para cozinhar, fazer a faxina e até seguranças para evitar que foliões aleatórios entrem sem autorização.

Mas atenção: essa é uma escolha para os fortes, e se você estiver em dúvida se esse é seu caso, é bom ter um plano B para não ficar se sentindo ilhado caso não esteja no espírito da festa.

Caso sua preferência seja se hospedar no Recife, saiba que quase todos os hotéis e albergues da cidade ficam no bairro de Boa Viagem, lar dos nossos queridos tubarões da nossa querida praia. A vantagem de ficar por lá é justamente a facilidade de acesso à praia, que pode vir a calhar caso você se canse um pouco de frevar.

Leia também: Onde ficar no Recife e Olinda: dicas de hospedagem

É relativamente fácil ir de lá até a região central do Recife, mas Olinda fica um pouco longe. Para mim, o ideal é encontrar um apê para alugar pelo Centro (no bairro da Boa Vista e arredores), que dá fácil acesso tanto ao Recife Antigo (até mesmo a pé) quanto a Olinda (de ônibus ou táxi). Também vale dar uma olhada em hospedagens próximas aos shoppings, porque costuma rolar um esquema chamado Expresso Folia, ônibus que vão diretamente para os focos carnavalescos.

carnaval olinda 2018

Como se deslocar

Falando em transporte, meu queridinho é mesmo o Expresso Folia, que costuma sair dos shoppings Plaza (em Casa Forte, área residencial na Zona Norte), Riomar (no Pina, quase Boa Viagem), Tacaruna (no comecinho de Olinda) e Recife (em Boa Viagem). Normalmente eles começam a funcionar no sábado pela manhã e vão direto do shopping ao Recife Antigo ou a Olinda, sem paradas pelo caminho. Mas atenção: é preciso comprar a passagem de ida para ter direito a volta (o preço único em 2017 era R$ 8 para o Recife Antigo e R$ 10 para Olinda).

Também existem algumas linhas especiais de ônibus comuns criadas para essa época, que levam do Shopping Tacaruna e Shopping Recife para Olinda, do foco da folia em Olinda para um estacionamento nas proximidades, entre outros percursos. Sem falar nos ônibus comuns, cujos itinerários você pode verificar em apps como o Moovit ou no site do Grande Recife Consórcio de Transporte.

Ir de carro é impensável, a não ser que você pare num dos estacionamentos mais afastados dos focos de folia (e não esteja pensando em consumir álcool ou drogas, obviamente). Táxis, Uber e congêneres são uma opção tranquila para a ida, mas na volta é preciso se preparar psicologicamente. É que quase sempre vai ser preciso esperar um bocado até encontrar um carro disponível, ou caminhar até um ponto mais distante da festa.

Como se vestir

Uma das primeiras coisas que você tem que levar em consideração na hora de fazer a mala é o calor. Em Olinda, no meio da multidão, você vai ter certeza de que existe um sol para cada cabeça. É claro que mesmo se fosse nu você não deixaria de suar, mas é bom priorizar looks mais leves e confortáveis.

E falando em conforto, dê especial atenção aos sapatos: nada de chinelos ou sandálias abertas (salto alto nem pensar, pelamordedeus). O ideal é escolher um calçado velhinho, por duas razões: saber que ele não vai machucar seus pés e não ter pena ao vê-lo todo sujo no final da festa.

Dito isso, vamos à parte mais superficial e divertida da coisa. Se quiser realmente entrar na onda da festa, use e abuse das cores, lantejoulas, lamê, glitter (a.k.a. purpurina), tule e tudo de mais extravagante que você encontrar na loja de tecidos da esquina. Se puder pensar numa fantasia propriamente dita, ótimo: quanto mais criativa melhor. Se não, uma meia arrastão + body ou uma regata de chita fazem bonito o suficiente. Mas sério, não se esqueça do glitter. Muito glitter.

carnaval olinda e recife

Segurança e bem-estar

É claro que no meio dessa multidão toda tem, além de muita diversão, alegria e suor, uma galera mal-intencionada. Por isso, é bom evitar estresses ficando bem ligado nos pertences. Deixe a carteira em casa e leve só dinheiro, um documento fácil de renovar e a carteirinha do plano de saúde.

Coloco tudo isso numa doleira (aquelas pochetes que ficam por dentro da calça) e deixo no bolso umas notas de dinheiro para ter mais fácil acesso. Sempre que possível, levo também um celular velho, deixando o “oficial” em casa. Itens de menos valor, como um espelhinho, grampos de cabelo, lenços de papel e protetor solar vão numa bolsinha ou pochete a tiracolo.

Também é fundamental não descuidar da saúde. Já saia de casa com protetor solar e se possível (ou se sua falta de melanina demandar) leve para retocar. Lembre-se de beber muita água e tente pegar leve no álcool, especialmente no caso de bebidas mais pesadas. Especial atenção às criações locais feitas de cachaça, como Axé de Fala, Jurubeba e Pau do
Índio, que são tão interessantes na hora H quanto desinteressantes (pra usar um eufemismo) no dia seguinte.

Recomendo ainda comer algo bem nutritivo, porém não muito pesado, antes de sair de casa. E não se esquecer de encher a barriga de novo durante o dia. Tanto em Olinda como no Recife Antigo, você encontra algumas barracas que vendem macaxeira com carne de sol, espetinhos, sanduíches e outros lanches, e um pouco mais longe do foco das festas costumam existir também food trucks com opções mais elaboradas (e mais caras).

Fantasias, protetor solar, doleira, tênis, celular velho e muita disposição já na mala? Então vá decorando os frevos mais tradicionais e preparando a poupança. Depois desses quatro dias inesquecíveis, existe um grande risco de você querer voltar todo ano.

Quer saber mais sobre turismo em Pernambuco e conferir dicas e reflexões sobre viagens pra dentro e pra fora da gente? Acesse o Janelas Abertas.


Compartilhe!



Com o 360meridianos, você encontra as melhores opções para planejar a sua viagem. Confie em quem já tem prática no assunto!

 

Reserve seu hotel com o melhor preço e alto conforto

 


Veja as melhores opções para seguros de viagem

 


Transfira dinheiro para o Brasil e exterior com menos taxas

 


Alugue veículos com praticidade e comodidade

 




Quer 70 páginas de dicas (DE GRAÇA!)
para planejar sua primeira viagem?




Luisa Ferreira

Sempre fui muito apegada à zona de conforto, até que resolvi usar viagens como um tratamento de choque pra superar inseguranças e me abrir pra o mundo. Desde então, já passei cinco períodos morando fora e dei vários rolês pelo Brasil e 27 países. Hoje concilio a vida no meu Recife querido com o vício em cair na estrada e os trabalhos como jornalista e redatora com o blog Janelas Abertas.

  • 360 nas redes
  • Instagram

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

2018. 360meridianos. Todos os direitos reservados. UX/UI design por Amí Comunicação & Design e desenvolvimento por Douglas Mofet.