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Atlas: Dublin, Irlanda

Inglês na Irlanda: como fiz as malas e fui parar na Ilha Esmeralda

A primeira vez que ouvi falar em Dublin foi na novela “Eterna Magia”. A personagem vivida por Malu Mader era pianista, morava na capital Irlandesa e era muito famosa por toda a Europa. Depois, em 2011, um ex-paquera que foi estudar inglês na Irlanda por dois anos voltou de lá sem parar de falar sobre o quão maravilhoso era o lugar. Com o fim da paquera, peguei ranço. Uma revirada de olhos a cada vez que ouvia o nome DUBLIN.

Mas como bem enfatizava o paquerinha, a Irlanda é um lugar lindo, de fato. São paisagens maravilhosas, em variados tons de verde. A Ilha Esmeralda, como é conhecida, fica a noroeste da Europa Continental. É a ilha bem ao lado da Grã-Bretanha e divide território com a vizinha Irlanda do Norte, que ainda faz parte do Reino Unido. Em 1921, após uma longa batalha contra a Coroa Britânica, um tratado foi assinado para o reconhecimento da Independência da República da Irlanda e assim a ilha ficou divida em duas.

Viagem pela Irlanda

Amigos do intercâmbio na nossa road trip pela ilha

O ranço só acabou em 2015, quando duas das minhas melhores amigas disseram, em ocasiões diferentes, que iriam estudar inglês na Irlanda. Eu tinha, até então, o emprego dos meus sonhos e vários planos de viagem que sempre me levavam, mas sempre me traziam de volta pra casa. Intercâmbio era um plano de “stand by”. Veio 2016 e, com ele, a crise. O desemprego bateu na porta. Com a grana do acerto na mão e nada me prendendo ao Brasil, a decisão pra mim era óbvia. Pra minha mãe, nada mais era do que: “Lá vai a Maria-vai-com-as-outras, atrás das amigas”. Ela estava errada? Claro que não!

Decisão tomada e lá fui eu procurar intercâmbio, olhar passagens e ver as melhores datas.

Famosa estátua irlandesa. Diz a lenda que tocar os seios dela atrai dinheiro.

O que você precisa saber antes de cruzar o Atlântico e ir estudar inglês na Irlanda

De cara, fiquei sabendo que uma das principais vantagens de estudar inglês na Irlanda é a de que você poderá trabalhar legalmente, mesmo sendo um estudante. Outra vantagem que pesa muito na decisão é o fato de que o salário mínimo é o maior da zona do Euro. São 9,55 euros por hora. E já anote aí no caderninho, lá é frio. Bem frio. A temperatura anual média é de 9.7°C, segundo a classificação de Koppen. E chove bastante! Mas não se assuste, vale a pena. Nada que um bom casaco à prova d’água não resolva.

E o fato de ser um país europeu que está a 1h20 de voo de Londres;  1h35 de Paris e 3h de Roma também ajuda bastante. Apesar da Irlanda não fazer parte do Acordo de Schengen, assim que você tiver seu visto regularizado, não será problema ir e vir de outros países. Você só precisará passar na imigração todas as vezes que viajar. A imigração fica de olho se o seu comparecimento nas aulas está dentro dos 85% obrigados por lei e se você está trabalhando dentro das 20 horas permitidas.

Sobre o visto e como se tornar um estudante intercambista, a primeira providência é decidir para qual cidade você pretende ir. A capital, Dublin, é a mais escolhida por brasileiros. Logo, é a mais concorrida, com maior custo de vida, mas também com a maior variedade de oportunidades de trabalho. Galway, Limerick e Cork são outros destinos que atraem os estudantes.

E agora, qual o próximo passo?

Se o seu destino for Dublin, o curso de inglês com duas semanas de acomodação estudantil, transfer do aeroporto, seguro governamental e as 25 semanas de aula sai por R$ 13 mil, em média. O valor das passagens aéreas vai depender muito do aeroporto de partida. Com a mesma agência que você fechar o intercâmbio, vale a pena dar uma olhada nas passagens estudantis; que apesar de um pouco mais caras, têm a possibilidade de troca da data do voo de volta ao Brasil, com taxas bem mais em conta, caso seja necessário. Não existem voos diretos do Brasil para a Irlanda. No meu caso, fiz BH/ SP/ Istambul/ Dublin, em 36 horas. Mas é claro que há opções menos desgastantes. Essa era a mais em conta na época.

Para passar pela imigração no aeroporto de Dublin, não precisa entrar em pânico e muito menos ser um expert na língua inglesa. É só estar com toda a documentação exigida em mãos e ter paciência. Os agentes sabem que muitos que estão chegando ao país não dominam a língua e, em vários casos, não conhecem nada do inglês. Antes de entrar em modo catastrófico, tente entender o que está sendo pedido. Se você não fala nem “The book is on the table”, uma dica é deixar todos os documentos em uma pasta e entregá-los todos de uma vez. Quando eles carimbarem o seu passaporte, virá com um aviso que você tem até 30 dias para pegar o visto de estudante.

Os documentos exigidos pela imigração são:

– Passaporte com validade mínima de três meses;

– Carta de confirmação da escola que você irá estudar;

– Seguro Saúde (que vem no mesmo pacote junto com o curso);

– Passagem de volta para o Brasil;

– Endereço da acomodação estudantil onde você irá ficar até ter um endereço definitivo;

– Três mil euros (em espécie ou extrato bancário)

Como tirar o meu visto de estudante?

Qualquer estudante que for fazer um curso superior a 90 dias no país precisa comprovar um valor de três mil euros quando for aplicar o visto, fora o valor do intercâmbio. Esse dinheiro é uma média do que o governo calcula que seja necessário para sobreviver a seis meses na Irlanda. O visto tem validade total de oito meses, mas o governo calcula seis, pois dois meses são de férias e aí fica por conta do intercambista.

Vale lembrar que o visto precisa ser obtido em até 30 dias após a sua chegada e pode ser agendado mesmo antes de você chegar ao país, pelo site https://burghquayregistrationoffice.inis.gov.ie/.

Desde 2016, os três mil euros podem ser comprovados das seguintes formas:

– por meio de extrato do cartão VTM – fique atento com os valores de IOF e deixe pra tirar o extrato na semana do agendamento;  

– dinheiro em espécie – cuidado com a segurança para não ser roubado ou perder a grana – você precisará levar esse valor aos correios da Irlanda e fazer um Bank Draft, que é um cheque nominal e apresentar no dia do visto;

– extrato em conta no Brasil – é o meio menos usado, pois há casos onde a imigração barrou essa forma de pagamento por conta da conversão e cotação dos valores.

No dia do visto, é necessário levar os mesmos documentos do dia da chegada na imigração, mais a carta que a escola emite para o governo comprovando que você está realmente estudando lá. É necessário também fazer o pagamento de uma taxa de 300 euros para a imigração, na data da entrevista.

Uma dica útil e que pode te salvar: não adianta viajar somente com os três mil euros na mão, pois o primeiro mês é o que você provavelmente mais vai gastar. Assim que terminar o período da sua acomodação estudantil, você precisará arrumar um teto para chamar de seu e vai ter que pagar o equivalente a dois meses de aluguel logo de uma vez (é o aluguel do mês, mais um depósito que você pega de volta quando sair da casa), fora a alimentação, transporte, livro da escola e a cerveja de boas vindas. A minha dica é levar mais mil euros, no mínimo.

Turma do Intermediate em confraternização em um pub.

Moradia: a grande vilã do intercâmbio

Nem saudade, frio, estar em outro país ou o medo do desconhecido. Nos meus primeiros três meses, o meu maior desafio foi achar um teto fixo. Isso porque eu cheguei no pior período do ano, em junho, em pleno verão. Os preços estavam nas alturas e a oferta em baixa. Os universitários já estavam de olho nas vagas para a volta às aulas e eu tentando economizar em vão.

Para quem, assim como eu, anda sempre com o orçamento apertado, pode se preparar. Moradia é o item que faz o custo de vida irlandês ir para as alturas. Em média, um aluguel em Dublin custa de 300 a 350 euros por mês, e isso em quarto compartilhado. Para você ter uma ideia, na maior parte das capitais europeias é possível alugar um quarto privado por valor parecido. Acrescente a isso a conta de luz e internet, que juntas dão aproximadamente 50 euros a cada 30 dias. Não há conta de água no país.

Na melhor das hipóteses, caso você queira morar na região central (sem pagar um rim por um quarto individual), você irá dividir acomodação com, no mínimo, mais três ou quatro pessoas. Há casos de colegas que moravam em casas com 40 pessoas, três banheiros e dormiam em quartos com outros cinco intercambistas. Isso pagando os suados 350 euros, fora contas e alimentação. Caso queira um pouco mais de privacidade, é bom desembolsar mais ou mudar para locais mais afastados do centro.

Como escolher uma boa escola?

O primeiro passo é optar por uma boa agência de intercâmbio. Há quem faça todo o pacote por conta própria, do Brasil mesmo. Eu acho que escolher uma agência é uma opção por facilitar a vida e por ter alguns bons descontos. Para não correr o risco de cair em uma cilada, dê uma olhada na reputação da agência e na opinião dos alunos que já fecharam com eles. Há, no Facebook, alguns grupos de brasileiros que moram lá e que podem te ajudar. Tente o Classificados Dublin. E, para as meninas, há também o Calcinhas in Ireland.

Escolhida a agência, hora de selecionar uma escola. Quanto menor o valor da pacote, a probabilidade de ter mais brasileiros na sala é maior. Há quem queira fugir dos compatriotas para ter uma experiência diferente. Se for o caso, invista nos pacotes mais caros. Os brasileiros são a maioria em quase todas as escolas, mas há também a galera da América Central, mexicanos, coreanos, vários argentinos e, claro, sempre uma ou outra nacionalidade diferente. Pela internet, vale a pena perguntar aos estudantes das escolas o que eles acham das aulas, dos professores e das instalações.

Trabalhando na Irlanda

A Irlanda é um destino bastante procurado na Europa – segundo um levantamento feito pelo governo irlandês, em 2015, o país recebe uma média oito milhões de turistas por ano. Só que a Irlanda tem cerca de 4.5 milhões de habitantes. Para compararmos, o Brasil tem aproximadamente 200 milhões de habitantes e, de acordo com a PF e o Ministério do Turismo, recebeu cerca de 6.5 milhões de turistas em 2017. Tantos turistas fazem da Irlanda um ótimo local para quem busca um emprego em hotéis, pubs, restaurantes e eventos.

Visto de trabalho na Irlanda

Visto que dá direito a 20 horas de trabalho semanais

A chance de poder trabalhar legalmente é, sem dúvidas, um dos grandes diferenciais da Irlanda se compararmos com outros destinos. Depois de pegar o seu visto, você poderá procurar um trabalho. Oficialmente com o visto Stamp 2 (que é dado aos intercambistas), você poderá se candidatar a um emprego formal trabalhando 20h por semana. A exceção é no período de férias nacionais, quando o intercambista poderá trabalhar por 40h semanais. Esse período vai de junho a setembro e de 15 de dezembro a 15 de janeiro. Com o salário mínimo a 9,55 euros a hora, isso dá uma média de 764 euros por mês trabalhando 20h por semana e 1.528 se você estiver trabalhando por 40h. Nada mau, né?

Essa grana vai pra pagar as contas do mês, dar uns passeios, tomar umas pints pelos famosos pubs irlandeses – ninguém é de ferro – e, principalmente, pra quem planeja juntar dinheiro para renovar o visto, que vence a cada oito meses.

Renovando o visto

Se depois de oito meses você já tiver arrumado um emprego, um teto, amigos e, quem sabe, um amor, e não quiser voltar pra casa, você terá que renovar o seu curso. Para os cursos de inglês, é preciso pagar por um novo visto. O novo curso (mais os 300 euros da imigração) vai te custar em torno de 2 mil euros.

O tempo máximo que você poderá estudar inglês são dois anos, ou seja, duas renovações. Depois disso, se quiser continuar por lá, a sua opção é entrar para a faculdade. Para renovar o visto, não é preciso comprovar os 3 mil euros, mas você terá que levar todos os documentos novamente.

Imagem destacada:  POM POM, Shutterstock


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Fernanda Pádua

Tenho BH como meu ponto de partida e o meu porto seguro. Entrei pela primeira vez em um estádio de futebol aos 10 anos e ali descobri que queria ser jornalista. 20 anos depois, me tornei repórter esportiva e viajante nas horas vagas. Fiz intercâmbio na Irlanda em 2016/2017, pra estudar inglês. Tenho um objetivo de visitar todos os estados brasileiros e metade dos países do mundo e já percorri boa parte do trajeto, mas várias histórias e paisagens legais ainda estão por vir.

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6 comentários sobre o texto “Inglês na Irlanda: como fiz as malas e fui parar na Ilha Esmeralda

  1. Fê. Foi mais que uma ajuda. Resumiu todos os passos a se dar na Ilha. Quem me dera ter encontrado matéria tão bem escrita e resumida com os pontos chaves do intercâmbio em Dublin. Precisamos nos rever aqui em BH. Bjão. Parabéns pelo excelente post.

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