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Atlas: Sarajevo, Bósnia

Já pensou em visitar a Bósnia?

*Por Patrícia dos Santos

O que vem a sua cabeça quando alguém fala sobre a Bósnia e Herzegovina? Talvez você pense em um lugar frio, com uma população fechada e hábitos estranhos. Ou talvez você lembre do recente histórico de guerra e associe o país a um povo sofrido, traumatizado ou, quem sabe, violento. Pode até ser verdade que as marcas da guerra tenham calejado a população bósnia, mas uma pequena passagem pelo país pode mostrar o quanto estamos errados. E como é bom quebrar alguns estereótipos, não acha?

Pra começar, a Bósnia e Herzegovina é um país com índices religiosos bem diversos. Cerca de 49% da população, quase metade de um total de habitantes de quatro milhões de pessoas, é muçulmana, o que a transforma no país com o maior número de muçulmanos da Europa. O resto da população se divide em cristãos ortodoxos e católicos romanos. O centro da capital Sarajevo é uma demonstração da diversidade religiosa, já que é possível ver uma igreja católica a poucos metros de uma ortodoxa e também uma mesquita depois de alguns passos. Tudo muito próximo e sem conflito, algo que justifica a ideia de que a Bósnia é o ponto de encontro entre o Ocidente e Oriente.

Sarajevo - Bósnia

Na capital Sarajevo se encontram alguns dos pontos mais marcantes da história mundial. Um exemplo disso é a “Ponte Latina”, onde aconteceu o assassinato do arquiduque Fraz Ferdinand pelas mãos do estudante sérvio Gavrilo Princip, que acabou motivando o início da Primeira Guerra Mundial. A ponte atravessa o rio Miljacka e oferece uma bela visão dos prédios históricos que a cercam. Há também grandes construções que valem uma visita, como o prédio da Biblioteca Nacional, o Vijecnica, de imponência neogótica e que foi quase totalmente destruído durante o bombardeio da guerra civil, tendo de ser reconstruído. E não dá pra esquecer da Bascarsija, região comercial do centro da cidade, que possui influência turca, ainda do período dominado pelos turcos otomanos, e um comércio com variedades e preços chamativos o suficiente para fazer você querer voltar mais vezes.

Mas na Bósnia, o que se destaca além destes clássicos pontos turísticos que se tornam parada obrigatória para qualquer turista que se preze, é uma pulsação jovem que exemplifica bem o sentimento de renovação que o povo bósnio deseja. Os agradáveis passeios pelas ruas do centro, quase sempre lotadas de gente socializando entre lanchonetes e cafés, e a vida noturna que inclui inúmeros bares ao ar livre e jovens que se espalham pelas ruas e praças com garrafas de cerveja, acaba por desfazer um pouco a ideia de que este é um país que somente há duas décadas estava destruído pela guerra civil. As marcas continuam e são visíveis em diversos monumentos que prestam homenagem às vítimas, mais de 200 mil bósnios. Talvez um dos mais tocantes seja o monumento às crianças que foram assassinadas durante este período: uma espécie de chafariz com pequenas pegadas cravadas na base, além de cilindros marcados com os nomes das vítimas, que, ao girar, imitam o barulho de chocalhos.

ruas de sarajevo - bósnia

A guerra aconteceu entre 1992 e 1995 e teve início após a declaração de independência da Bósnia e de outros países à antiga Iugoslávia. Bósnios-sérvios e os sérvios extremistas não aceitaram a decisão de separação e desejavam a continuidade da união de territórios. As consequências foram um cerco à capital Sarajevo que durou três anos e muitos bombardeios, até que a Croácia se aliou ao exército bósnio e, juntos, conseguiram a assinatura de um acordo.

Ponte Latina - Sarajevo

Por ser tão recente, a imagem do país acaba sendo extremamente atrelada à guerra, mas a realidade atual mostra que o povo, apesar de ainda marcado pelas perdas, tenta se reerguer e construir uma nova história. Isso fica claro na reconstrução de sua capital e na diversidade cultural que permeia em seus habitantes. Distante do Brasil e fora do tradicional turismo europeu, pode até ser que a Bósnia passe longe do seu roteiro de viagens desejadas. Mas fica aqui a ideia de que, às vezes, um país não tão conhecido também pode ser a viagem certa.


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6 comentários sobre o texto “Já pensou em visitar a Bósnia?

  1. Entre 2010 e 2012, tive a oportunidade de fazer esses roteiros, foi algo incrível de conhecer, até pelo que tinha acontecido na década de 90, no caso a guerra desses países que faziam parte da Antiga República Iugoslávia. Todos com seus sofrimentos e história, não esquecendo também a Eslovênia, que todas elas aos poucos estão se levantando para um futuro muito promissor, e que a partir de um tempo depois, muita gente começou a descobrir e a querer conhecer um pouco de cada desses países. Talvez um dia se ainda houver possibilidades, quero repetir uma nova viagem para lá.

  2. Olaá!
    Vou esta em Split no começo de março e gostaria de ir até a Bósnia antes de ir a Dubrovnik. Você sabe informar se tem trem ou ônibus que liga Mostar ou Saravejo a Split. Tenho poucos dias: o período seria de 06 a 12/04, sendo que dia 12 é final da viagem. Saio muito cedo de Dubrovnik , retorno para o Brasil. Sim, quero conhecer Kotor, também. Os seis dias eu teria que dividir entre Bosnia/Dubrovinik/Kotor. Apertado?
    Att
    MARIA Medeiros

  3. Justamente a um ano me surgiu a ideia de conhecer os Bálcãs.
    Conheço boa parte da Europa, mas esse cantinho que muitos por puro desconhecimento renegam estava nos meus planos.
    Há duas semanas cheguei de viagem.
    Percorri quatro países da antiga Iugoslávia.
    Foi um passeio pela história, do ensejo da primeira grande guerra com a morte do arquiduque Francisco Fernando, passando pelo ditador Josip Tito, a desintegração da Iugoslávia, a guerra na Bósnia até os dias atuais.
    Um banho de cultura e aprendizagem.
    Sem falar das paisagens paradisíacas da região da Dalmácia que abrange territórios da Croácia, Bósnia e Herzegovina e Montenegro, na costa leste do mar Adriático, estendendo-se entre a ilha de Pag a noroeste e a baía de Kotor a sudeste.
    Viagem inesquecível e altamente recomendável!

  4. Adorei o texto! Sempre quis conhecer a Bósnia, exatamente pela variedade étnico-cultural e religiosa. Quase fui pra lá este ano, mas pelo pouco tempo que tinha, não valia a pena. Ah, vale lembrar, pra quem se sentiu inspirado pelo post, que Mostar, pertinho da fronteira com a Croácia, também merece uma visita. 🙂

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