O que fazer em Rio Branco, Acre: roteiro de 1 ou 2 dias

O Acre não apenas existe, mas também rende ótimas férias. E tem muita história para contar: Rio Branco é a capital de um estado que já fez parte da Bolívia, lutou pela própria Independência e foi nação soberana até ser anexado pelo Brasil, no Tratado de Petrópolis. É uma cidade bem cuidada e com um bom número de atrações turísticas, além de servir de porta de entrada para a Amazônia e, por que não, para nações vizinhas. Este texto é um guia do que fazer em Rio Branco, com dicas de passeios, hotéis e outras informações importantes.

O que fazer em Rio Branco: os pontos turísticos

As principais atrações ficam perto umas das outras, dos dois lados do Rio Acre. É possível visitar a maior parte delas num único dia. Se tiver dois dias inteiros para gastar, concentre o primeiro no centro e deixe o segundo para atrações mais afastadas, como o Parque Chico Mendes, o Quixadá ou os geoglifos – falaremos de todos esses lugares a seguir.

  • Palácio Rio Branco – Sede do governo estadual e coração de Rio Branco. Foi inaugurado na década de 1930 e é aberto ao público. Em frente ao Palácio fica uma praça, onde está o Obelisco dos Heróis da Revolução, uma homenagem à Revolução Acreana (1899 – 1903), movimento que culminou com o Acre deixando a Bolívia e passando a fazer parte do Brasil. No primeiro piso do prédio há exposições que contam a história do estado. Funciona de terça a sexta, das 8h às 18h; e sábados, domingos e feriados, das 16h às 21h. A entrada é gratuita.
  • Novo Mercado Velho – O prédio amarelo às margens do Rio Acre é um dos principais pontos de encontro da cidade – é ali que moradores e turistas vão para comer, beber e comprar produtos típicos e artesanato. Foi revitalizado há cerca de 10 anos.

mercado de rio branco, no acre

Foto: Fellipe Abreu

  • Passarela Joaquim Macedo – Com 200 metros, é uma passagem só para pedestres entre as duas margens do Rio Acre. Foi erguida nos 2000, mais uma das obras que, aos poucos, mudaram a cara de Rio Branco. Hoje é um cartão-postal da cidade. Também é possível cruzar o rio a pé pela ponte. Assim você ganha a vista da passarela de brinde, mas convém ter cuidado com buracos e com a falta segurança da travessia para pedestres na ponte.
  • Calçadão da Gameleira – O marco zero de Rio Branco. Fica do lado oposto ao Mercado, cruzando a passarela e virando à direita. Foi ali, em 1882 e debaixo de uma gameleira, que foi fundado o seringal que mais tarde virou a capital do Acre – a árvore ainda existe. Casas históricas e coloridas dão o charme do calçadão, onde hoje funcionam vários bares. É um dos points noturnos da cidade.
  • Catedral Nossa Senhora de Nazaré – Bonita igreja, erguida nos anos 1960. Fica próxima ao Palácio Rio Branco. Veja horários de visitação e missas no site oficial.
  • Parque Chico Mendes – Uma das poucas atrações distantes do centro, o Parque Chico Mendes fica a oito quilômetros do Palácio Rio Branco. Inaugurado nos anos 1990, tem trilhas na mata, mirantes, áreas de lazer e o único zoológico do Acre. Funciona de terça a domingo, das 7h às 17h, com entrada gratuita. O parque foi fechado no segundo semestre de 2019, para uma ampla reforma que deve durar alguns meses.
  • Museu da Borracha – Se você só puder ir a um museu no Acre, esta é a sua escolha. O acervo tem quase 6 mil peças e conta a história do Acre, da colonização ao ciclo da borracha, passando pelo Santo Daime. O Museu da Borracha guarda alguns utensílios que foram encontrados dentro de sítios arqueológicos de milhares de anos. Fica a poucos metros da Praça Plácido de Castro, bem no centro da cidade. Abre de terça a sexta, das 8h às 18h; e aos sábados, das 16h às 20h.

objeto encontrado em escavação arqueológica no acre, em forma de animal

Foto: Fellipe Abreu

  • Parque da Maternidade – Grande área na região central de Rio Branco, com quiosques e locais para atividades esportivas e de lazer. Foi construído nos anos 2000, ao longo do Igarapé da Maternidade, área que antes era quase um esgoto a céu aberto. É ali que ficam a Casa dos Povos da Floresta, museu que imita uma maloca indígena e tem uma exposição permanente sobre mitos amazônicos, e a Biblioteca da Floresta.
  • Quixadá – É a sede de antigos seringais e endereço importante da Revolução Acreana, mas esse local ficou conhecido mesmo por ter sido cenário para a minissérie Amazônia, da Rede Globo. Tem um restaurante, onde são servidos pratos típicos, e fica no meio da mata, a 18 km do centro de Rio Branco. Costuma ser mais visitado em finais de semana.

dicas do que fazer em rio branco, acre

Foto: Fellipe Abreu

Turismo religioso: na rota do Santo Daime

O Acre é um dos mais importantes destinos para o turismo religioso no Brasil, atraindo todos os anos uma multidão de gringos. A busca é pela ayahuasca, bebida alucinógena de origem amazônica, feita da mistura do cipó mariri com outras folhas.

Ela é tomada pelas populações locais há milhares de anos, em cerimônias religiosas. Em cultos não-indígenas a bebida tem outro nome, também mundialmente famoso: Daime. A Folha de São Paulo fez um especial sobre a ayahuasca, com fotos de ninguém menos que Sebastião Salgado.

Os geoglifos amazônicos

Mais de 800 sítios arqueológicos já foram catalogados no Acre. São os geoglifos, figuras feitas no solo pelo ser humano, algumas delas há mais de mil anos. Descobertos na década de 1970, os geoglifos só começaram a ser profundamente estudados 20 anos depois.

Com formas geométricas variadas, os geoglifos provam que a Floresta Amazônica é habitada pelo ser humano há milênios – e que essa região era casa para grandes grupos humanos muito antes da chegada dos conquistadores europeus. Obviamente, é preciso sair do solo para conseguir observá-los. Para isso, o jeito é fazer um voo panorâmico de táxi aéreo ou, uma escolha melhor, de balão, numa das únicas atividades do tipo na Amazônia. A empresa que faz o passeio é a Eme Amazônia. O tour começa às 4h da manhã, quando os viajantes são buscados em seus hotéis, e termina com um café da manhã, após o voo de 40 minutos.

Veja também:
Os geoglifos do Acre e o passado da Amazônia
A Serra da Capivara e os verdadeiros descobridores do Brasil
A incrível história de Luzia e dos povos de Lagoa Santa
Como funciona uma escavação arqueológica?
História e luta dos maniçobeiros no Piauí

Geoglifo no acre

Foto: Fellipe Abreu

Rio Branco: quando ir

Dá para visitar Rio Branco durante todo o ano, mas tenha em mente que a cidade tem o típico clima equatorial/amazônico: a época das chuvas vai de novembro a abril, com janeiro e fevereiro sendo os meses mais chuvosos. Já o período de seca vai de maio a setembro, com junho e julho registrando os menores índices de precipitação.

Como é comum ao norte do país, faz calor – a temperatura média máxima fica acima de 30°C durante todo o ano, com os termômetros chegando perto dos 40°C em alguns períodos. Mas o inverno também registra, digamos, um friozinho amazônico, com temperaturas agradáveis, na casa dos 20°C – e até abaixo de 10°C, em ocasiões mais especiais.

A não ser que você vá na época seca, leve guarda-chuva. E roupas leves mesmo no inverno – no máximo acrescente um agasalho na bagagem, para saídas noturnas.

Como chegar

O mais provável é que você chegue de avião. Os voos são longos e nada baratinhos – há ligação direta com Brasília, que está a três mil quilômetros de Rio Branco, e com São Paulo. Os voos restantes são para outros destinos na Amazônia: Manaus, Porto Velho e Cruzeiro do Sul.

Para economizar na viagem é fundamental garantir suas passagens com certa antecedência. Eu paguei cerca de R$ 500, o trecho, no voo saindo de Brasília.

rio branco, capital do acre

Foto: Fellipe Abreu

Onde ficar

Com cerca de 400 mil habitantes e boa parte das atrações concentradas na mesma região, não é tarefa das mais difíceis escolher hospedagem: fique nos arredores do Palácio Rio Branco, sede do governo estadual.

  • Eu me hospedei no Hotel Guapindaia Praça, que tem ótima localização. É um três estrelas confortável, com bom custo/benefício, estacionamento gratuito e café da manhã. Recomendo.
  • Inácio Palace Hotel – Fica na mesma rua. É um dos mais tradicionais hotéis de Rio Branco, também uma boa escolha.
  • Holiday Inn Express – Hotel muito bem avaliado e na mesma região.
  • Villa Rio Branco – Pousadinha charmosa que fica do outro lado do rio Acre – basta cruzar a passarela e em 10 minutos você estará no centro. Tem piscina e está perto da Gameleria, região cheia de bares. Também tem estacionamento gratuito.
  • Hostel Vivacre – Opção mochileira/econômica. Fica na mesma área que a pousada anterior.

calçadão em rio branco, acre

Foto: Fellipe Abreu

Transporte: alugo um carro?

Se for só por Rio Branco, não. A cidade é pequena e dá para fazer muita coisa a pé. Quando não for possível, aplicativos de transporte, como Uber e 99, funcionam na cidade, que também tem uma boa frota de táxis e, claro, rede de transporte público. A corrida mais cara é a do Aeroporto Plácido de Castro, que está a 20 km do centro: uma corrida de táxi custa cerca de R$ 90, enquanto os aplicativos cobram em torno de R$ 40.

Alugar um veículo compensa se você pretende ir de Rio Branco para outras partes do estado. Se resolver fazer isso, saiba como garantir o melhor custo/benefício.

Roteiro Rio Branco + outras cidades

  • Xapuri e Reserva Extrativista Chico Mendes

A viagem de carro mais comum é para Xapuri, terra do Chico Mendes e coração seringueiro da Amazônia. São 189 km pela BR-317, que está em bom estado: dirigir neste trecho é uma experiência tranquila, com estradas retas, razoavelmente bem conservadas e sem movimento intenso de caminhões. Ali é possível ver a casa onde Chico Mendes viveu e morreu, além do túmulo do seringueiro. Infelizmente, a cidade anda meio mal cuidada e mesmo os locais ligados ao legado do Chico estão fechados. Vale a viagem mesmo assim, de preferência com tempo para conhecer (e passar uns dias) na Reserva Extrativista Chico Mendes.

casa de chico mendes, em Xapuri

Foto: Fellipe Abreu

  • Cruzeiro do Sul e Serra do Divisor

Além de Rio Branco e Xapuri, a outra região bastante procurada do Acre é a Serra do Divisor, que fica em Cruzeiro do Sul, a segunda maior cidade do estado. Aí já compensa ir de avião, já que os 700 quilômetros exigem mais de 10 horas dos viajantes. A Gol opera um voo diário entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul – é a mesma aeronave que vem de Brasília, que segue viagem após parada na capital do estado. As passagens, se compradas com antecedência, não costumam ser caras. O Parque Nacional é um dos cantos de maior biodiversidade da Amazônia, e a Serra do Divisor é uma viagem para quem pretende mergulhar na maior floresta tropical do mundo. Neste vídeo você consegue saber mais sobre a região. Uma boa época para visitar essa parte do Acre é o mês de agosto, quando o povo Yawanawá celebra o festival Mariri.

  • Peru e Bolívia

Bastam algumas horas de estrada, a partir de Rio Branco, para alcançar os países vizinhos. No turismo, a rota tradicional envolve a Rodovia Interoceânica, que segue até Cusco e Machu Picchu, no Peru. É um percurso muito procurado por quem gosta de viagens de moto, mas há relatos de quem fez o trecho de ônibus, passando por Brasileia e Assis Brasil. Lembre-se que as locadoras costumam ter restrições para quem pretende cruzar a fronteira com um carro alugado.

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Leia também: Onde ficar em Rio Branco, Acre: dicas de hotéis e bairros clique aqui.

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Rafael Sette Câmara

Sou de Belo Horizonte e cursei Comunicação Social na UFMG. Jornalista, trabalhei em alguns dos principais veículos de comunicação do Brasil, como TV Globo e Editora Abril. Sou cofundador do site 360meridianos e aqui escrevo sobre viagem e turismo desde 2011. Pelo 360, organizei o projeto Origens BR, uma expedição por sítios arqueológicos brasileiros e que virou uma série de reportagens, vídeos no YouTube e também no Travel Box Brazil, canal de TV por assinatura. Dentro do projeto Grandes Viajantes, editei obras raras de literatura de viagem, incluindo livros de Machado de Assis, Mário de Andrade e Júlia Lopes de Almeida. Na literatura, você me encontra nas coletâneas "Micros, Uai" e "Micros-Beagá", da Editora Pangeia; "Crônicas da Quarentena", do Clube de Autores; e "Encontros", livro de crônicas do 360meridianos. Em 2023, publiquei meu primeiro romance, a obra "Dos que vão morrer, aos mortos", da Editora Urutau. Além do 360, também sou cofundador do Onde Comer e Beber, focado em gastronomia, e do Movimento BH a Pé, projeto cultural que organiza caminhadas literárias e lúdicas por Belo Horizonte.

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