O que fazer em Viena: roteiro de 3 dias e outras dicas

Viena, capital da Áustria, está frequentemente naquelas listas de melhores lugares para se morar no mundo, também agrada a turistas que passam brevemente por ali. São tantos museus, palácios, cafés, parques e atrações de todos os tipos que é difícil ir embora sem querer ficar mais. Para ajudar na difícil escolha, preparamos um roteiro listando o que fazer em Viena em três dias. Mas já digo, três dias é pouco para tudo há para ver em Viena.

Se você gosta de museus, recomendo que dê uma olhada no miniguia de museus em Viena, afinal, são tantas opções que com certeza algumas vão te interessar mais que outras. Além disso, vale dizer que as entradas nos museus e palácios de Viena são caras. Durante o meu passeio, eu usei o Vienna Pass e foi bastante útil. Pode valer a pena caso você também pretenda entrar em muitas atrações na cidade. Veja se Viena Pass vale a pena para você.

História e importância cultural de Viena

Parte do que torna Viena tão atrativa para mim é sua história e importância cultural.

Centro de disputas políticas e territoriais desde o início da Idade Média, a cidade foi capital Sacro Império Romano-Germânico e dois dois outros impérios que o sucederam, o Austríaco e Austro-Húngaro. Ao mesmo tempo que tudo isso acontecia, o status de cidade imperial permitiu florescer em Viena muita cultura. Sua tradição de óperas e orquestras fez com que músicos como Mozart, Beethoven, Schubert, Brahms e Strauss trabalhassem na cidade. As coleções de arte, pinturas, esculturas e artefatos históricos coletados ao longo dos séculos pela família real ou artistas financiados pela corte hoje estão expostas nos museus da cidade.

No final do século 19 e o início do século 20 a cultura dos cafés atraiu pensadores e figuras políticas importantes para que vivessem e produzissem obras por ali: Freud, Trotsky, Stalin, Tito, Hitler, todos passaram em Viena. E mesmo as duas guerras mundiais, nas quais a Áustria esteve do lado perdedor e a temporária divisão da cidade, até 1955, entre quatro poderes (como em Berlim, mas menos drástica), não tiraram de Viena o seu potencial para estimular a cultura e os pensamentos modernistas. Tanto que nos anos 1970 a cidade foi uma das escolhidas para sediar a ONU.

Cafe central viena austria

Onde ficar em Viena: dicas de hospedagem

Se você procura uma opção de hotel é moderno e com boas opções de quartos privados por um preço convidativo para padrões austríacos, dê uma olhada no MEININGER Hotel Wien Downtown Franz, no distrito de Leopoldstadt. Eu fiquei num quarto privado por 45 euros a noite, mas o local também oferece camas em dormitórios, no esquema hostel. Além disso, o  bairro no qual está localizado tem restaurante mais baratas em relação a outras regiões, vida noturna animada e fácil acesso ao transporte público.

Para decidir quais os melhores bairros para encontrar hospedagem, leia o guia de onde ficar em Viena.

O que fazer em Viena: roteiro de três dias

Nesta lista de o que fazer em Viena estão incluídos não só os principais pontos turísticos da cidade, mas também dicas de restaurantes para todos os dias do roteiro. Ao longo dele, há links para os sites oficiais das atrações, nos quais você encontrará informações atualizadas sobre horários de abertura e valores dos ingressos.

Dia 1

  • Ópera de Viena
  • Museu de História da Arte / Museu de História Natural
  • Helderplatz (Praça dos Heróis)
  • Burggarten
  • Museu Albertina
  • Catedral de Santo Estevão
  • Ruas Kärntner e Graben
  • Palácio de Hofburg
  • Rathausplatz

Para começar o roteiro em Viena, o ideal é que você vá direto para o centrinho onde estão a maioria das atrações, também conhecido como Innere Stadt, circundado pela av. Ringstrasse. Essa avenida foi construída há uns 150 anos!

Desça no metrô quase em frente ao prédio da Ópera de Viena. Quando estive lá, não deu para ver muito mais do que a fachada porque estava rolando a estreia do filme Missão Impossível 1339-sei-lá-qual. Mas saiba que é possível visitar o prédio da Ópera num tour guiado – que custa 9 euros – e até mesmo comprar bilhetes para assistir a um espetáculo, que podem sair a partir de €10 até valores acima de 200.

o que fazer em viena opera

Siga caminhando a avenida até o Museu de História da Arte, cujo prédio fica logo em frente ao Museu de História Natural. Ambos lindos, fica a seu critério decidir qual visitar. Eu escolhi entrar no primeiro museu, que tem artefatos egípcios, gregos, romanos, pinturas medievais e outras obras de arte antigas. A minha visita durou quase duas horas.

Kunsthistorisches museu de história da arte viena

Depois, siga para a Helderplatz (Praça dos Heróis), onde fica a estátua do Príncipe Eugênio de Savoia, de frente para o Palácio Neue Burg, onde funciona a Biblioteca Nacional. Ali também ficam os fundos do Palácio Hofburg e se você quiser circular só pelo lado de fora do palácio, andando pelas passagens e áreas externas gratuitas, ali é um bom começo. Nessa área do palácio também há outros museus e igrejas relacionados à família imperial.

Leia também: A história dos Palácios Imperiais de Viena: Hofburg e Schönbrunn

Viena Áustria

Viena Áustria

Logo atrás do prédio da Biblioteca fica um parque agradável, o Burggarten, que é um bom lugar para descansar um pouco antes de seguir pelo roteiro por Viena. De lá, vá para o Museu Albertina, que tem obras de arte moderna, com trabalhos de artistas impressionistas como Monet, e arte contemporânea. Foi um dos meus museus favoritos na cidade: se fosse escolher apenas um dos museus de Viena, seria esse.

Viena Áustria

É hora de comer. Há uma barraquinha logo em frente ao museu, na Augustinerstrasse. Ali, diversos salsichões (Wurstel) são servidos, com pão ou não. Um clássico da cidade é o Kasekrainer, que é recheado com queijo. Come-se no balcão, mesmo. Foi o que eu fiz, acompanhada com um copo de cerveja – copo de vidro, diga-se de passagem, porque em Viena até comida de rua é fina. Os preços também condizem com isso: meu “pão com linguiça” vienense custou 7,50 euros.

De lá, siga as ruas do centro em direção à Catedral de Santo Estevão. A construção de 1365 está eternamente sendo reparada, visto que o material que foi construída, arenito, é muito frágil. Ou seja, impossível fazer fotos sem andaimes aparecendo. A entrada na igreja é gratuita.

Depois disso, uma boa ideia é seguir por ruas famosas, como a Kärntner e a Graben, cheias de lojas, restaurantes e turistas. Mas boa parte das ruas nos arredores são bem bonitas.

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Depois de perder tempo caminhando e tirando fotos, volte a região do Palácio de Hofburg. É hora de conhecer melhor a história da Imperatriz Sissi.

Eu particularmente não estava interessada na coleção do tesouro imperial, que consiste em um labirinto sem fim de porcelanas e peças de ouro e prata. Logo, passei direito por essa parte do passeio e segui para os Apartamentos Imperiais. A entrada inclui audioguia, o que é ótimo para conhecer melhor a história da Imperatriz e seu marido, o Franz Joseph, além de ver um pouco do luxo e pompa que era a vida na corte.

palácio imperial museus em viena

Uma boa pedida para o início da noite é ir para o Rathausplatz, que é o prédio da prefeitura. Na praça em frente tem programação o ano inteiro. Quando estive lá no verão, estava rolando um festival de cinema. Já cansada de toda a maratona do dia, aproveitei o ócio para me sentar num canto e tomar um Spritzter (vinho branco com soda), o drink do verão na Áustria. Acabei jantando por ali também antes de seguir de volta para o meu hotel.

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Dia 2

  • Tour Guiado
  • Michaelerplatz
  • Naschmarkt
  • Palácio de Schonbrunn
  • Riesenrad
  • Leopoldstadt

Comece seu o dia seguinte fazendo um tour guiado. Eu fiz um que estava incluído no meu Vienna Pass, que começou na Michaelerplatz. Eu curti muito, mas caso você não queira pagar um tour, sugiro que faça um Free Walking Tour ou siga os pontos históricos que indico abaixo.

Na Michaelerplatz, logo em frente ao Palácio de Hofburg, ficam ruínas romanas. Na praça também está a Igreja de São Miguel (Kirche St. Michael), onde há partes conservadas de sua construção, em 1220, incluindo afrescos descobertos recentemente. No site oficial da igreja eles contam onde encontrar partes dessa história.

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Após o tour, siga para o Naschmarkt, um mercado municipal a céu aberto, onde você encontra de tudo, desde frutas, temperos, carnes e peixes, etc. Claro, ao longo dos anos foi ficando cada vez mais turístico e também há ali diversos restaurantes. Depois de passear pelo mercado, é hora de comer ali mesmo.

No mercado há diversos restaurantes. Eu entrei em um deles, com cara de simples e tradicional (não anotei o nome, desculpem!) para almoçar o famoso Schnitzel vienense. O que é isso? É uma carne de vitela (mas também dá para achar de frango ou porco) amassada até ficar bem fina, frita à milanesa. Acompanha batatas fritas e limão. A refeição ali me custou €12,50.

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Depois do almoço, é hora de ir mais longe, ao Palácio de Schonbrunn. Como era verão, o palácio só fecha às 18h30, então chegar lá por volta das 15h30 foi bem tranquilo. Aliás, apesar da alta temporada, não peguei absolutamente nenhuma fila nesse horário. Fiz o Grand Tour, que te leva a mais locais dentro do palácio, e depois segui para os jardins.

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Ali, aproveitei que meu passe incluía e fui ver como era o tal labirinto (o ingresso custa 5 euros). É divertido fazer a brincadeira, mas como eu estava sozinha, não vi tanta graça. Acho que só pagaria se estivesse com crianças.

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Muitas fotos pelos jardins depois, siga seu rumo de metrô para o outro lado da cidade. O Prater é um dos maiores parques de Viena, com uma extensa área verde, um parque de diversões daqueles meio antigões e uma roda-gigante estilo London Eye, só que menos moderna: a Riesenrad.

É legal calcular o horário para chegar lá perto do pôr do sol (no verão, costuma ser por volta de 21h), então a vista foi especialmente bonita.

o que fazer em viena roda gigante

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Como ainda estava claro, segui caminhando por Leopoldstadt, onde eu estava hospedada. Esse bairro, que fica do outro lado do Danúbio, em relação ao centro, era o distrito judeu e hoje é um bairro que mistura imigrantes e jovens. Foi onde encontrei os bares e restaurantes mais moderninhos. É uma atmosfera diferente e mais contemporânea de Viena.

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Uma dica para jantar é a Falaferia, também conhecido como Pita Box (link para google maps), um local que me foi recomendado no hotel. Lá você encontra diferentes sabores de falafel e hummus, tudo fresquinho. Muito bom e num ótimo preço: €5,90, incluindo o refrigerante.

Dia 3

  • Palácio Belvedere ou Quarteirão dos Museus
  • Karlsplatz
  • Café Central

Para o último dia na cidade, você tem duas opções. Pode ir até outro palácio, o Belvedere, onde fica a maior parte das obras de Gustav Klint e dizem ser os jardins mais bonitos da cidade. Ou ir até o Quarteirão dos Museus e escolher um (ou mais) dos locais para visitar.

Eu tinha decidido pela primeira opção, mas o lançamento do filme do Tom Cruise atrapalhou meus planos. Com isso, segui para o Quarteirão e escolhi o Leopold Museum dentre as opções disponíveis.

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Depois da visita, a dica é ir para a região da  Karlsplatz, lá fica uma igreja chamada Karlskirche (São Carlos), uma construção barroca meio diferente. Logo em frente há um espaço onde rola uma feira de música e cinema no verão e uma feira de natal no inverno. Ou seja, pode ir que ali sempre vai ter movimento. Também vale dizer que é nessa região que fica o Museu de História de Viena, que eu não visitei, mas me pareceu ser interessante.

Depois, volte para a região do centro, onde há boas opções de almoço. Escolhemos o Le Bol, na Neuer Markt (link para google maps), ideia da Katia, uma colega blogueira que mora na cidade. Há diversas opções de comidas leves, como sanduíches, saladas, cafés, etc. O prato que eu comi foi uma salada maravilhosa com queijo de cabra, mel, uvas e figos – chamada Monsieur Seguin. A salada e uma limonada custaram 12 euros.

Deixe a sobremesa para outro lugar. Mais exatamente para um dos dos cafés tradicionais da cidade. Optei pelo Café Central, uma instituição frequentada por Trotsky, Freud e companhia limitada. Lá, comi uma torta e tomei um café com leite, que me custaram 9 euros. Valeu muito a pena. Aproveite para apreciar a atmosfera do café sem pressa.

Leia também: O Café Central de Viena e a cultura dos cafés na cidade

Cafe central viena austria tortas

O que fazer em Viena: outras atrações

  • Outros museus e palácios da cidade. São tantos que é impossível colocar num roteiro só.
  • Visitar as feiras e mercados de rua em diferentes épocas do ano. Além dos locais citados no post, há também o Brunnenmarket, um mercado de rua bem menos turístico, que fica ao longo da rua Brunnengassee.
  • Visitar mais cafés tradicionais da cidade. São tantos e uma cultura tão importante que vale a pena dedicar parte das suas horas relaxando nesses espaços.
  • Conhecer a ONU: eles fazem três tours diários que explica o trabalho das Nações Unidas, me pareceu interessante.

Por fim, fiquei curiosa para explorar a noite na cidade, visto que não fui em nenhum bar ou boate por lá. Nesse caso, se vocês tiverem sugestões, por favor, deixem nos comentários.


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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 30 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

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18 comentários sobre o texto “O que fazer em Viena: roteiro de 3 dias e outras dicas

  1. LUIZA OBRIGADA PELAS DICAS, ESTOU VIAJANDO E VOU PASSAR 03 DIAS EM VIENA ESSAS INFORMAÇÕES FORAM PERFEITAS . PARABÉNS.
    DE LÁ SIGO PARA PRAGA, TEM DICAS DE LÁ?

  2. Luiza,

    Seus textos são incríveis! Escritos de uma forma leve, recheados de informações históricas e detalhes que alimentam o meu desejo de viajar por esse mundão afora!
    Adoro o Blog! Sempre que vou viajar monto o meu roteiro com base nas informações de vocês!

    Parabéns!

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