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Atlas: Marrocos, Marrakesh

Roteiro para passar uma noite no deserto do Saara, no Marrocos

Nem nos meus planos mais loucos de viagem eu cogitei dormir em pleno deserto do Saara, no Marrocos. E vou dizer: foi uma das melhores coisas que eu já fiz na vida. Para quem não sabe, o Saara é o terceiro maior deserto do mundo, ficando atrás apenas da Antártida e do Ártico, que apesar de serem de gelo, também são considerados desertos. O Saara tem um território pouco menor do que a Europa inteira.

Nessa área, que é praticamente continental, vivem mais de 2,5 milhões de pessoas. Esse mundão de areia faz parte de vários países e territórios, entre eles Argélia, Chade, Egito, Líbia, Mali, Mauritânia, Marrocos, Níger, Saara Ocidental, Sudão e Tunísia.

A possibilidade de visitar o Marrocos surgiu quando me mudei para a Irlanda e uma amiga que já morava lá sugeriu o passeio. Para quem está fazendo intercâmbio no Velho Continente, essa é uma viagem bem comum. Como estamos aqui para solucionar e não para criar problemas, vamos contar tudo, seja para quem pretende sair do Brasil ou da Europa, rumo a Marrakesh.

O tour dos brasileiros por aquelas bandas da África tem sido tão procurado que tem agência que faz tudo em português (ou quase isso). No meu caso, eu fui com o “Viaje en Marruecos” – e tive uma experiência maravilhosa!

Grupo de amigos em Tour no Deserto no Marrocos

Grupo de brasileiros e o pôr do sol no Deserto do Saara

Como é feito o tour para o deserto do Saara

Chegando em Marrakesh, fomos recebidos pela equipe da agência de turismo e encaminhados para o Hotel Islane, no centro, bem próximo ao tradicional mercado da cidade. Vale lembrar que o tour do deserto Saara, no Marrocos, tem duração de quatro noites. Mas se você quiser ficar mais tempo e se aventurar por lá, é uma ótima pedida. A gente te conta mais opções de passeios daqui a pouco.

Paguei 130 euros no tour completo, incluindo café da manhã, uma refeição diária, transporte até o deserto e as acomodações. No total, incluindo passagens de ônibus, tour, alimentação e alguns souvenires, gastei 300 euros nos cinco dias da viagem. Melhor investimento. Depois de passarmos a primeira noite, no dia seguinte começamos a nossa viagem de van, que durou dois dias. São mais de 500 quilômetros entre Marrakesh e o acampamento, quase na divisa com a Argélia. Pelo caminho, paramos para ver a fabricação do famoso óleo de argan e na Hollywood marroquina, onde fica o Atlas Studio.

Você também vai conhecer Kasbah de Ait Benhaddou, que foi declarada pela UNESCO, em 1987, Patrimônio Humanidade. É uma cidade murada famosa por ter sido cenário de vários filmes Hollywoodianos, cenas de Game of Thrones e até mesmo da novela O Clone.

Marrocos deserto passeios Kasbah de Ait Benhaddou

Kasbah de Ait Benhaddou, cenário de vários filmes, séries e da novela “O Clone”

A noite é no hotel Le Chateau du Dades, onde é preparado um verdadeiro banquete para o pessoal do tour. Com direito ao Tajine, prato típico de lá.

Tajine, prato típico da culinária marroquina

Tajine, prato típico da culinária marroquina

No dia seguinte é hora de começar a última parte do trajeto até o deserto – foram mais algumas horas de viagem no nosso terceiro dia por lá. Há uma parada em uma loja para comprarmos os lenços coloridos que usaremos no deserto. Logo após o almoço, chegamos a um hotel à beira do Saara. Dali, já dava pra avistar a imensidão de areia e belas dunas que nos esperavam. Antes de irmos ao deserto, deixamos nossas malas no hotel que serviu de base, pegamos o indispensável e partimos.

Uma parte do percurso é feita em 4×4 (mais para mostrar a emoção do que propriamente para a locomoção). Andamos cerca de 15 minutos até o local onde estavam os camelos que levaram as pessoas ao acampamento.

Sim, essa parte do trajeto é feita em camelos ou em dromedários, para ser mais exata. Como nós aqui no 360meridianos não apoiamos o turismo com animais, aconselhamos a fazer esse trajeto de carro – há essa opção. Chegando na entrada do acampamento você é convidado a subir as dunas e assistir ao pôr do sol, que é uma coisa EXTRAORDINÁRIA. Ali também rola um esquibunda. Vale pela diversão.

Como é passar a noite no deserto do Saara, no Marrocos

Confesso que não estava esperando uma grande estrutura para o acampamento no deserto. Afinal, era um acampamento no deserto do Saara, no Marrocos, né? Mas muito me surpreendeu o lugar, que é melhor do que muito hotel em que já fiquei. Se tá descrente, dá uma olhada nessas fotos:

acampamento deserto do saara à noite vista interna do acampamento no deserto do saara vista geral do acampamento no deserto do saara durante o dia

Acampamento do Viaje em Maruecos, no deserto do Saara

O anoitecer no deserto, além de trazer o céu mais estrelado que já vi na vida, guarda outra surpresa. Um jantar típico seguido de uma festa a noite inteira. Éramos 25 pessoas, a maioria brasileiros. A atmosfera, o céu, o clima e as companhias foram incríveis. O acampamento tinha banheiro, tendas com camas de casal e de solteiro.

festa para os turistas no deserto do saara       jantar típico marroquino

Festa e banquete no acampamento.Grupo basicamente de brasileiros

No dia seguinte, acordamos cedo para ver o nascer do sol e voltamos para o hotel onde estavam as nossas malas. Lá, tomamos banho e começamos a viagem de volta para a cidade. Ao contrário da ida, o retorno não demorou dois dias. Foi uma viagem praticamente direta, o dia inteiro. Paradas apenas para almoço e banheiro. Ou seja, bastante cansativa.

Na última noite, ficamos no mesmo hotel do primeiro dia, no centro da cidade, já que teríamos um city tour na manhã seguinte. Ao acordarmos, um guia nos levou pelo mercado e arredores, além de pararmos em uma loja de produtos naturais para fazermos compras. Como o dirham, moeda marroquina, é bem desvalorizado em relação ao dólar e ao euro, o custo da viagem é baixo. Então pode preparar pra trazer lembrancinha pra família inteira!

Como chegar no Marrocos

De avião

Eu saí de Dublin e paguei 85 euros na passagem de ida e volta.

Saindo do Rio de Janeiro ou de São Paulo, dá para encontrar passagens por a partir de dois mil reais. A Royal Air Maroc, companhia aérea nacional do Marrocos, te dá a opção de fazer um stop over em Casablanca ou Marrakesh. Se conseguir organizar, dá até pra encaixar no roteiro. Outra dica pra quem vai fazer o stop over e não tem tempo para o tour: se a conexão for de até 24 horas, a hospedagem é por conta da companhia aérea.

Para a nossa alegria, os brasileiros não precisam de visto para entrar no Marrocos. Apenas de passaporte válido.

Por terra ou barco

Nem todo mundo sabe, mas apesar de ficar no continente africano, existe a possibilidade de chegar em Marrocos de carro, vindo da Europa. O motivo é simples: o que separa um continente do outro é o Estreito de Gibraltar, e como o próprio nome já diz, essa é uma passagem estreita rsrs.

Se você pretende fazer a travessia de carro ou até mesmo a pé, a dica é ir até Tarifa ou Algericas, na Espanha, e pegar um ferry boat para Tânger, no Marrocos. Saindo de Algericas, a viagem dura 1h30. O preço médio da passagem de ida e volta pra quem vai a pé é de 50 euros. Pra quem vai de carro fica em torno de 200 Euros.

Por Tarifa a viagem é mais curta, cerca de 1h, e os preços são basicamente os mesmos. A distância de Tânger para Casablanca é de 330 km. Para Marrakesh são 600km.

O que fazer no Marrocos: outros lugares para visitar

Se você tiver um tempinho a mais no Marrocos, há outros lugares que também valem a visita. Nós separamos os três mais famosos.

Casablanca

Apesar de não ser a capital, Casablanca é, sem dúvidas, a cidade mais populosa do país e uma das mais famosas. E o filme “Casablanca”, ganhador do Oscar, ajudou a torná-la ainda mais conhecida internacionalmente (apesar de não ter sido gravado lá, mesmo a história se passando ali). É como se fosse o Rio de Janeiro marroquino, sem toda a beleza da cidade brasileira, é claro. Por estar na costa, acaba tendo uma importância econômica muito grande, por conta do porto.

Por lá você pode conhecer a Mesquita Hassan II, que é o templo mais alto do mundo e a segunda maior mesquita no planeta, ficando atrás apenas da de Meca. É tão grande que se perder por lá não é muito difícil. Inclusive, há vários relatos de gente que se perdeu e precisou pagar pela “ajuda” pra conseguir sair. A praia de Ain Diab também é bem famosa e há restaurantes com vista pro mar. Se interessou? O Eduardo e a Mônica fizeram um ótimo roteiro sobre lá!

Mesquita Hassan II, em casablanca, no marrocos

Mesquita de Hassan, em Casablanca. Crédito: Por Ruslan Kalnitsky / Shutterstock

Fez

A Medina de Fez (Fez El Bali) é considerada Patrimônio Mundial pela UNESCO e uma das quatro cidades imperiais do Marrocos – Fez é um dos destinos mais procurados por quem viaja por aquelas bandas. A cidade já foi a capital do país, antes dos franceses transferirem o centro político para Rabat. Lá também é onde fica a mais antiga universidade da planeta, a Al Karaouine.

Um dos principais atrativos da cidade são os curtumes de couro. No local, gerações de marroquinos há oito séculos tratam o couro que será vendido nas lojas.

local para curtir couro, em Fez, no Marrocos

Curtume de couro em Fez, no Marrocos. Foto: Eric Valenne geostory / Shutterstock

Chefchaouen

Localizada ao norte do país, a cidade é muito famosa por conta de suas casinhas todas azuis, ao contrário dos tons terrosos predominantes na arquitetura do restante do Marrocos. Foi fundada em 1471, ou seja, é mais velha que o Brasil! Como em todo o restante do país, na cidade você vai encontrar uma grande medina, uma Grande Mesquita e o mercado.

Há um mirante, o “Miradouro”, onde é possível tirar uma foto panorâmica da cidade. Se você tiver um pouquinho a mais de tempo, vale a pena ir às Cascatas d’Akchour ou aos famosos Hammams, as casas de banho marroquinas. Atente-se aos horários reservados para homens e mulheres, que são diferentes. A qualidade da sua experiência pode variar de acordo com o quanto você quer desembolsar. Vale a pena dar uma boa pesquisada antes! Quer saber mais? Olha as dicas do Casal Wanderlust

casas azuis em Chefchaouen, no Marrocos

Casinhas azuis de Chefchaouen. Foto: Vixit / Shutterstock


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Fernanda Pádua

Tenho BH como meu ponto de partida e o meu porto seguro. Entrei pela primeira vez em um estádio de futebol aos 10 anos e ali descobri que queria ser jornalista. 20 anos depois, me tornei repórter esportiva e viajante nas horas vagas. Fiz intercâmbio na Irlanda em 2016/2017, pra estudar inglês. Tenho um objetivo de visitar todos os estados brasileiros e metade dos países do mundo e já percorri boa parte do trajeto, mas várias histórias e paisagens legais ainda estão por vir.

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