Vinícolas do Uruguai: o mapa do vinho perto de Montevidéu

Com quase 100 vinícolas e a fama de ser a Toscana da América do Sul, o Uruguai é uma das regiões mais importantes do continente quando o assunto é vinho. E se até outro dia o enoturismo – aquele trabalho chato, de pular de bodega em bodega em tardes preguiçosas – não era muito desenvolvido, hoje o setor não só existe, como tem alta procura: pelo menos 20% dos turistas brasileiros colocam as vinícolas do Uruguai no roteiro das férias.

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São nove regiões produtoras espalhadas pelo país, de norte a sul. Mas, para a sorte do turista, seis em cada 10 bodegas uruguaias estão em Canelones, nos arredores de Montevidéu – é  tão perto que dá para ir de Uber ou qualquer app de mobilidade.

Se você estiver em outro canto do Uruguai, convém verificar o mapa do vinho local. Há vinícolas abertas para a visitação nos arredores de Punta del Este, Colonia del Sacramento e até em Rivera, no norte do país e já na fronteira com o Brasil.

Vinícolas no Uruguai: clima e principais regiões

Para entender o clima do Uruguai basta pensar que o país, que é cercado pelo Atlântico e pelo Rio da Prata, está totalmente dentro dos paralelos 30 S e 35 S. Essa é a mesma latitude de algumas das mais famosas regiões de produção de vinho em países como Argentina, Chile, África do Sul e Austrália. Embora as mais diversas uvas tenham lugar ali, o símbolo do Uruguai é o Tannat.

bodega pizzorno, no Uruguai

Quando ir

A vindima, época da colheita da uva e começo da produção dos vinhos, é em fevereiro. Em junho ocorre o Festival do Tannat, e §em julho e agosto é hora do Festival da Poda. Fechando o calendário especial está o Dia do Enoturismo, em novembro. Mas não deixe de visitar vinícolas em outras épocas: eu estive lá em janeiro e o passeio valeu e muito. É possível fazer enoturismo no Uruguai no ano inteiro.

As mais importantes regiões de produção de vinho no país são:

  • Canelones – A principal área de vinhedos do Uruguai, concentrando 60% das bodegas. Fica a apenas 30 km do centro de Montevidéu.
  • Carmelo – Em 2014, o New York Times disse que Carmelo é uma miniatura da Toscana. O apelido pegou, e não faltam turistas pelas bodegas desse departamento, que fica a 240 km de Montevidéu e 77 km de Colônia del Sacramento.
  • Maldonado – A 130 km de Montevidéu e apenas 10 km de Punta del Este, Maldonado tem visto nascer novas vinícolas a cada dia.
  • Rivera – Na fronteira com o Brasil, Rivera fica longe de quem desce diretamente em Montevidéu ou viaja pelo litoral. O turista que chega pelo centro do Rio Grande do Sul, porém, tem bodegas para visitar.

Para saber sobre tours guiados, degustações, horários e valores você pode entrar em contato com cada vinícola – algumas delas atendem por Whatsapp. Outra opção é escolher e reservar diretamente pelo site da Los Caminos del Vino, uma associação que envolve pelo menos 20 vinícolas uruguaias.

sala de degustação da bodega bouza, em Montevidéu

Bodega Bouza

Importante: As leis uruguaias são extremamente rígidas quando o assunto é álcool e direção. Se for de carro, combine para que alguém seja motorista da rodada. Outra alternativa, mais cara, é comprar pacotes de transporte com agências, que são oferecidos em todos os hotéis, ou com as próprias vinícolas. Nós fomos e voltamos das bodegas de Canelones de Uber e não tivemos problemas – convém testar e sondar preços nos aplicativos. 

Não vou listar as mais de cem vinícolas do Uruguai, mas apenas algumas. Dentre elas, as duas que visitei e recomendo. Reserve de três a quatro horas para cada vinícola. Também é bom ter em mente que esse tipo de passeio não é baratinho e, como muita coisa no Uruguai, pode ter o preço informado em dólares.

E uma dica importante: o Uruguai isenta turistas estrangeiros do IVA, imposto de 18%, em bares e restaurantes. Para isso, basta pagar com cartão. Quem paga com Visa vê o abatimento na hora e já leva a fatura menor para casa; quem usa Mastercard paga o total, mas recebe o valor do imposto de volta na fatura seguinte. Algumas bodegas, que funcionam também como restaurantes, têm registro para dar esse desconto aos turistas. Verifique isso antes de pagar em dinheiro. Também vale a pena conferir os pacotes das bodegas que incluem não só degustação e visita guiada, mas também almoço.

5 bodegas em Canelones, perto de Montevidéu

  • Pizzorno Family States – Vinícola pequena, totalmente familiar, a ponto de você trombar com o dono na porta e ser guiado por um dos filhos – aconteceu com a gente. Faz vinhos de alta qualidade e em pouca quantidade. Ali foi inaugurada, no fim de 2018, a primeira pousada de enoturismo em Canelones. Preferimos voltar para Montevidéu depois do passeio, mas me pareceu uma boa opção para quem quer curtir com calma a área. Fica a 24 km da capital e a degustação clássica custa 30 dólares. Site oficial.
  • Bodega Bouza – Uma vinícola nova, criada em 2003, mas que é uma das mais conhecidas dos brasileiros – 100% dos visitantes do nosso tour falavam português. A pequena distância para Montevidéu, de 20 km, é outro facilitador para a visita. Tem um restaurante e a sala de degustação é repleta de carros antigos. O tour básico custa 35 dólares e é bem servido. Detalhes no site.
  • Estabelecimento Juanicó – Uma das mais conhecidas vinícolas uruguaias e diretamente responsável por introduzir a cepa tannat no país. Ali é produzido, entre outros, o vinho Don Pascual. Pelo valor histórico, a vinícola é Monumento Nacional do Uruguai. A degustação custa 30 dólares, mas há também passeios mais elaborados, com almoço e traslado inclusos. Fica em Canelones, a 46 km de Montevidéu. Detalhes no site
  • H. Stagnari – A menos 30 km do bairro de Pocitos, a H. Stagnari é outra escolha tradicional para o enoturismo no Uruguai. O marketing da vinícola garante que é feito ali o tannat mais premiado do mundo. O preço, no entanto, é mais salgado: a degustação com vinhos e queijos parte de 80 dólares e experiências mais completas passam dos 100. Detalhes no site oficial.

Dois vinhedos em Maldonado e próximos a Punta del Este

parreirais verdes da bodega garzon, em Maldonado, no uruguai

Bodega Garzón – Foto: Ministério de Turismo do Uruguai/INAVI

  • Bodega Garzón – Comandada por uma família de argentinos, a Bodega Garzón é novinha – foi inaugurada em 2016. É bonita, sustentável e queridinha dos turistas. Não é à toa que foi apontada, no final de 2018, como a melhor vinícola do Novo Mundo pela revista norte-americana Wine Enthusiast. Fica a 70 km de Punta del Este. A degustação e visita guiada custa 35 dólares. Site oficial.
  • Alto de la Ballena – A mais próxima das praias de Punta del Este, a apenas 30 km, e pertinho de um lago, o que torna a paisagem belíssima. Foi criada em 2001 e produz vinhos Merlot, Cabernet Franc, Viognier e Syrah, além da mistura Tannat-Viognier. Reservas e valores pelo email [email protected]

Dois vinhedos perto de Colonia del Sacramento

  • Narbona – A apenas 15 quilômetros do centro de Carmelo e 90 km de Colonia, a Narbona é uma das mais tradicionais vinícolas dessas região – tem mais de um século. O local, que é lindo, também serve como pousada de enoturismo. Detalhes no site da bodega.
  • Irurtia – Outra vinícola centenária, a Irurtia ainda é um estabelecimento familiar – essa já é a quarta geração de produtores, que são descendentes de imigrantes espanhóis. Fica a menos de 5 km do centro de Carmelo e pode ser acessada até de bicicleta. Reservas pelo e-mail  [email protected] Site oficial.

Vai passar uns dias na região? Veja aqui pousadas e hotéis na região de Carmelo

Vinhedo perto de Rivera, na fronteira com o Brasil

bodegas serro chapeu

Bodega Garzón – Foto: Ministério de Turismo do Uruguai/INAVI

Distante do litoral e de Montevidéu, a região de Rivera só entra no roteiro de quem mora no Rio Grande do Sul ou passa pela Ruta 5, que liga a cidade de mesmo nome à capital do estado.

A principal vinícola por ali é a Cerro Chapéu. É especialista em Tannat e já foi premiada algumas vezes por ter um projeto inovador e que usa a gravidade na produção dos vinhos. A vinícola é binacional e tem um pé em Santana do Livramento, no Brasil. A degustação básica custa 17 dólares e há opções com almoço por 50. Detalhes no site.


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Rafael

Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014 voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura. Siga minhas viagens também no instagram, no perfil @rafael7camara no Instagram

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