fbpx
Tags:
Atlas: Marrocos

Água de Rosas na cozinha do Marrocos: doces com gosto de sabonete

“Hummmm, mas que delicioso retrogosto de sabonete!”. Bastou um gole da limonada para que esse comentário surgisse e a mesa inteira caísse na gargalhada, sem saber que essa seria apenas a primeira de muitas vezes em que aquele aroma nos perseguiria: Água de Rosas.

Esse é o nome correto para o sabor comum em doces e saladas de fruta no Marrocos – e, às vezes, em comidas salgadas. A iguaria não é barata e muito menos ordinária. Plantadas na região montanhosa do país, a cadeia do Atlas, as rosas usadas no preparo da tal água são do tipo damascena, também produzidas na Turquia e Bulgária.

rosa damascena seca

Anualmente, a região do Vale das Rosas (M’Goun Valley) produz cerca de quatro mil toneladas do produto. Há um grande festival das flores na época da colheita, entre abril e junho, e na região até os táxis são cor-de-rosa em homenagem ao produto. A França, explicou nosso guia, é o maior comprador dessa matéria prima para a utilização em cosméticos. Afinal, as rosas não servem só para culinária: o aroma serve para perfumes, sabonetes e outros produtos, e e o óleo puro tem propriedades calmantes, anti-inflamatórias e tonificantes.

vale das rosas marrocos

Logo, o que incomodou não foi a qualidade do produto ou os seus benefícios para a saúde. Talvez a aversão venha com mais força ao paladar daqueles que na infância tinham pavor do cheiro daquele famoso Leite de Rosas brasileiro. Mas a teoria não vai muito longe, tendo em vista que a maioria dos meus companheiros de viagem eram portugueses e foram eles que protagonizaram os melhores momentos de horror à iguaria.

Uma delas, exasperada com mais uma salada de frutas temperada com água de rosas, declarou desiludida: “É um assassino de frutas”. Outra, depois de comprar uma caixinha inteira de doces marroquinos, quase chorou de tristeza ao descobrir, na primeira mordida, que aquele aroma forte dominava o sabor.

Mas foi uma brasileira quem definiu o gosto de água de rosas como algo parecido com “lamber um sabonete”. Como vocês podem perceber, é igualzinha a disputa sobre o amor ou ódio ao coentro, mas na versão floral.

doces tipicos do marrocos

pastille comida tipica marrocos

Na foto acima, doces típicos. Abaixo, um prato salgado que é polvilhado com açúcar (que pode vir com gosto de rosas!)

Na Europa, o ingrediente era utilizado até o século 19, quando foi – felizmente, para mim – substituído pela baunilha. Mas caso você pretenda viajar para qualquer país do mundo islâmico, esteja preparado para se deparar com o gostinho de rosas, principalmente em doces. Guloseimas como o Turkish Delight e a Baklava tem água de rosas no preparo, além de sucos e saladas de fruta.

mojito em marrakesh

Mojito sem álcool é comum em Marrakesh. É bom também verificar se é sem água de rosas antes de pedir

A água de rosas tem papel central até mesmo em festas e celebrações. Para comemorar as vitórias de jogadores muçulmanos, a água de rosas substitui o champagne até em grandes competições como a Premier League, para evitar ofender os atletas que não consomem álcool por causa da religião.

 

Inscreva-se na nossa newsletter

Avalie este post

Compartilhe!







Eu quero

Clique e saiba como.

 




Luiza Antunes

Luiza Antunes é jornalista e escritora de viagens. É autora de mais de 800 artigos e reportagens sobre Viagem e Turismo. Estudou sobre Turismo Sustentável num Mestrado em Inovação Social em Portugal Atualmente mora na Inglaterra, quando não está viajando. Já teve casa nos Estados Unidos, Índia, Portugal e Alemanha, e já visitou mais de 50 países pelo mundo afora. Siga minhas viagens em @afluiza no Instagram.

  • 360 nas redes
  • Facebook
  • YouTube
  • Instagram
  • Twitter

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

2018. 360meridianos. Todos os direitos reservados. UX/UI design por Amí Comunicação & Design e desenvolvimento por Douglas Mofet.