Relacionamentos online de brasileiras com indianos

Casos de mulheres que sonham em embarcar para a Índia com o objetivo de se encontrar com um namorado que conheceram pela internet são bastante comum. Essas histórias despertam curiosidade, afinal a Índia é um país com cultura completamente diferente da nossa. Além disso, relacionamentos entre duas pessoas que nunca se viram pessoalmente e sequer moram no mesmo país têm grandes chances de terminar em desastre. Qualquer busca pelos termos “brasileira casada com indiano” no Google revela um grande número de histórias tristes.

Foi tentando entender melhor essas mulheres e saber se, afinal, namorar pela internet e casar com um indiano dá certo, que eu conheci Penélope Fernandes. Há alguns meses, no texto sobre o visto da Índia, ela nos contou que estava prestes a sair do Brasil pela primeira vez. O objetivo? Encontrar o noivo, que é indiano. Na mesma época, mandamos um e-mail interessados em conhecer melhor essa história. Este mês ela retornou meu contato,  já oficialmente casada. A história é tão incrível que até parece novela.

Aliás, Penélope nem se chama mais assim. Como se converteu ao islamismo, o nome dela agora é Habibah Naseer Khan. O marido, o Naseer Ahmad, mora em Srinagar, na Caxemira, região que é sinônimo de conflito na cabeça de muitas pessoas por causa da disputa territorial entre Paquistão e Índia. Até hoje, é uma área que precisa ser visitada com cautela. Srinagar (mostrada na imagem de abertura do texto) é a capital de verão do estado de Jammu & Kashmir e, apesar de algumas greves gerais, é uma cidade sem conflitos graves e relativamente segura para turistas.

Quando a Penélope, que tem 38 anos e um filho pré-adolescente, conversou com Naseer pela primeira vez, em junho de 2013, ela já estava se aproximando da religião muçulmana. Quem os apresentou foi uma amiga em comum, Ana, que ela também conheceu pela internet e que namorava um homem muçulmano. Ela começou a ler sobre a religião e se interessar cada vez mais pelo tema.

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Naseer e Penelope, antes dela se converter

No começo das conversas com Naseer, ela achava que ele era fake, mas aos poucos a desconfiança foi superada. “Depois de dois meses de conversa ele me contou que era um muçulmano casado. Ele foi sincero logo no início, pois muitas mulheres acham que todos os homens indianos ou árabes são ricos. E o Naseer sempre me falou que não tinha dinheiro, mas sempre sonhou em ter uma segunda esposa”, conta.

Foi exatamente nessa hora que eu fiz a maior cara de espanto. A ideia de se casar com duas esposas é completamente distante da nossa realidade, algo digno de novela da Glória Perez. Mas Penélope, ou melhor, Habibah, já estava muito envolvida com o islamismo e completamente apaixonada por Naseer. Tanto que, em setembro, poucos meses depois de começarem a conversar, decidiram se casar.

“Minha família achou que eu era louca em ir para Índia e me casar com ele, mas eu tinha certeza que iria dar certo”, conta. Ela não falava inglês e ele não fala português, então todas as conversas eram mediadas pelo Santo Google Tradutor.

Habibah continuou seus estudos sobre o Islã. Em novembro ela realizou a Shahada, que é a profissão da fé dos muçulmanos e um dos cinco pilares do islamismo. Melhor citar a Wikipedia, que explica tão claramente: “A recitação da Shahada com a máxima sinceridade é tudo quanto é necessário para que uma pessoa se converta ao Islã”. Assim como o relacionamento, a cerimônia aconteceu online, com Nasser e o Sheikh acompanhando tudo virtualmente. Depois disso, Habibah passou a usar o hijab, aquele lenço que cobre toda a cabeça.

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Em dezembro do ano passado, a preparação do casamento teve início. Ela foi para Índia em março para conhecer pessoalmente o marido e assinar a Nikah Nama, que é o contrato de casamento muçulmano. A viagem durou 30 dias.

Perguntei se ela sentiu algum choque cultural na Índia. “Tudo para mim foi novidade, porque foi a primeira vez que fiz uma viagem internacional. Detalhe maior: sem falar inglês. Voltei para o Brasil, onde moro, mas a minha intenção é voltar para Índia. Naseer estará no Brasil em junho ou outubro, depende muito do Governo da Índia liberar o passaporte”, explica Habibah.

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O casal no frio da Caxemira

Segundo Habibah, a família dele, muçulmana e tradicional, a recebeu muito bem. No entanto,  depois de um tempo, a primeira esposa, grávida de quatro meses, não gostou da ideia de Naseer vir para o Brasil: “Ela está um pouco desconfiada. Talvez ache que ele não voltará mais”.

Quem também não gostou muito dessas mudanças na vida da mãe foi o filho de Habibah. “Minha família é da Espanha e ele está com o projeto de morar e estudar lá. Nem tem tamanho de gente ainda, mas é o que ele quer e não posso negar a realização de um sonho. Também não penso em levá-lo para Índia, pois é uma cultura muito chocante, ainda mais numa região como a Caxemira, onde a qualquer momento pode estourar uma guerra”.

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Enquanto espera pela visita do marido e pela possibilidade de morar de vez na Índia, Habibah, que é técnica de enfermagem, segue a vida e os ensinamentos de sua nova religião em Sorocaba, interior de São Paulo. “Eu penso em continuar trabalhando na Índia. Quero fazer alguma coisa em prol das pessoas. Eu estive em um hospital público e vi o quanto é precária a situação da saúde lá. As pessoas aqui no Brasil reclamam da saúde porque não conhecem a saúde na Caxemira.

Dicas de segurança num relacionamento online com um indiano

A Habibah criou um blog para contar a história do amor à distância. Ainda são poucos posts, mas achei interessante que, em um dos relatos, ela fala sobre a importância de tomar cuidado com scammers, ou golpistas. “Aqui vai o meu alerta: nunca enviar dinheiro para homens que prometem amor eterno, casamento, porque tudo que é feito parece ser um conto de fadas, mas a desilusão e o sofrimento é muito grande. Existem várias páginas na internet que falam sobre isso”.

Uma dica que nós damos para as mulheres que comentam sobre relacionamentos online com indianos é que tenham cuidado e, de preferência, peçam para o namorado ou noivo vir ao Brasil primeiro. Essa é uma forma de conhecer melhor a pessoa num ambiente que você domina. Existem casos de brasileiras que sumiram depois de ir à Índia e o perigo do tráfico internacional de pessoas é real.

Além disso, como a cultura indiana é muito conservadora, se relacionar com mulheres na internet é o jeito que vários indianos encontram para ter contato com o sexo oposto. Já li histórias escabrosas de mulheres que juntam dinheiro e vão para a Índia encontrar o amado, que sempre foi muito carinhoso, mas descobrem uma situação horrível com um cara que só quer sexo e a trata como prostituta. Ou mulheres que se casam com indianos e depois vivem uma situação de humilhação e tortura.

Além de golpes de extorsão, existem outros esquemas, como o golpe para conseguir cidadania brasileira: o indiano se casa com uma estrangeira, consegue a cidadania e depois se separa para se casar com uma indiana escolhida pela família e que vai pagar dote. Veja mais nesse post.

Por fim, cautela é a principal ferramenta para não cair numa furada internacional. Você nunca sabe realmente quem está falando do outro lado, principalmente se essa pessoa é tão gentil e carinhosa e você está perdidamente apaixonada. Mas lembre-se: príncipe encantado não existe!

Se você se interessou pelo tema, assista o programa Catfish, da MTV. Muito bem produzida, a série mostra casos de pessoas que se envolvem, sem saber, com golpistas na internet. Vale a pena assistir antes de se envolver profundamente com quem você não conhece direito – principalmente se a pessoa mora do outro lado do mundo e tem uma cultura completamente diferente da sua.

*Imagem destacada: Srinagar, Caxemira, no verão. Licença: CC-BY-3.0

 


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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 30 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

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510 comentários sobre o texto “Relacionamentos online de brasileiras com indianos

  1. Eu conheci um indiano pessoalmente no Brasil saímos ficamos juntos 2 dias ele voltou para Índia fala comigo todos dias e disse que vamos casar que vai falar com os pais pois eles são Sing usam turbantes dizem que são os mais tradicionais estou esperando para ver até onde vai .

  2. Eu amo conversar com pessoas de outras mediações, são gentil carinhoso e muito bem no fale.
    Eu amo vejo nada demais uma amizade com eles???

  3. Eu conheci um indiano pelo tinder só que ele mora na holanda ele me parece um bom rapaz ele trabalha ele é muito inteligente já me pediu em namoro que um namoro à distância e disse se de certo vai querer vim mais ao Brasil ele é muito bonito no início achei que ele era spam mais não ele é realmente lindo

  4. Ola! me chamo Lívia, tenho 44 anos, moro em Niterói. Gostaria muito de conhecer indiano que more no Brasil. Entre 40 a 50 anos. Meu WhatsApp 21 989348476 Perfis que nayo sejam Indianos, serão bloqueados

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