fbpx

Experiência de Intercâmbio na Sérvia

A Patrícia Santos é uma jornalista recém-formada que teve a oportunidade de fazer um intercâmbio pela AIESEC para a Sérvia, onde ela trabalhou por seis semanas num orfanato com crianças e adolescentes. Ela enviou para o 360meridianos um relato de como é a experiência de viver no leste europeu. 

Sabe o momento em que você vivencia pela primeira vez alguma coisa? Aquela adrenalina do desconhecido, a incerteza do futuro próximo, a excitação do novo. É bom e não é bom. O medo de tudo dar errado deixa a permanente sensação de dor de barriga até você ter certeza que vai dar certo, de que você vai ficar bem. Ah, e quando você fica bem… A empolgação duplica. Você quer fazer aquilo tudo de novo e de novo. Quase como quando você vai ao parque de diversões pela primeira vez e encara aquele brinquedo que você tinha medo.

É mais ou menos assim que eu me sinto agora. Um ano se passou e a empolgação continua. Eu estou empolgada para fazer outros intercâmbios, para realizar outros trabalhos voluntários, para ter um impacto positivo em outras vidas, outras comunidades. Eu quero tudo de novo! Ah, se eu pudesse…

Tudo surgiu como uma ideia, um pouco distante de início, até pelos custos do financiamento e pela incerteza de uma vaga em algum lugar. Eu descobri a AIESEC ainda na faculdade, por meio do trabalho de divulgação que os membros da organização local estavam fazendo. Foi divertido entrar como intercambista, provar para eles e para mim mesma os meus interesses em um intercâmbio e que eu era capaz de enfrentar uma viagem dessas.

Assim que eu consegui uma vaga, o sonho estava a meio caminho andado. Mas ainda era difícil de acreditar. Eu estava indo para Belgrado, capital da Sérvia, no Leste Europeu. O que eu sabia de lá? Quase nada! Que fazia parte da antiga Iugoslávia, que se falava sérvio e que lá moravam pessoas sérvias.

Vai fazer intercâmbio? Saiba como transferir dinheiro para o exterior com menos taxas

Tive que pesquisar tudo – qual era moeda local, como era o transporte, qual seria o clima da cidade na época, o que eles comiam… Era tudo desconhecido e isso aumentava ainda mais a dor de barriga latente do nervosismo em mim quando eu pensava na aventura.

Eu me lembro de cada passo que eu dei até o dia da viagem, cada burocracia que eu precisei pra chegar até lá, cada emoção de excitação pela aproximação do grande dia! Ah, foi lindo.

Belgrado Servia

No dia da viagem eu parecia anestesiada. Era comigo mesmo? Eu tava atravessando o mundo sozinha? A ficha ainda não tinha caído. Lembro-me de não conseguir dormir nas 15 horas de voo que eu enfrentei (com conexão) de tão nervosa e feliz que eu estava. Mas, acreditem se quiserem, assim que eu cheguei lá, passou.

Fui recebida por duas pessoas incríveis, Záric e Nemanja, da AIESEC de Belgrado, e, logo de cara, Záric desandou a falar como nunca, fazendo perguntas sobre mim e, principalmente, sobre a minha decisão de vir à Sérvia. E eu que achava que o meu inglês não daria conta, percebi que não seria tão difícil como eu imaginava me comunicar com as pessoas, pelo menos se elas fossem tão solícitas e simpáticas como Záric (e foram). Pena que a gente não teve tanto contato ao longo do intercâmbio.

Uns dias antes da viagem, eu já havia tido de antemão a informação de que eu dividiria o quarto com quatro meninos (!!!). Os outros estavam lotados e esse era o único que tinha cama vaga. Foi bom ter recebido essa informação antes porque me preparei para o pior cenário possível. E, graças a isso, que surpresa boa que eu tive!

É claro que o quarto não era um exemplo de organização (nem se fosse só de meninas seria, convenhamos), mas o meu cantinho era ótimo e os meninos foram os mais gentis possíveis comigo, especialmente na chegada. Depois, o nosso grupo virou o grupo da “bagunça” e aí era só palhaçada hahaha.

Intercâmbio Belgrado

Eu cheguei atrasada em Belgrado. A maioria já havia chegado há uma ou duas semanas e, por isso, os grupinhos e as amizades já estavam mais ou menos formadas. Admito que fiquei um pouco receosa de não conseguir me enturmar com as pessoas, mas, no geral, a maioria foi super gente boa.

A verdade é que todos estavam curiosos pra me conhecer, pois eu era a intercambista que tinha vindo de mais longe. Não havia ninguém de fora da Europa e da África. Queriam saber por que eu tinha escolhido a Sérvia para fazer o intercâmbio, por que logo a Sérvia!? A verdade é que a Sérvia me escolheu. É claro que eu me apliquei para o intercâmbio na Sérvia, mas de início eu não sabia o que me esperava.

A ideia foi crescendo em mim conforme eu fui continuando com o processo seletivo e, quanto mais eu pesquisava sobre, mais empolgada eu ficava com a possibilidade. Me pareceu uma grande oportunidade de conhecer uma cultura que eu desconhecia por completo, conhecer um país que eu não sabia quase nada sobre. E como foi!

A Sérvia só me surpreendeu positivamente nas seis semanas que eu estive por lá, com pessoas felizes e solícitas. A imagem que temos de países do Leste Europeu (da Europa, no geral) são de pessoas frias, fechadas e pouco comunicativas. Não foi o que eu senti. Na verdade, quando falávamos de onde viemos, as pessoas pareciam deixar ainda mais de lado qualquer distanciamento e demonstravam uma verdadeira vontade de nos ajudar e nos conhecer.

Em pouco tempo, me senti em casa e ainda comentava com meus amigos que eu me imaginava morando por ali, pelo menos por algum período de tempo. Claro que o grande problema deste plano era aprender o sérvio! Ô língua difícil. Mas um pouco, no básico, a gente conseguia se virar… (Hvala! Dobro! Brate!).

intercâmbistas aiesec belgrado

O meu intercâmbio de seis semanas não foi um passeio pela capital Belgrado. Eu tinha um super desafio pela frente, o meu trabalho como voluntária no orfanato de crianças e adolescentes. A ansiedade era grande e, de início, a gente teve pouco o que fazer. Muita coisa ainda parecia estar só no planejamento. Mas, aos poucos, ficamos mais participativos nas atividades.

A maior dificuldade, além da barreira cultural, era a barreira da língua. As crianças não sabiam inglês e a gente não sabia sérvio, o que dificultava um pouco a interação. Mas nossos parceiros da AIESEC nos ajudaram com nessa barreira, fazendo a tradução de tudo que queriam nos perguntar (muitas curiosidades legais!), das nossas respostas e vice-versa.

Conhecer um pouco da história de vida de cada uma das crianças foi muito especial. É claro que muitas das crianças que vivem no orfanato não tiveram exatamente uma infância ideal. Há sempre algum ponto de grande sofrimento que culminou com a mudança delas para o local, mas mais importante que isso foi ver a sua capacidade de seguir em frente, de superar as dificuldades que elas tiveram que enfrentar tão cedo na vida e conseguir reconstruir uma nova história em um novo local, em uma nova família.

Foi muito bom fazer parte dessa grande família, mesmo que por pouco tempo. E tudo que eu posso dizer do projeto da AIESEC Belgrado é que eles estão fazendo um grande trabalho.

 AIESEC-Belgrado-intercâmbio

Além do trabalho, é claro que eu tive a oportunidade de fazer um turismo básico, conhecer a noite sérvia e mais um monte de pessoas interessantes que vivem por lá. A noite sérvia se resume basicamente às boates que ficam na beira dos rios, o Sava e o Danúbio. Se chamam “Splavs” e são sen-sa-cio-nais. O clima é incrível porque são barcos atracados nas beiras dos rios, um do lado do outro, o que deixa os passeios em volta desses lugares cheios de gente louca pra se conhecer. Só é difícil escolher em qual entrar hahaha.

As músicas são bem aquelas músicas de boate mesmo, iguais a de qualquer lugar no mundo. Eletro, pop, hip hop e, às vezes, música local. Mas, se você está mais interessado em conhecer melhor a cultura local e conhecer um verdadeiro recinto sérvio, você precisa ir numa “Kafana”. Aí sim você ver o que é uma night sérvia de verdade! A noite na Kafana foi de longe uma das melhores de todo o meu intercâmbio.

Lá só toca música local, mas aquele tipo de música que todos cantam a plenos pulmões, sabe? São tipo as classiconas da cultura sérvia e a empolgação é tão grande que as pessoas sobem nas mesas, pulam, dançam, se divertem mesmo. Tudo isso regado a muita Rakia, bebida típica de lá (tipo a nossa cachaça), fortíssima, mas deliciosíssima também! (Aconselho o tipo “Dunia”, muito bom!).

Acho que posso dizer que fiz grandes amizades por lá. Até hoje, um ano depois, estamos sempre comentando da saudade que sentimos das nossas aventuras pela Sérvia. Fiz uma amiga bósnia que me levou pra conhecer a casa dela. Eu tive a oportunidade de passar cinco dias vivendo como uma verdadeira bósnia, na capital Sarajevo, comendo a comida típica deles do dia a dia e fazendo tudo que os jovens de lá fazem. Uma das famílias mais simpáticas e interessantes que eu tive a oportunidade de conhecer em toda a minha vida. Jamais me esquecerei dos Dulovic’s!

Também consegui viajar pra Hungria, uma das ideias doidas que eu e minha amiga turca tivemos durante o intercâmbio, mesmo com pouquíssimo dinheiro. Mas foi incrível! Conhecer Budapeste foi como ver de perto aquelas paisagens de filmes com construções incríveis, de estilo gótico, que sobrevivem há séculos no mundo. Cidade lindíssima e com pub’s incríveis também!

Aliás, uma das coisas mais marcantes da noite de Budapeste são os pub’s. Tem de todos os tipos e estilos, mas os mais legais são aqueles que parecem em ruínas. Ficam em construções antigas, têm as paredes de pedra e aparentam estar deterioradas pelo tempo, mas ao mesmo tempo têm seu lado moderno com pista de dança e bares cheios de drinks. São os pubs mais famosos.

Tudo isso que eu falei foi pouco, pouquíssimo perto do que eu vivenciei nesse período de tempo, o suficiente para mudar minha vida. Conheci e fiz amizades com pessoas de lugares e religiões que eu talvez nunca imaginasse que fosse conhecer. Conheci lugares de milhares de anos e conheci o modo de viver de um dos lugares mais interessantes desse mundo.

Ah, se eu pudesse viver assim, numa eterna aventura pelo mundo! Agora, o que sobra é a saudade e a certeza de que tive a oportunidade de vivenciar o que poucos nesse mundo têm, de ver lugares que iam muito além da minha capacidade de imaginação e que, hoje, eu vejo e revivo pelo menos um pouquinho todos os dias na minha memória. Obrigada, Sérvia!

*Se você quiser falar diretamente com a Patrícia pode escrever para ela no email: pati.sant@gmail.com

Clube Grandes Viajantes

Assine uma newsletter exclusiva e que te leva numa viagem pelo mundo.
É a Grandes Viajantes! Você receberá na sua caixa de email uma série de textos únicos sobre turismo, enviados todo mês.
São reportagens aprofundadas, contos, crônicas e outros textos sobre lugares incríveis. Aquele tipo de conteúdo que você só encontra no 360 – e que agora estará disponível apenas para nossos assinantes.
Quer viajar com a gente? Então entre pro clube!

Avalie este post

Compartilhe!







Banner para newsletter gratuita

Receba grátis nosso kit de Planejamento de Viagem

Eu quero!

 

 




AIESEC

Uma organização apartidária, independente, educacional, sem fins lucrativos e totalmente formada e gerenciada por estudantes universitários.

  • 360 nas redes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

3 comentários sobre o texto “Experiência de Intercâmbio na Sérvia

  1. Olá!!!

    Tenho interesse em ir para um país do leste europeu pela aiesec fazer intercambio social. mas meus recursos são meio escassos… Você poderia dizer quanto gastou nas 6 semanas, mais ou menos? Incluindo passagem? E o seu inglês era fluente?? Só tenho o de escolas de idiomas

  2. Adorei o relato! Muito show!!!!!
    Um destino assim, tão diferente dos óbvios, me fez refleti um pouco (encararia uma aventura dessas?)… Sair da zona de conforto requer coragem!

    Desejo tudo de bom para Patrícia! Inspirador!

2018. 360meridianos. Todos os direitos reservados. UX/UI design por Amí Comunicação & Design e desenvolvimento por Douglas Mofet.