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Atlas: Buenos Aires, Argentina

Como visitar o Congresso Nacional da Argentina, em Buenos Aires

Durante dois meses, fui vizinho de senadores e deputados. É que o período que morei em Buenos Aires foi dividido entre dois endereços da Avenida Rivadavia, ambos a poucos metros do Congresso Nacional da Argentina. Todos os dias… ok, mentira, vou começar de novo. Em dias raros, quando vencíamos a preguiça, era em frente ao Congresso da Nação que nós fazíamos caminhada e exercícios físicos. Também era na Pizzaria Continental próxima ao Congresso que eu ia buscar aquela refeição apressada de fim de noite. Imponente, o prédio do congresso argentino estava sempre ali, na esquina de casa, olhando pra gente.

Mesmo fazendo parte da minha vida durante meses, quase que eu não visitei o Congresso Nacional da Argentina. E olha que as visitas guiadas são de graça! Na minha última semana no país, corrigi esse problema. E recomendo a visita, principalmente se você tem tempo de sobra, está procurando um programa diferente em Buenos Aires ou se você se interessa por política.

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Um pouco da história do Congresso

O poder legislativo da Argentina já teve vários endereços. A princípio, deputados e senadores trabalhavam num prédio próximo à Plaza de Mayo. Com o crescimento populacional, rolou o consequente aumento no número de parlamentares. Com isso, no final do século 19 a Argentina precisava de uma nova sede para o Congresso Nacional.

Antigo Congresso

Antigo Congresso da Argentina

Nessa época toda Buenos Aires estava em reforma. Uma das grandes obras foi a construção da Avenida de Mayo, que sai da Casa Rosada e atravessa a Avenida 9 de Julho. O terreno que se situava na outra ponta da nova Avenida, estrategicamente de frente para a Casa Rosada, se tornou a melhor opção para receber a nova sede do poder legislativo.

Depois de um breve concurso para definir qual o melhor projeto para o prédio, as obras começaram. E aconteceu algo não muito incomum nesses casos: o orçamento total da obra logo foi ultrapassado, assim como o prazo de entrega. Beleza, disseram os responsáveis, é só a gente investir mais uns milhões de pesos e daqui a alguns meses estará tudo pronto.

Não estava.

Após muitos atrasos, o Palácio do Congresso Nacional foi finalmente inaugurado 1906, nove anos depois do começo das obras. Mas foi inaugurado com um monte de obras ainda acontecendo no lugar. No fim das contas, o prédio só ficou pronto em 1946! Nessa altura, a imprensa já tinha um apelido carinhoso para o prédio do Congresso: Palácio de Ouro, tamanho foi o rombo no orçamento que o projeto causou.

Advinha o que tinha acontecido quando o Palácio ficou pronto? A população da Argentina tinha crescido novamente, aumentado por tabela o número de parlamentares. Resultado: o prédio do Congresso tinha se tornado pequeno e foi necessário erguer edifícios anexos ao prédio principal.

Congresso da Argentina

Com a construção do prédio, o governo resolveu que valia a pena investir mais uma grana e fazer uma praça em frente ao Congresso, ajudando a compor a vista da cidade. Parte da população não gostou disso, claro, mas não dá para negar que o resultado ficou fantástico.

Na realidade são três praças: Plaza del Congreso, Plaza Lorea e Plaza Mariano Moreno, mas todo mundo chama o conjunto de Praça do Congresso mesmo. Ali está uma das versões da Estátua O Pensador, de Auguste Rodin. Fontes, jardins e outras estátuas completam a praça, que marca o quilômetro zero e serve de base para o cálculo de todas as distâncias em Buenos Aires.

E uma dica: mesmo que a visita ao prédio do Congresso não te interesse, a vista da região é uma das mais bonitas da cidade. Por isso, nada melhor que subir ao Palácio Barolo, que fica ali pertinho.

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Buenos Aires, Argentina

Vista do Congresso e das praças a partir do Palácio Barolo

Como é a visita ao Congresso Nacional da Argentina

Lembre-se que o Palácio do Congresso da Nação é onde trabalham deputados e senadores. Você pode fazer sua visita começando pelo Senado ou pela Câmara dos Deputados. Cada casa tem um sistema de visitas guiadas, mas no fim das contas o percurso visitado é o mesmo. Procure uma das entradas laterais do prédio e pergunte sobre a visita. Foi isso que eu fiz.

Logo de cara ficou evidente que eu era o único estrangeiro na visita. O grupo, cerca de 20 pessoas, era formado por muitos estudantes de direito e alguns turistas da própria Argentina. A guia explicou o funcionamento do Poder Legislativo e quais as atribuições de deputados e senadores no país. Ela também contou algumas das histórias da construção do prédio.

Plenário Câmara de Deputados

Plenário da Câmara dos Deputados

A visita passa pelos plenários das duas casas. Segundo a guia, há um sistema automático de votação em cada uma dessas cadeiras, que também contam com sensores – assim que o deputado chega ao seu lugar, um sensor avisa que ele está lá, informação que é transmitida para o painel e para o presidente da Câmara.

No caso do Senado, que é bem menor, há uma diferença em relação ao modelo brasileiro: assim como nas constituições de Estados Unidos e Uruguai, o presidente do Senado é o vice-presidente da República, que tem a atribuição de chefiar as reuniões e desempatar votações.

Além dos plenários, a visita passa por outras salas do Congresso, como o hall de entrada (que recebe visitantes ilustres), a biblioteca e o local onde são realizados velórios de presidentes e ex-presidentes.

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Congresso da Argentina

Informações práticas para visitar o Congresso da Nação

No programa organizado pela Câmara de Deputados as visitas ocorrem de segunda a sábado, nos seguintes horários:  11h, 13h, 15h e 17h. Para participar, basta estar na entrada da Avenida Rivadavia (número 1864) 15 minutos antes da hora marcada.  Os tours são em espanhol e (quando necessário) inglês. Mais informações aqui.

Já as visitas guiadas do Senado ocorrem de segunda a sexta, em dois horários: 12h30 e 17h. A entrada do Senado fica na Hipólito Yrigoyen, 1849. Mais informações aqui.


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Rafael

Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014 voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura. Siga minhas viagens também no instagram, no perfil @rafael7camara no Instagram

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