Como planejar uma viagem para a Chapada Diamantina

Deve ter alguma coisa na água da Chapada Diamantina que faz com que quem a visite não queira ir embora nunca mais. Ou talvez seja a simpatia das pessoas dali, o clima ao mesmo tempo rústico e cosmopolita (há turistas do mundo inteiro), a comida baiana, o sotaque, a natureza exuberante, a atmosfera mística e, por que não, mágica. Fato é que não importa a quantidade de dias que você separe para essa viagem, você sempre vai sair de lá com aquele amargo gostinho de quero mais.

Onde fica a Chapada da Diamantina

Localizada em uma área de mais de 1500 quilômetros quadrados, bem no meio da Bahia, que abriga uma infinidade de grutas, rios, cachoeiras, trilhas, morros, vales, vilarejos, mirantes, paredões e cânions cercados de muito verde, o Parque Nacional da Chapada Diamantina já se consolidou como o principal destino de ecoturismo do país e um dos queridinhos no coração de muita gente. Embora já exista um circuito turístico mais ou menos estabelecido, que envolve as principais cachoeiras e atrações da região, há um sem-fim de lugares a serem explorados pelos mais aventureiros – e uma parte significativa da Chapada sequer foi mapeada ainda.

Salvador fica a 394 km de distância e Vitória da Conquista está a 328 km.

Como Chegar à Chapada Diamantina

A companhia Real Expresso faz o trajeto de ônibus entre Salvador e Lençóis, com quatro partidas diárias. A viagem dura entre 6h30 e 8h, dependendo das condições da estrada. Quem vai de carro, partindo de Salvador ou do sul, precisa passar por Vitória da Conquista antes de pegar a BA-262 e a BA-142. O Aeroporto de Lençóis (LEC) recebe voos regulares de e para Salvador, operados pela Azul.

Chapada da Diamantina: carro ou agência de turismo?

Quem estiver de carro terá bastante liberdade para explorar a região por conta própria, mas fique atento às trilhas. Nessas horas, não vale a pena economizar o dinheiro do guia. Não são raros os casos de turistas que acabam perdidos na mata, e nem sempre esses casos têm um final feliz.

Quem não estiver motorizado nessa viagem pode contar com as inúmeras agências de turismo que operam na região, bem como com o serviço de guias independentes. Os passeios ficam em torno de R$200, mas fechando vários deles é possível conseguir um bom desconto. Para o trekking do Vale do Pati, eu contratei a Chapada Adventures Daniel, por indicação da Luísa Ferreira, do Janelas Abertas, e gostei do serviço deles. Contratar os guias diretamente sai mais barato, mas lembre-se de ter por escrito os termos dos passeios, como número de participantes no grupo e a descrição detalhada do serviço. Se quiser um guia independente de confiança, indico os serviços do amigo Rodrigo Marques (contato por telefone ou wpp no número 31 97574-7268).

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Onde ficar na Chapada Diamantina

Lençóis, capital da Chapada Diamantina

Lençóis (BA)

Lençóis é a “capital” da Chapada. É ali que fica a maior parte da estrutura turística da região e há bons hotéis e restaurantes excelentes. A cidade é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) devido a seus belos casarões construídos no século 19, herança da época em que o garimpo era o principal motor da economia local.

Lençóis conta com fácil acesso a diversas cachoeiras e atrações naturais, algumas delas acessíveis a pé, com o Parque da Muritiba. Isso sem falar na atmosfera cosmopolita da região e nas diversas atrações culturais que usam a cidade como palco: destaque para as festas de São João, em junho, e o Festival de Lençóis, em setembro.

O albergue Chapada Hostel, localizado no centrinho da cidade, tem uma avaliação fantástica entre os hóspedes. Com opções de quartos privativos e compartilhados, o local oferece diárias a partir de R$50 por pessoa, assim como o Tropicália Hostel. Hospedagem familiar, acolhedora e com conforto, é o que não falta por ali. Nessa linha, a Casa de Jorge, a Casa Solar Azul e a Cantinho de Lençóis estão entre as favoritas dos viajantes do Booking. Quem prefere algo mais sofisticado pode dar uma olhada na Pousada Vila Serrano.

Encontrar hotéis em Lençóis

O Vale do Capão, nome carinhoso dado ao município de Caeté-Açu, é o refúgio mais hippie da região. A cidade é minúscula, mas conta com uma boa oferta de hotéis que se espalham por um raio de 10km, alguns deles bem isolados e com vistas deslumbrantes da Chapada. Um exemplo é a Pousada Bella Vista do Capão e a Riachinho Pousada Fazenda.

Encontrar hotéis no Vale do Capão

Cidades como Mucugê (veja hotéis) e Andaraí (encontrar hotéis) têm menor oferta de hospedagem e a maior parte do que há é bastante simples. Em Guiné só há uma opção no Booking, o Beco do Guiné.

Quanto tempo ficar

Pelo menos uma semana. Esse é o tempo que você vai precisar para ver as principais atrações do circuito turístico de Lençóis. Acrescente mais três ou cinco dias se você quiser fazer o trekking do Vale do Pati – há grupos que fazem o circuito com ambas as durações, sendo o mais completo o de cinco dias -, considerado o mais cênico do Brasil. Se quiser também passar por outras bases, como o Vale do Capão ou Mucugê, considere acrescentar mais dois ou três dias. No mais, aceite que você não vai conseguir ver tudo em apenas uma viagem. Visitar a Chapada Diamantina é ter pra sempre aquela vontade de voltar.

Mirante no Cachoeirão no Vale do PAti

Trilha do Vale do Pati, na Chapada Diamantina, considerada a mais cênica do Brasil

Melhor época para visitar a Chapada

A Chapada Diamantina pode ser visitada durante todo o ano. A alta temporada vai de dezembro a fevereiro, quando as chuvas de verão enchem os leitos dos rios e as cachoeiras. Entre maio e setembro é a época seca – mas você pode pegar tempo nublado e pancadas de chuva esporádicas. Durante as festas de São João, Lençóis fica cheia de turistas de Salvador e de outras partes do país. A festa é linda, mas os hotéis lotam e as diárias aumentam consideravelmente – lembre-se de reservar com antecedência.

O que levar na mochila

Uma bota de trekking impermeável é um excelente investimento para essa viagem. Mas se você não tiver, um bom tênis de caminhada vai servir também. Roupas de trilha – coloque pelo menos uma calça comprida -, uma corta vento ou fleece, porque as temperaturas no inverno podem ficar abaixo dos 15°C, uma mochila pequena para os passeios, capa de chuva, câmera fotográfica, óculos de sol, protetor solar, repelente, roupa de banho e muita disposição para as trilhas que, nas versões mais intensas, podem ultrapassar os 20 quilômetros de caminhada por dia. Mas a recompensa pelo esforço é garantida.

O que fazer na Chapada Diamantina: roteiro de 7 dias

Cachoeira Chapada Diamantina

Sugestão de roteiro de sete dias, usando Lençóis como base:

  • Dia 1 – Morro do Pai Inácio

Morro do Pai Inácio em dia de Neblina

Vista do Morro do Pai Inácio em dia de neblina

Uma das vistas mais emblemáticas da região, o Morro do Pai Inácio consta entre os passeios preferidos de muita gente. Se puder, vá num dia claro, de boa visibilidade, para aproveitar a vista, embora as condições climáticas por ali mudem bastante e seja difícil prever como vai estar o céu na hora da sua visita. As agências costumam incluir no pacote uma parada na Gruta da Lapa Doce e a piscina natural da Pratinha com a Gruta Azul.

  • Dia 2 – Poço Azul e Poço Encantado

Poço Azul na Chapada Diamantina

Poço Azul

Grutas que escondem poços subterrâneos com água azul royal e de uma transparência inimaginável. O fenômeno, causado pela presença de minerais e a incidência da luz do sol ocorre nas duas grutas e são bastante similares, mas cada uma apresenta características próprias. No Poço Encantado é proibido nadar, já no Poço Azul a experiência de flutuar em meio aquelas águas é inesquecível.

  • Dia 3 – Cachoeira do Mosquito e Poço do Diabo

Cachoeira na Chapada Diamantina

A trilha até a Cachoeira do Mosquito é tranquila. A única dificuldade é subir os lances de escada na volta. Chegando lá, somos recompensados com um banho gelado na cachoeira, cuja queda chega aos 50 metros de altura. O passeio é em geral vendido junto com a visita ao Poço do Diabo.

  • Dia 4 – Cachoeira da Fumaça

A Cachoeira da Fumaça fica mais próxima ao Capão, e quase sempre dá para fazer uma paradinha por ali para conhecer. É a maior cachoeira do país, com 380 metros de altura. Por isso, a trilha até o topo é puxadinha, mas nada que assuste. São 12 quilômetros, ida e volta, sendo os primeiros dois mais íngremes.

  • Dia 5 – Lençóis, Parque da Muritiba e Ribeirão do Meio

Para descansar as pernas, passeie pelos casarões históricos de Lençóis e vá subindo a pé até o Parque da Muritiba, que fica dentro da cidade. Lá dentro, visite os poços de água com hidromassagem natural, o Salão de Areias e o Poço Halley. Se ainda tiver pique, vá ao Ribeirão do Meio à tardinha, fica a quatro quilômetros do centro de Lençóis.

  • Dia 6 – Cachoeira do Buracão

Outra das favoritas da Chapada, a cachoeira do Buracão tem 85 metros de queda e um visual indescritível. A trilha até lá tem apenas 3 quilômetros e o nível de dificuldade é baixo. O trecho final, no qual é preciso nadar ou atravessar agarrado às pedras, pode assustar quem tem pouca experiência. O uso de colete salva-vidas é obrigatório nesse ponto.

  • Dia 7 – Remanso e Marimbus

Os moradores da vila quilombola de Remanso alugam canoas e te guiam pela região de Marimbus, uma planície alagada que recebeu o apelido de mini-pantanal, uma paisagem completamente diferente de tudo que você na Chapada viu até agora.

Vai fazer a trilha do Vale do Pati? Não perca nosso post sobre o tema!

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Natália Becattini

Já chamei muito lugar de casa, mas é pra Belo Horizonte que eu sempre volto. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Além do 360, mantenho uma newsletter sobre o a vida, o universo e tudo mais, que eu chamo de Vírgulas Rebeldes. Vira e mexe eu também estou procrastinando lá no instagram @natybecattini e no twitter.

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2 comentários sobre o texto “Como planejar uma viagem para a Chapada Diamantina

  1. Oi, Natália! Excelente post sobre uma região riquíssima de atrativos e vivências. Moro em Rio de Contas, a cidade mais antiga de toda a Chapada Diamantina (e com casario histórico mais bem preservado que o de Lençóis, a propósito), e posso afirmar que as pessoas, a comida e o clima daqui são diferenciais enormes na qualidade de vida.

    Inclusive, a região oferece bem mais do que o roteiro tradicional que fica no parque e suas cercanias imediatas. A própria Rio de Contas em si já tem bastante coisa legal pra curtir, trekkings excepcionais pelos 3 pontos culminantes do Nordeste (Pico do Itobira, Pico do Barbado e Pico das Almas, todos na zona rural de Rio de Contas e limites municipais), cachoeiras etc etc.

    Sobre transportes: a região sul da Chapada (Rio de Contas, Ibicoara e Mucugê, podendo incluir até Piatã – lugar do melhor café do Brasil nham) tem atrativos quase tão bons quantos o do Parque Nacional e são bem menos explorados. E para visitantes de outras regiões do Brasil, uma opção que ficou bem atraente para visitar é chegando via aérea por Vitória da Conquista, que acabou de inaugurar novo aeroporto e está na iminência de estrear voo diário da Gol, partindo de GRU. A Passaredo já opera voo diário GRU-VCA, porém demora mais (3h contra 1:45h em média), pois é feito no turboélice ATR-72, enquanto a GOL voa Boeing 737. A Azul também oferece voos de BH com o Embraer 190. Com a Gol os preços estão bem razoáveis partindo de SP, vale pesquisar ;). E uma vez em VCA, tem ônibus diários pela empresas Novo Horizonte e Entram, com preços entre R$ 25-40 para as cidades q mencionei. Outra opção é alugar veículo, pois no aeroporto tem agência da Localiza. Rodando entre 220 e 280 km (320 km para Piatã), você está na sede de qualquer uma das três, com asfalto variando entre ótimo e regular =D.

    Sendo assim, se a pessoa quer conhecer essa parte ao sul do Parque Nacional, é melhor chegar por VCA de avião do que por Lençóis, que só tem voo vindo de Salvador (Azul) duas vezes por semana e com tarifa bem salgada, sem contar a praticamente inexistente opção de sair do aeroporto de Lençóis caso o seu destino e/ou base para passear pela região não seja Lençóis. Espero ter ajudado e fica a sugestão/convite para vir conhecer Rio de Contas um dia (e Ibicoara, e também Mucugê) =D

    Abraço e axé!

    1. Olá Rodrigo!

      Muitíssimo obrigada pelas informações, não vejo a hora de voltar para a Chapada e conhecer a parte sul e diversas outras atrações que não pude ver na primeira viagem. Esse é um destino para retornar sempre!

      Abraços! 🙂

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