Tayrona: guia completo para planejar sua viagem

No passado, a Sierra Nevada de Santa Marta era o centro do mundo do povo Tayrona. Era ali que todos os elementos se encontravam: a montanha e a floresta, o mar e a neve. Por isso, construíram ali suas pequenas comunidades com casas de madeira, consagraram espaços naturais como templos ao ar livre e encontraram formas de estudar as estrelas. Com a chegada dos colonizadores, esse povo se viu obrigado a buscar refúgio cada vez mais escondidos nas entranhas da serra e esse movimento deu origem a quatro novos povos: os Kogi, Wiwa, Arhuacos e Kankuamo, que tem hoje no Parque Nacional Tayrona sua casa.

Com 12 mil hectares em terra e 3 mil em mar, esse é um dos parques nacionais mais importantes da Colômbia e também um dos mais surpreendentes. Foi sem dúvidas o meu local favorito durante a viagem pela América do Sul e é bem difícil sair de lá sem vontade de voltar. Praias selvagens de areia branca se estendem detrás dos morros e da densa floresta tropical, o que transforma o local em um refúgio de biodiversidade tanto terrestre quanto marinha com paisagens deslumbrantes. Veja agora um guia completo para visitar o Parque Nacional Tayrona.

Parque Nacional Tayrona, Colômbia

Como chegar ao Parque Nacional Tayrona

Existem diversas maneiras de chegar ao Parque Tayrona que variam em preço e comodidade:

  • De ônibus público, saindo de Santa Marta ou Palomino: Essa é a maneira mais barata e a mais utilizada por viajantes em direção ao Tayrona. Os ônibus saem a cada 30 minutos do terminal rodoviário de Santa Marta, que fica próximo ao mercado, e param em frente à entrada do parque. A passagem custa 7.000 pesos (R$10) e a viagem dura em torno de uma hora. Se você está em Palomino ou em alguma praia do outro lado do parque, a mesma linha faz o trajeto na direção contrária (sentido Santa Marta) e também para na portaria do Tayrona. O valor da passagem é calculado pela distância e deve ser pago diretamente ao motorista.
  • Táxi: Um táxi saindo de Santa Marta até a portaria do Tayrona deve custar em torno de 80.000 pesos (R$110). Pode ser uma boa ideia se você viaja em grupos grandes, mas fazer o trajeto de ônibus foi bem tranquilo.
  • Shutter de Santa Marta ou Taganga: Vans privadas pegam você no seu hotel em Santa Marta ou Taganga e deixam na entrada do parque. Você pode reservar um lugar na recepção do seu hotel ou nas agências locais espalhadas em ambas as cidades. O preço varia, mas pode custar a partir de 20.000 pesos (R$ 30) para Taganga e bem mais para Santa Marta.
  • De barco, saindo de Taganga: Talvez a maneira mais divertida de viajar até o Tayrona. Os ônibus saem da pequena praia no centro do vilarejo às 9h30 e às 10h30 da manhã. O preço varia entre 35.000 e 40.000 pesos e você pode pagar diretamente ao capitão ou reservar um lugar nas agências locais no dia anterior. O barco já deixa você em Cabo San Juan, uma praia linda e com as melhores opções de hospedagem econômicas. Indo dessa forma, você evita ter que percorrer uma trilha de 7,5 quilômetros dentro do parque até Cabo. Essa é a melhor alternativa para quem só pretende passar o dia no parque. Barcos de volta a Taganga deixam Cabo San Juan às 15h30.

Leia também:
O que fazer em Santa Marta
O que fazer em Cartagena das Índias

Parque Nacional Tayrona, Colômbia

Quanto custa visitar o Tayrona?

A entrada para o Tayrona custa 44.500 pesos (R$60, preço de 2018, estudantes de até 25 anos pagam meia), independente do tempo que você deseja permanecer lá dentro. Isso é bem acima de outros parques e atrações colombianos, e os preços têm subido a cada ano. Por isso, vale a pena ficar mais tempo para compensar o valor da entrada. Ao comprar o ticket na bilheteria do parque, você receberá uma pulseira de papel (essas de balada), que serve como uma permissão de estadia. Da portaria, você pode caminhar ou pagar mais 3000 pesos (R$4) para uma van que te deixa no início da trilha que te levará para a área de camping. O primeiro local apropriado para banhistas é Arrecifes, a 3,5 quilômetros. O mais popular é Cabo San Juan, a 7,5 quilômetros.

Parque Nacional Tayrona, Colômbia

Importante: É preciso apresentar o passaporte ou do RG brasileiro para entrar no parque.

O aluguel de uma barraca com colchonete fica entre 40.000 e 70.000 pesos por dia (entre R$55 e R$95). Uma garrafa pequena de água dentro do parque custa 5.000 pesos (R$6,30). Uma latinha de cerveja local custa 6.000 pesos (R$8). Uma arepa recheada ou uma empanada com uma latinha de refrigerante custa 11.000 pesos (R$15). Uma refeição completa em um restaurante custa a partir de 25.000 pesos (R$35)

Em março de 2018, eu gastei entre R$100 e R$150 por dia no Tayrona, incluindo todos os transportes e a entrada, a diária no camping e uma cervejinha no fim do dia. Eu não comi nos restaurantes, levei alguma comida para cozinhar e comprava empanadas e arepas dos vendedores ambulantes.

O que levar para o Tayrona?

Seja lá quantos dias você for ficar no Tayrona, leve pouca bagagem. Para chegar aos melhores locais de hospedagem, você precisará por uma trilha de mais ou menos 7,5 quilômetros, carregando cada quilo que você levar e debaixo do calor e umidade da floresta tropical.

Os hotéis em Santa Marta, Taganga e região costumam guardar a bagagem dos hóspedes sem custo pelo tempo em que eles vão ficar no Tayrona. Nas duas noites anteriores à minha entrada no parque, eu me hospedei no Playa Los Angeles, um hostel/resort na beira da praia que fica na estrada para o parque, a cinco minutos de ônibus da bilheteria. Deixei meu mochilão por lá e, quando saí, só passei para buscar antes de seguir de volta para Santa Marta.

Parque Nacional Tayrona, Colômbia

Veja agora alguns itens essenciais para visitar o Tayrona:

  • Roupas: tecidos leves, shorts, roupa de banho e canga. Leve uma jaqueta leve, pois pode ficar mais fresquinho à noite.
  • Chinelo
  • Bota para trilhas ou, se você não tiver, um tênis confortável para andar muito
  • Protetor Solar
  • Repelente
  • Óculos de sol
  • Uma lanterna (eu usei a do celular)
  • Água – ele vendem dentro do parque, mas é bem caro
  • Lanchinhos e comida (não dá para cozinhar em todos os campings, veja abaixo)

Onde ficar no Parque Tayrona?

Mapa Tayrona

Há diversas opções de hospedagem no Tayrona. A mais popular é o camping em Cabo San Juan, tanto pela linda praia justo em frente – uma das melhores para banho – quanto pela estrutura do camping, que conta com um bom restaurante no qual você provavelmente terá que fazer suas refeições, já que não há cozinha por ali. Esse também é o que exige a caminhada mais longa a partir da bilheteria, de 7,5 quilômetros.

Outra boa opção com praias próprias para banho e um pouco mais barata é o camping de Arrecifes, 3,5 quilômetros antes de Cabo. Por ali há mais de uma opção de camping e você estará a cinco minutos da praia mais próxima, o que faz dessa uma opção popular para quem quer gastar e andar menos.

Castilletes têm os preços mais baixos, wifi, restaurante e também uma cozinha rústica (você precisa fazer seu fogo com lenha disponibilizada ali), e é o camping mais barato entre esses e mais próximo da entrada, o que dispensa a caminhada com as coisas, mas, embora esteja de frente para uma linda praia, está longe dos locais de banho, já que o mar ali é bastante bravo. Por isso, você acaba tendo que fazer a trilha todos os dias se quiser se banhar.

Parque Nacional Tayrona, Colômbia

Cabo San Juan del Guía

Todos os campings têm opções de estadia em redes ao ar livre, aluguel de barraca (inclui colchonete e cobertor), oferta de espaço para camping (para quem leva o próprio equipamento) e pequenos chalés. Dentro do parque há também hotéis e eco-vilas. Se você for ficar em redes ou barracas, não deixe de levar um cadeado e peça um locker no seu camping.

Quem chega sem hospedagem pode procurar um pequeno escritório do lado do portão oposto à bilheteria. Eles vão te contar as opções de hospedagem. Você escolhe a que mais te convêm e eles ligam para os hotéis e campings de sua preferência para fazer a reserva. Você paga ali mesmo e, quando chegar ao camping, eles já vão estar te esperando. Há também algumas opções de hospedagem no Booking.com, mas preste atenção na hora de fazer a reserva, pois grande parte dos hotéis listados ali não estão dentro dos limites do parque, mas sim nas redondezas, como o Playa Los Angeles, que eu citei lá em cima.

Além desses há campings menores, mais rústicos – e possivelmente mais baratos – espalhados pelas praias e trilhas, que ninguém vai te contar da existência. A única forma de encontrá-los é procurando quando você estiver dentro do parque.

O que fazer dentro do Parque Nacional Tayrona: praias e atividades

A maior parte das praias dentro do Parque Tayrona estão proibidas para banho, uma vez que as ondas e a correnteza na região são muito fortes. Respeite esses avisos para a sua própria segurança. Você não seria o primeiro a se afogar naquelas praias. Entre as praias na qual é possível dar um mergulho, Cabo San Juan é a principal escolha. A praias de Arrecifes não é própria para banho – é inclusive considerada uma das praias mais perigosas dentro do parque -, mas é vizinha bem próxima de outras que são. Por exemplo, La Piscina, que está justo ao lado, e é tão calminha que é a opção preferida de famílias com crianças. Perto dela, fica La Piscinita, uma versão menor, que pode ou não estar liberada para banho, a depender da maré (fique atento às placas).

Parque Nacional Tayrona, Colômbia

Seguindo o caminho de areia a oeste de Cabo, você chega em uma área nudista dentro do parque. Essa região também só está liberada para banho quando a maré está de bom humor.

Além das praias, separe um dia para fazer uma caminhada morro acima até Pueblito, uma antiga cidade construída pelos Tayrona que ainda preserva as casas tradicionais desse povo, feitas em madeira, e seus locais de culto. Saindo de Cabo San Juan, são apenas dois quilômetros e meio, mas a inclinação do terreno pode tornar o trajeto um pouco lento, então espere caminhar por cerca de uma hora e meia. Esse local ainda é habitado por um grupo de indígenas, descendentes dos Tayrona, por isso tenha em mente de que você está entrando na casa de alguém.

Parque Nacional Tayrona, Colômbia

Nueve Piedras

Outra trilha famosa no parque é a das Nueve Piedras, uma trilha que leva a locais sagrados dos Tayrona. O caminho é plano e bem tranquilo e, embora as praias ali sejam perigosas, o visual é tremendo. No caminho, não deixe de parar para ler as placas explicativas dos rituais para entender melhor a cosmovisão desses antigos habitantes.

Parque Nacional Tayrona, Colômbia

Casas de madeira estilo Tayrona

Dicas para visitar o Parque Nacional Tayrona

Prefira visitar o parque em baixa temporada – de fevereiro a novembro – quando as praias e campings não estarão muito cheios, mas fique atento porque o parque fecha por um mês nessa época, para a purificação dos indígenas e a recuperação do ecossistema. Em 2018, esse período foi em fevereiro, mas já aconteceu de ser em novembro (em 2015), então é melhor se informar antes de planejar sua visita.

Parque Nacional Tayrona, Colômbia

E lembre-se: O Tayrona é casa para quatro culturas indígenas que têm com a Sierra Nevada uma relação profunda. Respeite a natureza em todo o parque e os espaços reservados aos moradores dali. Não alimente os animais selvagens que você encontrar pelo caminho, recolha todo o seu lixo e cuide bem dos espaços.


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Natália Becattini

Já chamei de casa a Cidade do Cabo, Chandigarh, Buenos Aires e Barcelona, mas acabo sempre voltando pra minha querida BH. Gosto de literatura, cervejas, música e artigos de papelaria, mas minha grande paixão é contar histórias. Por isso, desde 2011 viajo o mundo e escrevo sobre o que vi. Também estou no blog sobre escrita criativa Oxford Comma e compartilho minhas impressões de mundo também no instagram @natybecattini e no twitter.

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4 comentários sobre o texto “Tayrona: guia completo para planejar sua viagem

  1. Já fui a Tayrona e posso dizer que o texto está muito completo
    . Falou tudo que precisava e já vou indicar pros meus amigos que vão pra la. Quando fui fiquei no castilletes, realmente é complicado fazer várias horas de trilhas. Ouvi dizer que é possível dormir no mirante em cabo de san juan, você sabe sobre?

    1. Ei Victor, obrigada por indicar o texto. Quando eu fui, tinha umas redes no mirante e gente que parecia ter acampado por ali mesmo, mas não sei direito como fazer: se é só chegar ou se é preciso pagar pelo uso do espaço…

      Abraços

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