Catuçaí, o “drink do amor” das ruas de Belo Horizonte

Do meio da multidão que formava o bloco, o sol de janeiro castigando os ombros e o ritmo do ensaio que fazia desidratar por todos os poros, a visão parecia um oásis: o grande letreiro em branco em roxo anunciava que o carrinho de vendas do drink do amor havia chegado no rolê. “A gente espera o ano inteiro para tomar catuçaí”, dissemos, dando um grande gole na bebida densa, com textura de frozen. “Mas, gente, tem catuçaí o ano inteiro!”, contou Fernando Trindade, mais conhecido como Nandão, o portador da alegria em forma líquida. 

Tem o ano inteiro, é verdade, mas é no calor do verão e nas festas de rua da capital mineira que o catuçaí assume o protagonismo absoluto. Afinal, a bebida, uma mistura de açaí, gelo e catuaba na medida certa, “pira, refresca e alimenta”, como bem diz a música do bloco Juventude Bronzeada, todinha em homenagem a ela. A bebida é uma instituição na cidade e muitas vezes supera até mesmo a querida cervejinha na preferência do público, por estar sempre bem gelada e não ter o mesmo efeito diurético. “Eu não gosto nem de catuaba, nem de açaí, mas não tem combinação melhor que o catuçaí”, afirma minha irmã Isabela. E eu conheço até mesmo quem não beba nada de álcool e não resista a um bom copo de catuçaí. 

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Catuçaí - Belo Horizonte

Nandão vende catuçaí nas ruas de BH. Foto: Divulgação

Segundo Nandão, a mistura já era vendida em festas e festivais de música da cidade, mas ainda não tinha um nome. Depois de um tempo, desapareceu dos cardápios de drinks, mas não da memória. Através da receita desenvolvida por uma grande amiga, Flávia Reis, Nandão e Brunão criaram a marca, a estratégia de vendas e foram para as ruas. Começaram a vender o produto em protestos e eventos de cunho político que pipocaram em Belo Horizonte no início da década: as manifestações contra o então prefeito Márcio Lacerda, iniciativas de ocupação de espaços públicos, como a Praia da Estação e o Viaduto Santa Tereza, e o movimento Fica Ficus, contra o corte de ficus centenárias na região central da cidade. Foi na mesma época que os primeiros blocos de carnaval de rua, também de cunho político, começaram a se formar na capital. Por isso, migrar as vendas para as festas foi um passo natural. 

Hoje, Nandão e Brunão já não trabalham juntos e cada um vende o catuçaí de forma independente, com marcas próprias. A bebida é tão querida que já é até protagonista de canções apaixonadas dos blocos da capital mineira. Além da canção do Juventude Bronzeada, citada ali em cima, o Alô, Abacaxi também declara seu amor pelo drink e ganhou, em troca, uma versão exclusiva: o catucaxí, que leva abacaxi em calda e é vendida exclusivamente nos ensaios e apresentações do bloco. 

Catuçaí - Belo Horizonte

Aos poucos, outros vendedores na capital e no interior de Minas começaram a reproduzir a receita ou lançar suas próprias versões. Já teve chup chup, picolé e até gelatto sabor catuçaí, e até mesmo a Selvagem, a marca mais popular de catuaba, lançou sua versão da bebida, mas Nandão não se assusta com a concorrência: “Ideia boa sempre pode ser copiada. Imagina se tivesse só uma marca de cerveja? Mas contra o catuçaí do Nandão não tem concorrência, é uma bebida querida por todos, até pelo meu trato pessoal com o cliente. É uma bebida do amor”. 

Serviço – Os catuçaís do Nandão e do Brunão são vendidos nos blocos de carnaval e demais festas e eventos culturais de Belo Horizonte, em carrinhos ambulantes identificados com banners. Não há ponto fixo de vendas e um copo de 300 ml custa entre R$6 e R$ 8, dependendo do evento. 

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Natália Becattini

Jornalista, escritora e mochileira. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Já chamei muito lugar de casa, mas é pra BH que eu sempre volto. Além do 360, mantenho uma newsletter inconstante, a Vírgulas Rebeldes, na qual publico crônicas e contos . Siga também no instagram @natybecattini e no twitter.

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