5 curiosidades sobre Fernando de Noronha

Fernando de Noronha não é um lugar comum. Esse arquipélago com 21 ilhas de origem vulcânica virou o destino dos sonhos de quem se aventura por terras verde e amarelas. E tanto desejo não é exagero: Noronha é mesmo um paraíso, algo sem igual no Brasil e, por que não, no mundo.

Em outro texto dei o passo a passo para você planejar sua viagem para Fernando de Noronha. Viagem que vai ser cara, mas que, com o planejamento certo, não estoura o orçamento. Neste, o objetivo é contar algumas curiosidades sobre a ilha. Fatos não muito úteis para sua viagem, mas que ajudam a entender a história deste cantinho especial do Brasil.

Vista de Fernando de Noronha

Primeira Capitania Hereditária do Brasil

As ilhas foram avistadas pela primeira vez entre 1500 e 1502. O primeiro a descrevê-las foi ninguém mais, ninguém menos, que Américo Vespúcio, navegador italiano que acabou cedendo seu nome para batizar todo o Novo Mundo. E Américo, reza a lenda, se encantou pela ilha assim que pôs os pés lá: “o paraíso é aqui”, teria dito ele. Você estava certo, Américo. Muito certo.

O financiador daquela expedição foi outro nome importante das Grandes Navegações, o português Fernão de Loronha, um dos responsáveis por dar uma boa grana para Portugal, ao levar pau-brasil para lá. Fernão agradou tanto ao Reino que ganhou de presente a primeira capitânia hereditária da colônia. Era o paraíso descrito por Vespúcio.

Vista de Fernando de Noronha

Como não havia pedras preciosas e nem pau-brasil por lá, ele não deu bola para o arquipélago, que era usado apenas como ponto de apoio para transportar a mercadoria para a Europa. Fernão mesmo nunca pôs os pés em Noronha. Mesmo assim, aos poucos a Ilha – que vinha sendo chamada de Ilha de São João – acabou sendo conhecida pelo nome de seu dono, ou uma variante do nome dele.

Ingleses, holandeses e franceses chegaram a conquistar o arquipélago nos séculos seguintes. Os últimos até mudaram o nome do local, rebatizado como Isle Dauphine, mas a empreitada francesa em Noronha durou pouco, e no ano seguinte Portugal voltou a mandar por lá. Os holandeses ficaram mais tempo: dominaram Noronha por 25 anos.

Noronha já foi prisão

O paraíso já foi o inferno de muitos. Depois de expulsar definitivamente os invasores, Portugal resolveu tomar conta da ilha de vez, afinal o arquipélago tinha posição estratégica, bem na rota das navegações entre o Velho e o Novo Mundo.

Para isso, os portugueses ergueram 10 fortes, impedindo o desembarque em qualquer ponto das ilhas. E Noronha passou a ser colonizada. Como o marketing turístico ainda não tinha feito a fama da ilha, o jeito de convencer alguém a morar lá, no meio do Atlântico, foi na base da força – presos foram enviados para lá aos montes. Foram eles que construíram as estruturas e boa parte da vila que se formou nos anos seguintes. Durante 201 anos, Noronha era um lugar que muita gente sonhava em evitar ou fazia planos para fugir. Muitos, inclusive, morreram tentando.

Para evitar fugas, a vegetação natural da ilha, que poderia ser usada pelos presos para construir embarcações, foi retirada aos poucos. Apesar disso, não havia muros nessa prisão. Os detentos moravam em casas, podiam pescar e alguns até mesmo ganhavam o direito de levar suas famílias para lá.

Além de presos comuns, acusados de crimes políticos também foram enviados para Noronha. Isso ocorreu com participantes de revoltas importantes da nossa história, como a Revolução Farroupilha e a Cabanagem. Getúlio Vargas também mandou desafetos para lá, entre eles Carlos Mari­ghella.

A vocação prisional da ilha parecia ter fim com a Segunda Guerra Mundial, quando Noronha recebeu uma base do exército dos Estados Unidos, mas a ditadura militar também usou o paraíso como lugar de detenção. Miguel Arraes passou 11 meses preso lá, depois de ser deposto do Governo de Pernambuco, em 1964.

Curiosidades de fernando de Noronha

Já foi um Território Federal

Embora esteja a 545 quilômetros da capital pernambucana, Noronha faz parte da Mesorregião Metropolitana do Recife. Mas não foi sempre assim. Em 1942, por conta da função militar dada à ilha, Noronha foi transformada em Território Federal – a sigla era FN e a capital era a Vila dos Remédios, o principal povoado da ilha.

Noronha só voltou a fazer parte de Pernambuco em 1988, quando todos os territórios federais então existentes foram abolidos. Foi nessa ocasião que Amapá e Roraima se tornaram estados da federação.

Hoje, Fernando de Noronha é um Distrito Estadual de Pernambuco, com o administrador da ilha sendo indicado pelo governador do estado. Sete conselheiros são eleitos por voto direto e formam um Conselho Distrital. Noronha é o único Distrito Estadual existente no Brasil.

Veja também: Quanto custa viajar para Fernando de Noronha?

Curiosidades de Fernando de Noronha

Ninguém mais nasce em Noronha

Há 15 anos ninguém nasce em Fernando de Noronha. Alegando que os custos não justificavam a manutenção de uma maternidade, o governo fechou, em 2004, o local. Desde então, todas as grávidas precisam deixar a ilha no sétimo mês da gestação. Os partos são feitos no Recife.

Embora não exista uma lei que obrigue esse deslocamento, na prática não há como fugir da regra, já que não existe estrutura na ilha para fazer os partos. Passagens e hospedagem são custeadas pelo governo e as crianças podem ser registradas como noronhenses, mas isso não evita reclamações.

O deslocamento, o longo tempo longe de casa, a solidão e o aumento dos custos causam indignação das gestantes e de suas famílias. Antes do fechamento da maternidade, cerca de 40 partos eram realizados por ano em Noronha. Por conta do fechamento, hoje há quem escolha não engravidar ou não ter um segundo filho. Noronhenses, nascidos na ilha mesmo, estão em processo de extinção.

Neste ano, essa história ganhou o Brasil, com o lançamento do documentário “Ninguém Nasce no Paraíso” (teaser abaixo).

A segunda menor BR do país está em Noronha

Uma rodovia corta toda a ilha, a BR-363. É por ela que circulam bugues, carros, motos e a única linha de ônibus de Fernando de Noronha. Só que a BR-363 é pequenininha, ou melhor, do tamanho da ilha: são apenas sete quilômetros de extensão. Por motivos óbvios, essa é a única BR do país que não está ligada a nenhuma outra rodovia nacional ou estadual.

Veja também: Quando ir a Fernando de Noronha?

Fernando de Noronha

Além disso, só há um posto de gasolina na ilha. A falta de concorrência e o fato do combustível, assim como praticamente tudo que é consumido em Noronha, vir de navio do continente têm um preço. E um preço alto: Noronha tem a gasolina mais cara do Brasil.

Antes que você me pergunte, a menor BR do Brasil é a 488, que é uma ligação entre a Rodovia Presidente Dutra e o Santuário de Aparecida, em São Paulo, com 5,9 Km de extensão.


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Rafael

Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014 voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura. Siga minhas viagens também no instagram, no perfil @rafael7camara no Instagram

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7 comentários sobre o texto “5 curiosidades sobre Fernando de Noronha

  1. Noronha certamente é um dos lugares mais lindos do mundo. Segura, tranquila e acolhedora. Um passeio caro, sim, porém vale cada centavo gasto. Clima ameno, delicioso (estive recentemente, em setembro). Quero voltar!!!

  2. Estou aqui em Fernando de Noronha logo que cheguei tive que pagar uma taxa diária de 70 reais estamos em 10 pessoas vamos ficar 10 dias total taxas sete mil reais depois tem que pagar taxa para entrar nas praias .,bem logo pensei deve ter muitas coisas que o governos nos vão providenciar 😡 Nada disso minha mãe tem 70 anos não podia descer escadas uma mais difícil que outra pois deveria ter elevador para idoso é cadeirante chuveiro tudo sem água passei o dia todo Salgado 😣

  3. Quando fui em Noronha conheci um rapaz que morava lá há uns 7 anos. Ele nos disse que para se obter o direito de ter um carro na ilha é necessário pagar 60 mil reais de taxa. E isso é uma maneira de restringir a quantidade de carros circulando por lá. Não sei se é verdade ou não, mas achei interessante.

    Por sinal, é um dos lugares mais lindos que já fui na vida. Vale cada centavo gasto.

    Abs.

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