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Atlas: Milão, Itália

Milão não é Roma, mas tem história

O maior erro que você pode cometer com Milão é uma comparação com Roma. Infelizmente, é isso que muita gente faz, logo concluindo que Milão é sem graça e com poucas opções para turistas, algo absurdo para uma cidade italiana. É verdade que Milão não tem atrações a cada esquina, mas nem por isso deixa de ter história. Napoleão que o diga, afinal ele foi coroado rei da Itália ali, em 1805.

A história de Milão começa bem antes do conquistador francês, claro. É anterior até aos romanos: a cidade foi fundada pelos celtas, cerca de seis séculos antes de Cristo. Foi conquistada pelos romanos mais tarde, em 222 a.C., quando passou a se chamar Mediolano.

Veja também: Onde ficar em Milão, na Itália

Intercâmbio de moda em Milão

Milão Romana

Mediolano, a Milão do Império Romana (Ilustração: Cristiano64, Wikimédia Commons)

Como uma cidade romana, Milão – ou melhor, Mediolano – tinha toda a estrutura e sofisticação que o Império podia oferecer. Isso incluía uma enorme muralha, teatros e outros centros de eventos. A cidade ficou ainda mais na moda quando virou capital do Império Romano. Sim, é isso mesmo que você leu: Milão sucedeu Roma como capital do Império Romano, em 293 d.C. Com isso, a cidade ganhou palácios imperiais, termas, circos romanos, anfiteatros, templos, prédios governamentais e todo o aparato que só um Imperador pode trazer.

Isso durou mais de 100 anos, até que a cidade foi cercada pelos visigodos, um povo germânico, e a capital romana foi transferida para Ravena. A Milão medieval não diminuiu em importância, afinal a cidade está numa rota estratégica de comércio pelos Alpes. Com o renascimento, Milão foi conquistada pela família Sforza, que transformou a cidade numa das mais importantes da Europa.

Depois, foi dominada por franceses, espanhóis e austríacos, respectivamente. Foi nesse ponto da história que chegou Napoleão. Ele conquistou a Lombardia, região da península itálica, em 1796. Cerca de 10 anos mais tarde, o Duomo, principal igreja da cidade, viu a cerimônia de coroação de Napoleão, Imperador da França, mas também rei da Itália. Ao andar por cidades do norte da Itália, não estranhe se encontrar grandes vias que mais se parecem boulevares parisienses – graças a Napoleão, essa parte da Itália pertenceu à França durante parte do século 19.

Napoleão, Rei da Itália

Napoleão, Rei da Itália

Se você me acompanhou até aqui, provavelmente tem uma pergunta entalada na garganta: Se Milão foi tão importante assim, onde estão os lugares históricos da cidade? Cadê os prédios romanos? Os templos dos imperadores? As glórias de Napoleão? Muita coisa virou pó pelo efeito do tempo mesmo, mas boa parte foi para o espaço de vez durante a Segunda Guerra Mundial, que afetou bastante a cidade. Tudo porque em 1943 a Itália percebeu que estava no lado errado da guerra. O país abandonou o conflito, demitiu Benito Mussolini do cargo de primeiro ministro e até declarou guerra ao Japão, antigo aliado.

Com isso, o norte da Itália foi ocupado pelos alemães – Milão principalmente. Durante os dois últimos anos da guerra, aviões norte-americanos e britânicos bombardearam Milão, que ainda vivia um conflito direto entre os italianos, que resistiam, e os alemães, que já tinham percebido que o bicho ia pegar pro lado deles, mas não queriam dar o braço a torcer. O resultado foi uma cidade completamente destruída, mas vitoriosa – o povo local viu os corpos de Mussolini e outros fascistas pendurados no teto de um posto de combustível,  na Piazzale Loreto, uma das maiores praças da cidade, perto do fim da guerra.

Igrejas, prédios, obras de arte e diversas construções históricas: Milão perdeu muito com Segunda Guerra. Para quem tiver curiosidade, vale dar uma olhada nesse post do Skyscrapercity, que mostra como a cidade ficou depois da guerra e como os mesmos lugares estão hoje em dia.

Milão, década de 40

Milão (e o Duomo) na Segunda Guerra (Foto: Arquivo Federal Alemão, Wikimedia Commons)

Por sorte, muita coisa sobreviveu: O Duomo ainda está lá, testemunha da história há séculos. Assim como a Galeria Vitório Emanulle II, o primeiro shopping center do planeta, o Castelo Sforzesco, o Arco da Paz…

Milão, Itália

E o mesmo Dumo em setembro, quando estivemos lá

Outras coisas sobreviveram por sorte e pelo trabalho intenso de gente que arriscou a própria vida para salvar a arte. Um caso é o da tela “A Última Ceia”, de Leonardo da Vinci. O quadro que inspirou Dan Brown em “O Código da Vinci”  (e mais um monte de fãs de teorias da conspiração) quase foi destruído durante os bombardeios, que derrubaram praticamente toda Santa Maria delle Grazie, igreja e convento onde fica o quadro, mas deixaram de pé a parede onde fica a tela.

Milão, na Itália

Como dito no começo do post, não espere que Milão seja Roma – a história se encarregou de criar diferenças entre as duas cidades. Por isso, durante um planejamento de viagem pela Itália sempre deixe mais tempo para Roma, que oferece muito mais coisas para fazer. Mas isso não significa que Milão seja dispensável – a cidade tem atrações para alguns dias de viagem. Quando acabar seu roteiro, reflita em quantos fatos importantes da História aconteceram e continuam acontecendo nas ruas de Milão. Talvez isso te ajude a ver a cidade com outros olhos. Funcionou comigo.

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Rafael

Siga minhas viagens também no perfil @rafael7camara no Instagram - Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014, voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura.

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2 comentários sobre o texto “Milão não é Roma, mas tem história

  1. deve ser por isso, da conquista francesa, que tb incluem milão como rota da moda!
    ***uma prima, que disse que nem me conhece, rs, mora em milão!

    1. Tem sentido essa sua suposição.

      Milão é bem legal. Vai conhecer sua prima lá, Marcelo. De quebra passa um tempo na cidade. hehehe

      Abraço.

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