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13 práticas sexuais inusitadas ao redor do mundo

Nós dificilmente pensamos em certas práticas corriqueiras como se fossem nossos rituais sexuais ou de acasalamento. Isso porque nossa cultura sexual é marcada por inúmeros tabus que nos levam a quase não pensar sobre ela dessa forma.

Sexo é uma das grandes questões da vida e, embora tenhamos mudado bastante a forma de encará-lo nas últimas décadas, ele ainda é constantemente tratado como algo sujo, pecaminoso e condenável.

Isso não é, no entanto, unanimidade ao redor do mundo e culturas diferentes encaram o sexo de forma muito distinta da nossa. Afinal, todo normal é inventado, não é mesmo?

Veja agora 13 práticas sexuais que podem te surpreender e ajudar a entender toda a diversidade de povos, histórias e culturas que habitam esse planeta.

Praticas sexuais ao redor do mundo que vão surpreender você

Práticas sexuais - Kama Sutra

Leia também: Os incríveis templos do Kama Sutra, em Kajuraho, Índia

No Havaí, era costume apelidar os órgãos genitais

Entre os nativos do Havaí, era costume que cada pessoa apelidasse seu genitais. Isso não é tão inusitado, você deve estar pensando, afinal até pode conhecer pessoas por aqui que fazem o mesmo. Mas isso não é tudo! Eles não se contentavam em batizar “as partes”, compunham músicas e poesias inteiras descrevendo os órgãos sexuais, tanto em seus aspectos físicos detalhados, quanto de forma metafórica.

As cantigas eram chamadas de “mele ma’is” (ma’is significa genitais em havaiano) e tinham como objetivo exaltar a fertilidade e as gerações futuras. A canção em homenagem à genitália da rainha Lili’uokulani’s, por exemplo, falava de uma pepeca travessa e brincalhona, que subia e descia. Já a do rei Kalakaua se gabava do órgão sexual avantajado. Mas não era apenas a realeza que tinha o privilégio das canções personalizadas. Qualquer pessoa da plebe também tinha uma musiquinha para chamar de sua.

Maçãs, peixes e pedras em rituais de acasalamento

Assim como os pavões, as cegonhas, os chimpanzés e os golfinhos, seres humanos também têm inúmeras estratégias para atrair parceiros em potencial e que envolvem caprichar naquele perfil do Tinder, o embelezamento, danças e, em alguns casos, até disputas físicas.

Práticas Sexuais: rituais de acasalamento

Entre o povo Mehináku, que habita o sul do Parque Indígena do Xingu, é costume que os homens presenteiem as mulheres com peixes frescos, na tentativa de atrair o interesse das jovens. Aqueles que conseguem o maior peixe são os mais cobiçados.

Já entre algumas populações nativas dos Andes peruanos, o costume é que os rapazes atirem pequenas pedrinhas quando vêem passar uma moça na qual têm interesse. As mulheres guajiro, da tribo colombiana Wayuu, têm uma abordagem mais, digamos, agressiva. Durante uma dança tradicional, elas tentam fazer os homens tropeçarem a todo custo. Quando conseguem, o sexo está garantido.

Nas festas tradicionais da Áustria rural, são as mulheres que colocam uma maçã debaixo da axila e, depois de dançar com ela a noite toda, presenteiam o crush para sinalizar a atração. Se ele morder a fruta suada, o match está formado. Haja feromônio!

Nikah Mut’ah, o casamento temporário do Islamismo

O Nikah Mut’ah é uma prática antiga e tradicional entre muçulmanos da vertente xiita que permite que um casal se una segundo as leis da religião, porém apenas por um período limitado de tempo.

Historicamente, era utilizada para que os homens pudessem tomar uma mulher como esposa quando estivessem viajando. No entanto, jovens muçulmanos do Irã e do Reino Unido estão ressuscitando essa prática como uma forma de conhecer melhor seus parceiros antes do sim definitivo.

Sara, farmacêutica de origem paquistanesa, moradora de Birmingham, contou à BBC que essa foi a forma que ela encontrou de sair para jantar fora, ir às compras e fazer outras atividades cotidianas com o namorado antes de se casar em definitivo.

O acordo é selado com um contrato informal que estabelece as condições da família da noiva, como o valor do dote e a duração do casamento. Algumas fontes afirmam que não há uma duração mínima ou máxima pré-estabelecida para essa união, podendo ser tão curta quanto um dia. Já o Oxford Dictionary of Islam estabelece que o Nikah Mut’ah deve durar entre três dias e um ano.

Embora seja uma tendência em certos países, por permitir conciliar o islamismo com a vida moderna, o Nikah Mut’ah não é consenso entre os muçulmanos e ainda é considerado um tabu por grande parte deles.

A tribo Mosuo, na China: o Reino das Mulheres

Esse pequeno grupo étnico que vive em Iunã e Sujuão, nas proximidades da fronteira com o Tibete, não conhece palavras como “pai” e “marido”. Em uma das poucas sociedades matriarcais a resistirem no mundo, as mulheres não se casam e podem ter quantos parceiros desejarem.

A partir de certa idade, elas ganham das mães uma chave para seu próprio quarto e estão livres para receber seus amantes quando bem entenderem. Esses encontros são conhecidos como “casamentos ambulantes”, o que acaba sendo um nome bem bonito e elegante para um one-night-stand.

O arranjo pode durar o tempo que ambos quiserem e, quando for de vontade de uma das partes, as visitas simplesmente acabam. A mulher permanece na casa da sua família e, caso fique grávida, a criança é criada por ela com ajuda dos tios e tias maternos. São os tios, aliás, que exercem o papel de influência masculina na vida da criança. Não há obrigações paternais ou qualquer relação com o progenitor.

Embora casamentos tradicionais estejam se tornando cada vez mais comuns entre os membros da tribo, por causa das influências externas, esse arranjo ainda é bastante praticado por lá e perdura desde, pelo menos, 750 a.C., quando crônicas de viajantes chineses definiram a região como “Reino das Mulheres”.

A homossexualidade compulsória das tribos de Siwa

Localizada em uma região de oásis próxima à fronteira com a Líbia, Siwa desperta o interesse de historiadores e antropólogos há décadas devido a sua aceitação e, digamos, até mesmo forte incentivo às relações homossexuais entre homens.

Acredita-se que a tradição tenha começado porque, quando os habitantes dali ainda viviam na Fortaleza de Shali, os homens jovens deveriam passar as noites do lado de fora das muralhas para proteger a cidade de ataques inimigos. Essa função tinha um enorme status e prestigio e eles eram conhecidos por sua coragem, pela produção musical e por manter relações homossexuais abertas com outros defensores.

Oásis de Siwa, Egito

Oásis de Siwa, no Egito

Era comum que essas relações acontecessem entre um homem adulto e um adolescente, que era como um aprendiz. Nesse tempo, também era possível realizar casamento entre dois homens, e a prática ainda era registrada por lá até mais ou menos a segunda guerra mundial, mesmo que casamento gay tenha sido proibido no Egito em 1928.

Na verdade, esse tipo de casamento não era só permitido, como era bem mais festejado que o heterossexual. Em 1927, o antropólogo Walter Cline escreveu que as relações homossexuais eram praticadas por todos os homens de Siwa e que cada dançarino, sheik ou líder tinha seus namorados ou mesmo um harém formado apenas por rapazes.

No entanto, de acordo com o Lonely Planet, a situação hoje em dia é muito diferente. Ainda que o lugar esteja presente em todos os guias de turismo LGBT, a homossexualidade já não conta com o mesmo prestígio de antes e os ataques homofóbicos por parte de habitantes dali vêm aumentando nos últimos tempos.

A comunidade dos Himalaias em que os irmãos dividem as esposas

O que fazer quando você tem muitos filhos e pouca terra para deixar de herança? Casá-los todos com a mesma mulher. Essa foi a solução que as comunidades rurais da região de Mustang, no Nepal, e Ladakh, na Índia, encontraram para lidar com a questão do espaço limitado de terra para cultivo nas montanhas e as famílias numerosas.

A tradição local é que, quando um filho se casa, os pais deixam para ele um pedaço da terra da família. Casando todos com a mesma mulher, todos vivem juntos como um grande núcleo familiar e não há necessidade de fazer tantas divisões na propriedade, o que acabaria levando as famílias à uma pobreza ainda maior.

Os homens dentro desse núcleo familiar são responsáveis também por cuidar dos filhos e pelas tarefas domésticas. Já no que diz respeito ao sexo, o arranjo costuma funcionar bem se a família estabelece algum tipo de revezamento ou cronograma.

De acordo com o documentário Multiple Husbands, da National Geographic, a prática também funciona como uma forma de controle populacional: uma mulher só pode ficar grávida uma vez dentro de um determinado período de tempo, ao passo que, se cada homem tivesse sua própria esposa, a população local iria crescer exponencialmente.

Embora ainda seja praticado nos dias de hoje, o costume deverá desaparecer em duas ou três gerações, uma vez que a contaminação com culturas externas e a introdução de métodos contraceptivos e planejamento familiar vêm diminuindo progressivamente a necessidade dela.

Montanhas da região de Mustang - Nepal

Sangue menstrual para fortalecer os homens

A comunidade Bauls, que habita a baía de Bengal, entre a Índia e Bangladesh, tem uma maneira muito própria de celebrar a primeira menstruação de suas mulheres: o sangue é misturado com cânfora, leite de coco e açúcar e, depois, bebido pelos homens da família e amigos próximos.

Povo nômade que ganha seu sustento através de suas performances artísticas de musicais, os Bauls têm uma forte religiosidade que agrega elementos do hinduísmo, islamismo, budismo e tantra. Para eles, os fluidos corporais são sagrados e a essência do ser humano é formado por quatro luas: o sangue menstrual, a semente, as fezes e e urina.

Por semente, eles consideram o sêmen, mas também as secreções vaginais. Já o sangue menstrual, considerado o mais poderoso deles, está presente apenas nas mulheres. Consequentemente, os homens são considerados espiritualmente incompletos e precisam se alimentar desse sangue para reabastecer seus corpos e almas.

Outra maneira de absorver o fluido ausente é mantendo relações sexuais com mulheres menstruadas, um evento ritualizado no qual o homem segura a ejaculação ao máximo enquanto as mulheres são incentivadas ao orgasmo, para assim energizar o parceiro.

Tara, uma mulher baul, contou à pesquisadora Kristin Hanssen, durante uma entrevista em 2002, que os homens que beberam seu sangue numa cerimônia experimentaram melhora na capacidade de memória e concentração, ganharam um brilho novo na pele, uma voz mais melodiosa e sentimento de felicidade, serenidade e amor.

A montanha sagrada e os ritos sexuais de Java

Sete vezes ao ano, centenas de pessoas se dirigem a um templo construído no alto do monte Kemukus, próximo à vila Solo em Java, para participar de um ritual de boa sorte realizado há séculos na região. O Festival Pon envolve ter relações sexuais ritualísticas com um completo estranho a cada 35 dias, totalizando 7 encontros.

A prática é realizada mesmo que os envolvidos sejam casados e, em parte das vezes, com o consentimento do companheiro (em outras não). Os trabalhos começam pela manhã, com preces e uma peregrinação ao túmulo do príncipe Pangeran Samudro e da esposa de seu pai. Segundo a lenda, eles se apaixonaram e fugiram juntos, mas acabaram sendo capturados na vila de Solo e assassinados pelos moradores.

Ao entardecer,  os peregrinos retornam ao entorno do templo e procuram um parceiro para o ritual. Uma vez formado o casal, eles devem se encontrar pelos próximos sete festivais para que a magia esteja completa. Tradicionalmente, as relações ocorrem a céu aberto, na natureza e na presença de outros participantes. Em geral, as pessoas têm pedidos específicos sobre o que querem alcançar com o Pon, seja cura para alguma doença, prosperidade ou conquistas profissionais.

Recentemente, no entanto, o festival tem atraído pessoas menos interessadas no aspecto ritual e mais focadas em conseguir sexo fácil e sem compromisso.

O festival dos ladrões de mulheres no Niger

Todos os anos, durante a estação chuvosa, os membros da tribo Wodaabe, um grupo nômade que vive do pastoreio de gado que habita o Niger, na África Ocidental, se reúnem para celebrar o Gerewol, um festival no qual os homens se empetecam todos para participar de uma espécie de concurso de beleza.

O objetivo é “roubar” a esposa de outro homem (mas com consentimento da moça). Depois de se vestirem e se maquiarem de forma a destacar seus dentes brancos e narizes finos, traços altamente valorizados nos padrões de beleza desse povo, eles desfilam em frente às mulheres. Quando uma mulher se interessa por um deles, dá um tapinha no ombro do moço. Depois do pôr do sol, o casal foge para algum local mais isolado e passa a noite junto. Essa matéria do Daily Mail tem fotos lindíssimas do festival.

Os mentores sexuais de Mangaia, Cook Islands

Nessa ilha localizada entre o Chile e a Austrália, perdida na imensidão do Oceano Pacífico, todos os garotos, ao completar 13 anos, são levados por um mentor mais velho e, em duas semanas, aprendem tudo o que há para saber sobre sexo. Mas as aulas passam longe de ser sobre o funcionamento do sistema reprodutivo e DSTs.

Ali, os rapazes aprendem todas as formas conhecidas de dar prazer a uma mulher durante uma relação e há um grande foco em proporcionar orgasmos múltiplos às mulheres. Embora as mulheres ali não passem por uma experiência parecida, tampouco existem tabus com relação à sexualidade delas, e todos são incentivados e ter vidas sexuais intensas e satisfatórias, tendo tantos parceiros quanto tiverem vontade.

Sexo sem compromisso na Índia

Não há tabus envolvendo sexo pré-marital para a tribo Muria, que habita o estado de Chhattisgarh, na Índia. Eles celebram o amor e o direito de cada pessoa escolher seus parceiros. Todos os anos, os adolescentes considerados velhos o suficiente para transicionar para a idade adulta participam de uma festival chamado Ghotul, no qual eles se envolvem em danças tradicionais, aprendem habilidades que serão úteis no futuro e iniciam a vida sexual.

Após um dia de festa, as meninas bebem um líquido que, eles acreditam, previne gravidez. Depois, todos vão para uma cabana de bambu e podem ter relações com quantos parceiros desejarem. Entre os Muria, eles podem fazer isso até encontrarem o parceiro com quem querem estabelecer uma relação monogâmica, mas em outras tribos Ghotul o apegar emocional entre os pares é desaconselhado. Quando uma mulher fica grávida, o bebê é criado por toda a tribo.

As cabanas do amor no Camboja

O povo Kreung, que habita o remoto nordeste do Camboja, vive uma vida simples estruturada ao redor de apenas quatro necessidades humanas básicas: comida, abrigo, amor e sexo.

Eles se alimentam da cultura do arroz e outros vegetais, vivem em casas de madeira e bambu e encorajam seus membros a terem uma vida sexual e afetiva empoderada e rica. Ao passarem pela puberdade, as meninas recebem dos pais uma cabana onde podem convidar os rapazes que as interessam para uma visita.

Elas podem ter quantos encontros quiserem, inclusive manter vários namorados ao mesmo tempo, até encontrarem alguém com quem desejam se casar, e os pais sempre valorizam e respeitam a escolha e a independência da filha nessa decisão. Caso ela tenha filhos de alguns desses encontros, o parceiro escolhido para se tornar seu marido irá criá-los como se fossem seus.

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Natália Becattini

Jornalista, escritora e mochileira. Viajo o mundo em busca de histórias e de cervejas locais. Já chamei muito lugar de casa, mas é pra BH que eu sempre volto. Além do 360, mantenho uma newsletter inconstante, a Vírgulas Rebeldes, na qual publico crônicas e contos . Siga também no instagram @natybecattini e no twitter.

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