quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Um pedaço do Tibet dentro da Índia

Cada centímetro do ônibus tremia ensurdecedoramente. Logo percebi que dormir seria impossível - nem mesmo dopado consegui fechar os olhos. É óbvio que eu já esperava uma estrada ruim. Afinal, o que mais explicaria uma duração estimada de 8 horas para uma viagem de pouco mais de 250 quilômetros? Mas o percurso entre Chandigarh e McLeod Ganj, no norte da Índia, superou facilmente as expectativas. Aquilo ali é prova de resistência, um via crucis metade hindu, metade budista e obviamente sem Cristo. Sorte que o destino final vale cada solavanco do ônibus: McLeod Ganj é um vilarejo fora do comum. 

A primeira coisa que você precisa saber sobre McLeod Ganj é que a vila está no meio do Himalaia. Por trás das casas é possível ver o pico mais alto da região, com quase 5 mil e 700 metros. E neve no topo, claro. Só a vista já tornaria o local parada obrigatória, mas McLeod Ganj é mais: é moradia do Dalai Lama e sede oficial do governo do tibetano, que está no exílio desde 1960, quando a China invadiu o Tibet e milhares de refugiados foram morar no norte da Índia.

O vilarejo de ruas pequenas e chão de terra batida tem um charme difícil de definir. Pode ser por causa dos monges budistas que vivem no local e frequentam o templo de His Holiness, o Dalai Lama, fazendo de McLeod um pequeno Tibet no meio da Índia. Ou quem sabe é pela variedade de estrangeiros, pessoas de todos os lugares que ajudam uma vila perdida no fim do mundo a ser mais cosmopolita do que muita metrópole. E o Himalaia emoldurando tudo dá um toque especial, claro.
Como chegar
É preciso pegar um ônibus até Dharamsala, cidade com pouco mais de 20 mil habitantes que fica pertinho da terra do Dalai Lama. Da rodoviária de Dharamsala até McLeod é outra viagem, mas o percurso é bem menor - pouco mais de 30 minutos.


O que fazer
Tsuglagkhang – É o complexo onde fica o Templo e a casa do Dalai Lama. Ótimo local para conhecer um pouco sobre o budismo, observar o dia a dia dos monges e, em algumas épocas do ano, ouvir o próprio Dalai Lama discursar. Ali perto fica o Museu do Tibet, que conta a história dos refugiados tibetanos e sua luta por um país livre.
                                           Casa do Dalai Lama

Baghsu - Uma vila que fica a poucos quilômetros de Mcleod. Lá é possível ver um templo Hindu e caminhar até uma cachoeira, local usado como lavanderia por muitos monges tibetanos. Aqui viramos as estrelas do lugar. É que os indianos não se cansam de tirar fotos dos estrangeiros.
St. John in the Wilderness - Na terra do Dalai Lama você também vai encontrar uma igreja anglicana. A Índia foi parte do Império Britânico até 1947 e a igreja em questão foi construída em 1852. Ali está enterrado Sir James Bruce, que ao longo da vida foi o governador britânico de várias províncias do Império: Jamaica, Canadá, China, Japão e, é claro, Índia. Vale mais pela curiosidade, mas passar ali não é essencial - o templo que importa mesmo em  Mcleod é o do Dalai Lama. 

Dal Lake - Um pequeno lado que, segundo os guias turísticos, é sagrado para a população local. Perto de lá fica uma escola para crianças tibetanas, local de trabalho voluntário para muitos estrangeiros . O lugar é bonito, mas infelizmente o lago estava vazio quando passamos por lá. 

                             O lago pode até ser sagrado, mas estava vazio. 
Compras                                   
Reza a lenda que McLeod é o único lugar do mundo onde não há nada made in China. E garanto que você não vai sentir falta. O artesanato local oferece centenas de alternativas, de elefantes e camelos de madeira a chaveiros do Kama Sutra. Mas lembre-se que McLeod pode até parecer o Tibet, mas aqui vale o primeiro mandamento para turistas na Índia. Pechincharás sempre.

“Quero encontrar minha espiritualidade” 
Posso até não fazer parte desse grupo, mas muita gente, muita mesmo, vai  a McLeod por conta disso. E a soma budismo + Dalai Lama + natureza exuberante realmente cria essa vibe meio riponga. Pra quem tem preguiça disso, um consolo: McLeod vale o investimento. Renda-se ao local e aproveite para fazer uma massagem. Afinal, a viagem de volta provavelmente será tão cansativa quanto a de ida.  

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