Esquiar no Chile: El Colorado e outras histórias

Ah, o esqui. Esse esporte que consiste em descer montanhas, com neve ao redor, vento na cara… Eu aprendi a esquiar sozinha em 2008 e, quando tive a oportunidade de ir ao Chile, quis repetir a dose. Fui com minha irmã que nunca tinha esquiado e achava que era tudo muito glamouroso. Doce ilusão. Acredito que nem nos Alpes Suíços carregar os esquis pesados e se equilibrar naquela bota apertada seja uma atividade glamourosa. Apesar de que é ultra-divertido, desafiador e dá uma sensação incrível.

Já contei nesse post aqui o que você precisa saber para esquiar no Chile. Agora, vou contar como foi a minha história de esquiadora com alguma experiência e a da minha irmã, na primeira vez dela sobre os esquis, em El Colorado, nos Andes.

esquiar no chile - El Colorado

Escolhemos El Colorado exatamente pelas indicações de que essa seria a estação mais adequada para quem praticava a atividade pela primeira vez. Nos disseram que o Valle Nevado era mais caro e mais difícil. Depois de 40 curvas Andes acima, chegamos à altitude de 3300 metros e estávamos cercadas por montanhas nevadas. Era julho e estava MUITO cheio. Depois de chegar, vem aquele momento de carregar esquis, vestir as botas e achar um espaço no guarda volumes. Ou seja, a parte chata. Depois, hora de subir o lift!

Cabe aqui um adendo: como disse lá em cima, eu aprendi a esquiar sozinha. E quem me conhece sabe que eu estou longe de ser a pessoa mais atlética e coordenada do mundo. Mesmo assim, de olho no que o pessoal experiente estava fazendo e alguns tombos depois, acabei pegando o jeito da coisa em um dia.

Não sei descer as pistas azuis, as segundas no nível de dificuldade. Só as verdes mesmo, mas consigo me virar bem, não caio mais. Foi eu quem iniciou o Rafa e a Naty no mundo do esqui, com sucesso, na Nova Zelândia. Logo, achei que seria bem sucedida com a minha irmã também. Treinamos um pouco no plano, expliquei para ela os movimentos básicos, como parar e virar. Depois disso, tínhamos que partir para alguma inclinação para continuar aprendendo.

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O problema foi o seguinte: Farellones, que é a parte de El Colorado voltada para iniciantes, estava fechada por falta de neve. Então, eu perguntei para o staff qual era a pista para iniciantes, frisando que queria um local para alguém que nunca havia esquiado. Esses lugares em geral têm uma descida pouco inclinada e curta, com uma esteira rolante para subir. Ninguém do staff foi muito simpático na hora de passar as informações e nos colocaram em uma fila de um surface lift, desses que, ao invés de subir em um teleférico, você é arrastado por uma corda ladeira acima.

O operador desse lift, que estava ali supostamente para ajudar as pessoas numa pista para iniciantes, foi muito grosso quando eu quis checar se deveríamos estar ali mesmo e mais grosso ainda quando minha irmã ficou na dúvida de onde se segurar para subir. Fato é que acabamos subindo sem nenhuma informação correta. Quando chegamos ao topo da pista, percebi que não daria para minha irmã descer: era muito inclinada, praticamente uma ribanceira.

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Perguntei ao operador do lift lá de cima – esse bem mais simpático. Ele disse que a pista era “facílima”. Combinei com a minha irmã então que eu desceria para ver como era, e voltaria para tentar ajudá-la. Minhas suspeitas iniciais se confirmaram. Era uma pista muito inclinada, que pegava velocidade fácil, apesar de ser categoria verde. Era fácil para alguém que sabe esquiar, mas impossível para um principiante. Resultado: subi de novo, avisei minha irmã que era impossível e pedimos ajuda. Depois de esperar um pouco, chegou um patrulheiro meio mal-humorado, que rebocou minha irmã montanha abaixo – segurando-a pelos poles. Mais embaixo, ele soltou a pobre, fazendo-a cair o tombo mais homérico já visto por mim (na hora, eu fiquei com dó).

Por fim, minha irmã ficou meio traumatizada e com raiva da falta de informação. Eu insisti para que ela desse uma olhada no valor de uma aula, só para ela não perder o dia, mas custava uns 40 mil pesos, mais do que o preço do ticket da montanha. E cabe aqui um outro adendo: eu, pessoalmente, não acho que a aula para iniciantes é necessária. Demora mais tempo para aprender, são grupos enormes e é muito caro. Mas mudo de opinião caso a pessoa já saiba esquiar e queira aprender a descer pistas mais difíceis.

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esquiando no chile - dicas

Ela então deu um jeito de vender o ticket da montanha pela metade do preço (isso não é exatamente dentro das normas, mas o pessoal também não foi legal com ela, né?). Depois passou o resto do dia lá com os esquis, enquanto eu fui explorar as outras pistas verdes.

Eu gostei muito das pistas de El Colorado, principalmente da vista. Ver os Andes lá de cima é incrível e descer a montanha com essa vista é melhor ainda. Por acaso, em uma das minhas incursões no lift, subi com um dos patrulheiros da montanha. Ele me contou que apesar de ser julho, ainda tinha caído pouca neve e por isso algumas pistas estavam fechadas.

E você deve estar se  perguntando: então você ficou se divertindo até o final do dia e abandonou sua irmã? Bom, não foi bem assim. Depois de superar a raiva e a adrenalina de descer meia montanha rolando, minha irmã  tomou um chocolate quente e me chamou para ajudá-la a treinar um pouco com os esquis num lugar plano. A gente foi para o outro lado da estação e encontrou alguns brasileiros, também desistentes, que nos contaram que havia um espaço por ali dedicado aos iniciantes. O tal lugar que eu tanto procurei quando chegamos e ninguém se dignou a me contar que existia. Minha irmã passou ali o resto do dia, mas ela já não gostava mais de esquiar.

Moral da história: esquiar é sensacional, independente da idade e da coordenação motora. Se for no alto dos Andes com uma vista maravilhosa, melhor ainda. Porém, no começo é chatinho mesmo. E El Colorado vale a pena, desde que você não esteja esperando que as pessoas te deem informação apurada. Pelo menos comigo foi assim.

Para quem já esquiou em outras estações do Chile, ou até mesmo em El Colorado: foi assim com vocês também ou o azar foi o da minha irmã? Responde aí nos comentários!

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Luiza Antunes

Sou jornalista, tenho 30 anos e moro no Porto, Portugal, quando não estou viajando. Eu já larguei meu emprego três vezes para viajar e finalmente encontrei uma profissão que me permite "morar no aeroporto". Já tive casa em quatro países diferentes, dei a volta ao mundo e cumpri minha meta de visitar 30 países antes dos 30. Mas o mundo é muito maior e, se puder, quero conhecer cada canto dele e inspirar vocês a fazer o mesmo. Siga @afluiza no Instagram

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Um comentário sobre o texto “Esquiar no Chile: El Colorado e outras histórias

  1. Eu sou do time da irmã da Luiza…desastre total(Rsrsrs…), mas ainda vou tentar outras vezes. Eu tentei em Garmisch na Alemanha, minha próxima tentativa será no Chile depois das dicas do blog.

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