5 lugares de memória e resistência homoafetiva

Fiquei com um menino gago. Foi a primeira pessoa gaga que eu conheci na vida. E o mais legal é que ele lida super bem com isso, não está nem aí. Conversando sobre o assunto, ele me contou que também não conhecia ninguém como ele até esse ano, e foi incrível quando se reconheceu naquela pessoa. Que eles entendiam o que o outro passava quando travava na hora de falar, e ficaram muito felizes por essa unidade criada por enfrentarem questões semelhantes na vida.

A gente é mesmo um bicho social e precisa de representatividade para tornar a vida um pouco mais fácil, como falei na última coluna. Esse senso de comunidade salva vidas. Por isso selecionei alguns pontos turísticos para os LGBTQI+ visitarem pelo mundo, celebrarem nossa história e se sentirem parte de algo maior, que nos protege, nos alenta, nos apoia.

Berlim, Monumento aos homossexuais perseguidos pelo nazismo

(Denkmal für die zur NS-Zeit verfolgten Homosexuellen)

Filmes, séries e documentários foram feitos sobre o genocídio judeu no nazismo alemão, mas pouco é lembrada a perseguição a homossexuais. Estima-se que depois da lei de 1935 que tornava crime a homossexualidade, mais de 50 mil indivíduos foram condenados por este motivo – às vezes por um simples beijo. Foram presos, castrados, enviados a campos de concentração, abusados, e o mais impressionante é que a lei vigorou na Alemanha até 1969, 24 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

Incomodados por este silêncio, grupos de ativistas cobraram o governo, e em 2003 o Parlamento decidiu que seria construído um monumento para honrar e manter viva a memória dessas vítimas do holocausto. Inaugurou-se em 2008 no parque Tiergarten, em frente ao Memorial aos Judeus, um bloco de concreto de 3,6 metros de altura. O projeto do duo escandinavo Ingar Dragset e Michael Elmgreen traz uma janelinha de vidro, por onde se vê cenas de homoafetividade em um vídeo de um minuto e meio, substituído a cada dois anos. Passa a sensação da clandestinidade em que eram obrigados a viver, e dialoga com a estética impactante do memorial do outro lado da rua.

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Montevidéu, Plaza de la Diversidad Sexual

Um dos primeiros países do mundo a legalizar o casamento igualitário, em 2013, o Uruguai foi mais pioneiro ainda ao criar este espaço para celebrar a diversidade oito anos antes da aprovação da lei. Quem passa pela travessa da Peatonal Sarandí, uma das vias históricas mais importantes de Montevidéu, é chamado pelas cores dos grafites e pinturas para conhecer o beco. Uma placa com o triângulo rosa, usado pelos nazistas para identificar homossexuais pelo uniforme nos campos de concentração, marca a entrada do lugar. “O direito de todo ser humano a ser respeitado em sua diversidade constitui uma riqueza para a cidade”, afirmou o prefeito da cidade à época da inauguração. Hoje ele se consolidou como um espaço de encontro, discussões, apresentações artísticas e, claro, representatividade.

Paris, túmulo de Oscar Wilde no cemitério Père-Lachaise

Túmulo de Oscar Wild em Paris

“Neste mundo, há apenas duas tragédias: uma é a de não satisfazermos os nossos desejos, e a outra a de os satisfazermos”, disse o escritor Oscar Wilde. Depois de casado, com duas filhas e já reconhecido pela qualidade de sua literatura, ele se envolveu com o lorde Alfred Douglas. Viver este desejo foi sua tragédia. Custou dois anos encarcerado, de 1895 a 1897, de onde ele sairia fraco, desnutrido e abatido, e morreria 13 anos depois, aos 46. Como conta o The Guardian, nesse período o irlandês ficou confinado em isolamento total, e sequer podia escrever romances. Mas como era garantido o direito de produzir cartas, Wilde o fez: De Profundis é sua carta amarga ao amante que o levou à grande tragédia de sua vida. Desde o fim dos anos 1990, seu túmulo no cemitério mais famoso de Paris virou lugar de peregrinação gay, onde as pessoas costumavam deixar um beijo com batom para homenageá-lo. Agora isso rende uma multa de 9 mil euros por dano ao patrimônio, então é melhor deixar flores e agradecer aos que vieram antes por sua luta.

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Nova York, Gay Liberation Monument

Gay Liberation Monument em NY

Tudo parecia relativamente bem em Greenwich Village, Nova York. O restaurante e bar Stonewall Inn funcionava como uma espécie de reduto de liberdade da comunidade homossexual dos anos 1960. Até que em junho de 1969 a polícia invadiu o lugar, agrediu seus frequentadores e levou 13 pessoas para a cadeia só por serem homo ou bissexuais. O episódio levaria à primeira marcha por direitos na cidade e se tornaria a ignição para a luta por direitos nos Estados Unidos. Para marcar a relevância do acontecimento, em 1992 foi inaugurada no Christopher Park, quase em frente ao Stonewall Inn, uma obra do artista plástico George Segal, tão simples quanto simbólica. Dois homens de pé e duas mulheres sentadas conversam tranquilamente. Sem medo, da maneira mais natural possível, como o artista entendia que a homossexualidade deveria ser encarada.

Amsterdam, Homomonument

Monumento pela resistência homoafetiva em Amsterdam

O primeiro monumento do mundo a homenagear homossexuais vítimas de perseguição e violência foi inaugurado em 1987, e só podia ser em Amsterdam. Também fazendo referência ao triângulo rosa usado pelos nazistas, as três pontas de granito rosa à beira do canal Keizersgracht representam o passado, presente e futuro da luta por direitos. Não por acaso, também apontam ao National War Museum, à casa de Anne Frank, e ao COC Amsterdam, instituição sem fins lucrativos que organiza atos e cuida de LGBTQI+ com advogados, psicólogos e outros profissionais voluntários. Logo ao lado do monumento está o Pink Point, uma central de informações turísticas voltada exclusivamente ao público.


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Victor Gouvêa

Meu pai sempre me disse que a melhor coisa da vida era viajar. Eu acreditei. Misturei as formações em Turismo e Jornalismo para viver de viajar e contar tudinho. Parti de uma cidadela de 30 mil habitantes para morar em SP, EUA e Alemanha, visitar mais de 40 países (e contando) e acumular as histórias mais malucas.

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