Vida de Mochila: como é atravessar a América Latina sem usar avião

“Eu acho que por terra você é obrigado a ver coisas que não veria se estivesse em um avião. Foi uma forma de me conduzir a ter uma essência durante essa viagem. Se eu fosse viajar de avião, talvez eu perdesse muitas coisas. Então eu me coloquei nesse desafio de fazer tudo por terra pra eu poder ver a vegetação ir mudando. Ver o rosto das pessoas mudando, esse traço que a gente tem na América Latina. O nosso sotaque mudar aos poucos, do centro oeste ao Sul do Brasil”.

É assim que o Richard Oliveira, do blog Vida de Mochila, define o mochilão que o fez mudar de vida, desapegar de pré-conceitos e até da roupa do corpo. Neste último caso, literalmente. Mas isso é coisa que a gente te conta daqui a pouco.

A história desse goiano começa lá atrás, quando ele era um adolescente que vivia jogando vídeo game. Nessa vida de gamer, ele aprendeu a falar inglês muito bem e, inspirado pela dica de amigos, resolveu se inscrever para uma bolsa de estudos da língua, na Nova Zelândia. Fez uma prova de proficiência e passou. Foram quatro meses estudando e um vivendo a vida que todo bom intercambista merece, apenas viajando.

Nesse período, ainda adolescente, abriu a cabeça e se aventurou a descobrir as várias primeiras vezes. Primeira vez em um avião, primeira vez que viu montanhas e a primeira vez que se sentiu dono do mundo. E gostou do sentimento, tanto que descobriu que os limites de Goiânia não eram mais suficientes. Ele queria ganhar o mundo (nem que tivesse que começar ganhando as cidades mais perto).

Mesmo sendo menor de idade, quis continuar viajando. Segundo ele, “fazia um ‘mochilão raiz’, dormindo na rua e tudo mais. “Eu não tinha dinheiro e meus pais falavam que se eu não tinha morrido no intercâmbio, não morreria aqui”.

Viajou tanto que acabou virando referência para os amigos. Para eles, Richard era o “consultor” da galera. Foi aí que ele viu que fazia sentido criar um canal pra conversar sobre o tema. Era 2013 e ele nem tinha pensado em blog. Começou com a página no Facebook, onde selecionava os destinos que ele já tinha ido e os que tinha vontade de conhecer. Aí os amigos foram contando pra outros e o projeto foi crescendo e virou um blog. Daí, veio a ideia de um canal no Youtube, que atualmente é o projeto que tem seu foco!

Richard diz que não planejou ser blogueiro, apesar de ser formado em Comunicação Social. Ele era muito ruim para tirar fotos, sabia pouco sobre edição e nem era um baita de um escritor. O diferencial era que gostava muito de ajudar as pessoas e gostava mais ainda do feedback. “Esse sentimento me trazia uma boa energia e aí eu via que precisava me especializar mais. Comecei a ler mais livros, a estudar fotografia, estudar edição de vídeo, não foi tão planejado. Eu vi a oportunidade e fui lá e peguei”. O resultado de tanto esforço a gente pode conferir nas ótimas fotos e vídeos do projeto.

#América300: como nasce um sonho para o Vida de Mochila

“Uma combinação de aventura, motivação e desejo de conhecer os aspectos mais puros da América Latina. Tudo isso culminou nesse projeto, que é o América 300”.

Queria viajar nas montanhas. E depois de voltar da Nova Zelândia, começou a procurar por relatos de todos os lugares do mundo, mas percebeu que os mais interessantes estavam na América do Sul. Ele via os relatos do pessoal e pensava consigo mesmo: “poxa, eu que queria contar essa história. Eu queria fazer isso de uma forma barata e por terra”.

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Para o sonho começar a se tornar realidade, depois de 8 anos trabalhando como executivo de marketing, Richard teve que pedir demissão do trabalho e começou a trabalhar como freelancer. Como nunca tinha conseguido juntar grana pra fazer essa viagem, a alternativa foi vender tudo o que ele tinha e ir pro mundo. Da televisão aos tênis de marca, tudo virou mercadoria pra engordar o cofrinho. No final, R$3.700. Esse foi o capital inicial que ele teve pra começar a Expedição América 300. A ideia é documentar tudo através do Instagram e do canal no Youtube, em uma novela mochileira.

O plano era sair de Goiânia, ir até Ushuaia e, de lá, até o México. Com tudo a conspirando a favor, em 2017 foi A HORA.

De onde veio o nome? Richard teve que montar um projeto para apresentar para um patrocinador. Ele não queria chegar lá falando que era uma viagem sem data de volta, simplesmente alguém solto pelo mundo, então precisava mostrar que tinha um objetivo, que era organizado. Aí ele pensou no “América 300”, uma viagem de mais de 300 dias pela América Latina. Mas passados os 300 dias, continuou viajando, pois não tinha como limitar a aventura.

No fim das contas, foram 622 dias, mais que o dobro do que Richard realmente tinha programado. A viagem começou em 5 de junho de 2017 e teve fim em fevereiro de 2019. E dá até pra seguir o “rastro” do Richard e ver os locais que ele percorreu. Nesse período ficou fazendo voluntariado por vários lugares. Passou 3 meses na Colômbia e mais 3 no Peru. Com isso, o “Vida de Mochila” cresceu ainda mais, ganhou notoriedade.

A história do roubo na Argentina

Talvez esse tenha sido o momento mais tenso e que mais serviu como um divisor de águas no América 300. Em um roubo na Argentina, levaram o notebook, que era o meio de trabalho do Richard. O roubo acabou criando uma comoção muito grande e foi feita uma vaquinha onde ele colocou uma meta de R$2.500. Em dois dias, a vaquinha atingiu R$6 mil. “Passei uma semana chorando de emoção”. Depois disso, o blog cresceu ainda mais.

A história completa ele conta neste vídeo.

Outros projetos

O América 300 foi o maior projeto até agora, mas não é o único. Richard acabou de voltar de outra aventura, o Expedição Origens. Foram 40 dias e 8mil kms rodados, pra mostrar o que o Brasil tem de melhor. O material será uma websérie, de 18 episódios.

Em outubro, ele está indo escalar vulcões na Guatemala com um pessoal bastante animado. E no ano que vem, quer fazer todo o caminho de Santiago de Compostela, em um ou dois meses.

Gostou do Vida de Mochila? Que tal então ficar de olho nas redes sociais do Richard?

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Fernanda Pádua

Tenho BH como meu ponto de partida e o meu porto seguro. Entrei pela primeira vez em um estádio de futebol aos 10 anos e ali descobri que queria ser jornalista. 20 anos depois, me tornei repórter esportiva e viajante nas horas vagas. Fiz intercâmbio na Irlanda em 2016/2017, pra estudar inglês. Tenho um objetivo de visitar todos os estados brasileiros e metade dos países do mundo e já percorri boa parte do trajeto, mas várias histórias e paisagens legais ainda estão por vir.

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