domingo, 15 de janeiro de 2012

Índia: passo a passo para planejar sua viagem

Desde que desembarquei na Índia descobri que o mundo é dividido entre dois grupos de pessoas. Há aqueles que, ao descobrirem o exótico país onde moro atualmente, soltam um "você é louco", rapidamente emendado com um "não iria nem morto", como que com medo de um convite para me visitar. Os do segundo grupo, mais aventureiros (membros do primeiro grupo chamariam isso simplesmente de falta de bom senso) costumam querer detalhes, informações, todo o necessário para visitar a Índia também. Este post foi pensado para as pessoas do segundo grupo. É hora do passo a passo: como planejar sua viagem à Índia. 


Como chegar
A rota tradicional passa pela Europa, e de lá é feita a conexão até Nova Délhi. A British Airways faz o percurso e pode ser a melhor alternativa (o voo Londres - Índia é muito barato), a não ser que você viaje durante a alta temporada na Europa. Air France e Emirates Airways também fazem o trecho. 


Visto
Brasileiros precisam de visto para entrar na Índia.  O visto para turismo custa R$ 145,00 e vale por seis meses. Pode ser solicitado diretamente na embaixada da Índia, em Brasília, ou nos consulados, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Mais informações no site da embaixada, ou pelo telefone   (61) 3248 4006.


Vacina
A única vacina obrigatória é a contra febre amarela. É preciso ser vacinado no mínimo 10 dias antes de embarcar, e isso pode ser feito gratuitamente em qualquer posto de saúde. Mas atenção! Aquele cartão fornecido pelo posto não serve. É preciso levar o documento até um escritório da Anvisa, que vai fornecer a Carteira de Vacinação Internacional. Uma dica é manter esse documento na última página do passaporte. Outras vacinas são aconselháveis, embora não obrigatórias. Tétano, raiva, paralisia infantil e hepatite A são algumas delas.  Paralisia infantil? Sim, prepare-se para tomar uma dose de reforço e entre na fila do Zé Gotinha, junto com todos os seus amiguinhos de 5 anos de idade. Acredite, aconteceu comigo.


Idioma
Mais de 20 idiomas reconhecidos oficialmente e incontáveis dialetos. O hindi é uma espécie de língua comum, mas tem quem fale urdu, bengali, kashmiri, punjabi, kannada, gujarati, telugu e até… português. Goa, um pequeno estado indiano famoso por suas praias, fazia parte de Portugal há poucas décadas. Mas e inglês, não rola? Claro que sim. Nas grandes cidades e lugares turísticos a comunicação é fácil. Mas não se iluda: muita gente não domina o idioma dos colonizadores. Nessas horas a saída é usar todos os seus conhecimentos de Imagem & Ação - só a mímica te salvará.


Fuso Horário
A Índia está 8h30 adiantada em relação ao horário oficial do Brasil. Ou seja, quando em Brasília for dezenove horas em Délhi os relógios marcarão 3h30 da madrugada. Durante o horário de verão brasileiro a diferença diminui: apenas 7h30. Pouca coisa. 


Telefone e internet
O código de telefonia internacional (o tal do DDI) é +91. Ligações da Índia para o Brasil  são muito baratas (pelas taxas das empresas locais, óbvio). A ligação para um telefone fixo custa cerca de 10 rúpias por minuto, ou seja, R$ 0,35. É possível encontrar internet Wi-Fi em hotéis e restaurantes, mas não espere conexões rápidas.


Moeda
A moeda nacional é a Rúpia indiana, em circulação desde o século XVI. Cada Rúpia vale R$ 0.034, o que significa que com 1 Real é possível comprar 28 Rúpias.  Vale dizer também que tudo na Índia é muito barato. É possível pagar R$ 15,00 para ficar num quarto duplo em um hotel 3 estrelas. Quem não tiver frescura faz negócios ainda melhores: Em Rishikesh, tradicional destino turístico, paguei R$ 2,50 pela hospedagem simples (quarto, cama, roupa de cama, banheiro e nada mais). Uma longa corrida de Tuk-Tuk - o triciclo usado como táxi em boa parte da Ásia - pode sair por menos de R$ 3; e um combo do McDonalds's por  R$ 4.

Atenção: a regra na Índia é pechinchar. Todos esperam que você faça isso -  é quase um esporte nacional, mais importante do que o críquete. Nunca, mas nunca mesmo, aceite o primeiro preço por um produto ou serviço. Em regra vale a estratégia da metade: o cara pediu 500 rúpias por aquele elefante de madeira fantástico? Pode saber que vale 250 Rs. E se você tiver muita cara de turistão (câmera pendurada no pescoço e camisa I S2 Taj Mahal) o calote pode ser maior. Já vi vendedor pedir 2000 rúpias por um produto e, 5 minutos depois, fechar a venda em 200 Rs. E feliz da vida.


Roteiro Basicão:

O ponto obrigatório é o Taj Mahal. O resto - simplesmente dezenas de lugares - vai ser encaixado aos poucos. Assim como o tradicional roteiro Rio, São Paulo, Salvador e Foz do Iguaçu não representa todo o Brasil, você certamente não vai conseguir esgotar a Índia em 20 e poucos dias. A ideia é ver pelo menos o básico. Um bom exemplo de roteiro para Índia é:
Nova Délhi (a capital e porta de entrada no país)
Agra (a cidade do Taj Mahal)
Jaipur (a cidade rosa, no Rajastão)
Varanasi (uma das cidades mais sagradas e onde rolam as cerimônias no Rio Ganges)
Rishikesh (conhecida como a capital mundial do Yoga)
McLeod Ganj (aos pés do Himalaia, é a cidade onde vive o Dalai Lama e os tibetanos no exílio)
Amritsar(onde fica o Golden Temple, sagrado para os Shiks).
Todas as cidades sugeridas estão no norte. Quem tiver mais tempo pode tentar outros lugares mais distantes, como Mumbai, Goa e Calcutá, por exemplo.  
Dois dias em cada cidade bastam (três nas maiores), mas leve em consideração o tempo de deslocamento, que é enorme. Na Índia você vai gastar 7, 8 horas para percorrer 200 quilômetros. Então não faça um roteiro apertado demais, caso contrário vai ser  impossível tirar tudo do papel.


Transporte
Se possível evite viajar de ônibus. É que as estradas são ruins, o trânsito caótico e os motoristas dirigem muito, muito lentamente. E ainda bem, já que o trânsito da Índia, segundo a Organização Mundial de Saúde, é o que mais mata no mundo, e isso mesmo com a velocidade média de 50 km nas estradas. Uma alternativa ao transporte rodoviário é o ferroviário, que conta com uma rede de mais de 60 mil quilômetros. Existem diferentes tipos de tickets (você certamente não vai querer o mais barato) e o seu conforto depende de quanto você está disposto a pagar (mesmo a opção mais cara é barata para padrões brasileiros). As passagens podem ser compradas pela internet. Para quem preferir viajar de avião a boa notícia é que existem muitas empresas low-cost na Ásia, então basta pesquisar um pouquinho para achar verdadeiras pechinchas. Air India, Kingfisher, IndiGo e Spicejet são algumas das empresas que voam no país. 


Clima e monções
Não tem essa de na Índia faz calor o ano inteiro - isso depende da região que você pretende visitar. Durante o inverno (dezembro a fevereiro) muitas cidades do norte experimentam um frio que nenhum europeu colocaria defeito.  Há lugares onde chega a nevar, e sim, existe até estação de ski na Índia. De março a maio é a época do calor, principalmente no sul.  As temidas monções acontecem de junho a setembro.
Tudo anotado, é só planejar e começar a viagem. E lembre-se que nada vai te preparar para o que a Índia tem de melhor (e pior) a oferecer: um gigante choque cultural.

9 comentários:

  1. Rafael,
    Excelente post! Ainda não tomei coragem para visitar a Índia, mas penso em voltar à Ásia em 2014 (quem sabe até lá não me animo?).
    Um abraço,

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lu, que bom que gostou! E planeje uma viagem pra Índia sim! Vale muito, mesmo com uma dificuldade ou outra.

      Excluir
  2. Olá!

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.

    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia Paulista

    ResponderExcluir
  3. Rafael,
    Parabéns! Amei o post! Índia esta entre os meus próximos destinos e suas dicas vão ser de grande valia!
    Bjoa

    ResponderExcluir
  4. Demais, está na minha wishilist!!! Espero colocar em prática em breve! Abraços

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu! Em breve vamos postar muitos outros posts sobre a Índia!

      Excluir
  5. Roberto Hoffmann1 de abril de 2012 17:47

    Fui para a Índia em setembro/11 pela South African Airway. Foi bem mais barato que ir por uma companhia europeia e o serviço é primeiríssima qualidade. Recomendo!
    O único porém é que eles só voam para Bombaim e não todos os dias da semana.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Verdade, Roberto. A South African é uma ótima empresa mesmo. Essa é uma boa opção, principalmente se for temporada na Europa, o que pode encarecer as passagens com escala por lá. Várias pessoas que iam fazer o trecho Brasil - Índia com escala em Londres me contaram que os preços subiram muito por conta das Olimpíadas,por exemplo. Valeu pela dica!

      Excluir
  6. ADOREI!!As dicas são essenciais para alguém que assim como eu esta planejando viagem para Índia. Vou em Julho passar 6 semanas,e é muito bom ter colegas que compartilham essa experiência maravilhosa.

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...