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Atlas: Buenos Aires, Argentina

Passeio pelo Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires

Bares, restaurantes, centros culturais e sorveterias fazem da Recoleta o mais charmoso e agradável dos bairros de Buenos Aires. Só que no meio disso tudo tem um cemitério, que atrai multidões de turistas todos os dias. Não que o turismo tumular seja um privilégio da capital da Argentina – o cemitério de Père Lachaise, em Paris, recebe turistas há décadas, enquanto até no Brasil esse tipo de atividade tem se tornado comum entre os viajantes.

Mas o cemitério da Recoleta é diferente. Ele não é apenas mais uma atração turística de um bairro qualquer. É o coração daquela parte da cidade, o local ao redor do qual tudo acontece. Mesmo que você não seja fã desse tipo de passeio, vale a pena conhecer o bairro e observar o cemitério pelo lado de fora, enquanto você almoça ou toma uma cerveja num dos restaurantes ao redor.

Cemitério da Recoleta, Argentina

Por outro lado, se você não tem problemas em assumir o gótico que há em cada um de nós, visitar o Cemitério da Recoleta pode ser uma experiência interessante. A começar pela arte tumular, que é linda. Quando estivemos lá, em julho deste ano, ficamos cerca de uma hora perambulando pelas ruelas e becos do mundo dos mortos. Isso, somado aos prédios dos vivos, que estão tão próximos dos muros do cemitério, já vale a visita.

Mas o passeio pelo Cemitério da Recoleta fica mais interessante quando é possível se debruçar na história, nos mitos e nas curiosidades do local.

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Cemitério da Recoleta

Cemitério da Recoleta: um pouco de história

Buenos Aires já tinha séculos de vida quanto o Cemitério da Recoleta foi fundado, em 1822. A Argentina, que acabara de se tornar independente, começava uma era de mudanças. O cemitério foi erguido nos fundos da Igreja Nuestra Señora del Pilar, que até hoje está ali e definitivamente merece uma visita.

Não demorou para que o Cemitério da Recoleta passasse a ser o destino dos mortos da alta sociedade portenha. Atualmente descansam lá 19 presidentes argentinos, dois vencedores do Prêmio Nobel, 10 escritores, vários artistas e atletas. Além, é claro, de Eva Duarte de Péron, primeira mulher de Juan Domingo Perón e até hoje um dos grandes símbolos da Argentina.

Túmulo da Evita Péron, Buenos Aires

O túmulo dela é de longe o mais visitado. Mas, não fosse a multidão que costuma se reunir na frente do mausoléu, passaria facilmente despercebido. O corpo de Evita, que morreu de câncer em 1952, já rodou o mundo. Foi embalsamado e exposto ao público por ordem do marido, roubado pelos militares que derrubaram Juan Perón do poder e enviado para a Itália, onde causaria menos tumulto.

Com a volta da democracia, o corpo foi novamente levado para Buenos Aires. Evita descansou por dois anos numa sala da Quinta dos Olivos, a Residência Oficial da Presidência da Argentina, até que finalmente foi transportado para o túmulo da família Duarte, em 1976. Como nessa época a Argentina vivia outra ditadura militar, o último descanso de Evita acabou sendo simples, afinal de contas tudo que os militares não queriam era criar um grande mausoléu peronista.

Túmulo da Evita Péron, Buenos Aires

A poucos metros do túmulo de Evita está o de Pedro Eugenio Aramburu, um general argentino que foi inimigo do peronismo e um dos responsáveis pelo sequestro do corpo de Evita, durante a década de 1950. Se eles não se deram bem em vida, na morte viraram vizinhos. 

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Outros curiosidades do Cemitério da Recoleta

Se a Recoleta está cheia de tumbas de quem foi famoso em vida, outras, de argentinos que se tornaram famosos na morte, também se destacam.  Liliana Crociati é uma delas.

Em 1970, a moça estava viajando pela Europa, durante a lua de mel. Foi quando uma avalanche atingiu o hotel onde ela estava hospedada. O corpo foi levado para Buenos Aires e ganhou uma tumba em estilo gótico com direito a uma estátua a moça. E um cachorro. É  representação de Sabú, o fiel amigo de Liliana.

Tumbas do Cemitério da Recoleta

Outro túmulo que chama atenção é o de Rufina Cambaceres, que caiu morta no meio da rua, em 1903. Quer dizer, os médicos disseram que ela estava morta, os familiares acreditaram e a moça foi enterrada. Viva.

Tumba de Rufina Cambaceres

Túmulo de Rufina Cambaceres (Foto: Elemaki, Wikimedia Commons)

Dias depois, após notarem coisas estranhas acontecerem no mausoléu, funcionários do cemitério resolveram abrir o caixão. O corpo de Rufina – naquela hora realmente morta – estava fora do lugar. No caixão, marcas de unhas.

Escultura Cemitério Recoleta

Informações úteis

O Cemitério da Recoleta está aberto para visitação todos os dias da semana, de 7h às 17h45. A visita é de graça e a própria administração do cemitério costuma oferecer tours guiados, que também são gratuitos. Eu não fiz, mas parecem ser interessantes. As visitas ocorrem em espanhol e inglês, com horários de manhã e de tarde.

Não é por ser perto de casa que dá para viajar sem seguro: saiba por que contratar um seguro de viagem para conhecer a Argentina e como garantir um com boa cobertura (e com desconto).


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Rafael

Quando criança, eu queria ser jornalista. Alcancei o objetivo, mas uma viagem de volta ao mundo me transformou em blogueiro. Já morei na Índia, na Argentina e em São Paulo. Em 2014 voltei para Belo Horizonte, onde estou perto da minha família, do meu cachorro e dos jogos do América. E a uma passagem de avião de qualquer aventura. Siga minhas viagens também no instagram, no perfil @rafael7camara no Instagram

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4 comentários sobre o texto “Passeio pelo Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires

  1. Diz a lenda que aquele que passa no tumulo da menina com o cachorro deve passar a mão no nariz do cachorro para ter sorte na vida. Notem que o nariz do cachorro está desgastado. Claro que quando visitei passei a mão no nariz do cachorro afinal, neste caso, não custa nada arriscar a sorte.

    1. eu esfreguei taaaanto o nariz desse cachorro… até agora, nada de sorte. =\\\
      quem sabe, na próxima. hahaha

      ah! repare que na foto do título dá pra ver o filhote de cruz-credo embaixo do anjinho.

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