Como funciona o sistema de castas na Índia

Como funciona o sistema de castas na Índia

Poucos temas geram tanta curiosidade em um estrangeiro na Índia quanto o sistema de castas. Saciar essa curiosidade, no entanto, não é tarefa fácil: considerado tabu pela maior parte dos indianos, não é um assunto que você vai puxar na mesa de jantar com aquela família que você conheceu sem causar constrangimento. Perguntar a casta de alguém é indelicado, para não dizer outra coisa. Acreditem, eu já vi isso acontecer e morri de vergonha alheia.

O sistema de castas vigora no país há muitos e muitos séculos e sua origem é incerta. Apesar de ter origem na fé hindu, foi incentivado e até mesmo reforçado pelos britânicos durante a colonização, transformando-o em algo muito mais rígido.

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Hoje, existem cerca de 3 mil castas na Índia, o que é um confusão e tanta pra gente entender. Mas essas castas todas podem ser divididas em quatro grupos, que eram as castas originais:

sistema de castas na india

Brahmin (Brâmanes): A casta mais alta, é formada por pensadores e letrados, pessoas consideradas próximas aos deuses. Entre as profissões exercidas por eles estão as de sacerdotes, professores e filósofos. Na mitologia hindu, foram criados a partir da cabeça de Brahma.

Kshatriya (Xátrias): São os guerreiros, nasceram dos braços de Brahma. Exercem profissões como as de soldados, policiais e administradores.

Vaishya (Vaixás): São os comerciantes, nasceram nas pernas de Brahma.

Shudra (Sudras): São camponeses, artesãos e operários. Nasceram dos pés de Brahma.

Templos de Udaipur, Índia

Declarado ilegal em 1950, na época da independência, o sistema chegou bem vivo ao século 21 em forma de tradições, desigualdade social e preconceito. Isso foi possível porque, ao contrário da escravidão, o sistema de castas trabalha de uma forma muito mais sutil e informal.

Sim, hoje em dia não é mais possível criar, por exemplo, clubes exclusivos para membros de uma certa casta, mas as profundas desigualdades sociais e preconceitos originados por séculos de divisão garantem que a exclusão continue a acontecer.

Para nós, o sistema parece indecifrável e confuso, mas ele está bem arraigado na cultura dos indianos. Eles conseguem saber a qual casta uma pessoa pertence apenas pelo sobrenome. Foi por isso que os Sikhs, religião monoteísta muito popular no norte da Índia e que rejeita a divisão de castas, adotou para todos os seus membros um mesmo sobrenome: Singh para homens e Kaur para mulheres.

Golden Temple dos Sikhs Amritsar

Na Índia urbana, o sistema vem perdendo força com os anos, ainda que muito lentamente. Casamentos entres as três castas superiores, embora ainda não extremamente comuns, já não chegam a ser malvistos. No entanto, ainda continua valendo como lei em vilarejos e na Índia rural, onde vivem 857 milhões de indianos.

A consequência mais óbvia desse sistema é a perpetuação da desigualdade social. Mas, pelas coisas que eu vivi lá, eu diria que há mais. Nunca em um ambiente de trabalho eu senti a arrogância dos chefes quanto na Índia. Humilhações públicas eram ocorrências rotineiras no escritório. Era como se aquela posição tivesse sido designada a eles pelo próprio Brahma e não fosse fruto de um punhado de privilégios que eles tiveram desde o nascimento.

Jaipur, Índia

Claro que isso não é um regra absoluta. Há muita gente bem nascida (aos olhos do sistema) que vê a ignorância presente nessa divisão e luta contra as castas na Índia. Mas a minha experiência me mostrou que grande parte os membros das castas superiores ainda acredita que eles são merecedores natos do bom e do melhor e que são mais dignos de respeito que todos.

São pessoas difíceis de lidar, que não aceitam ser contrariadas e que acham que todos devem baixar a cabeça para o que dizem. Uma vez, em uma festa na minha casa, um playboyzinho chegou a chamar o Rafa para a briga porque ele queria impor a música que iria tocar e o volume do som. Quando nos recusamos a ceder, ele simplesmente tirou o som da tomada. Repetindo: era a minha casa, não a dele.

Por outro lado, membros de classes inferiores se resignavam a ouvir abusos que no Brasil dariam um ótimo caso de assédio moral. Se você ouviu a vida inteira que é um lixo inferior, uma hora você passa a aceitar. Além disso, se rebelar contra a “vontade de deus” tem consequências graves na fé hindu. Viva sua vida de dalit ou sudra humildemente e, quem sabe, na próxima encarnação você volta por cima da carne seca.

Fábrica de especiarias indianas

Dalits, os intocáveis

Se os sudras surgiram dos pés de Brahma, os dalits tiveram uma origem ainda menos nobre: foram criados a partir da poeira em que o deus pisou. Tratados como párias, excluídos da sociedade, os dalits não têm casta e são considerados impuros. Para eles são guardados os trabalhos que os outros indianos se recusam a fazer por considerarem indignos: recolher lixo e limpar banheiros, por exemplo.

Considerados portadores de impurezas por onde quer que passem, eles vivem um sistema opressivo digno de um apartheid. Um dalit não pode se sentar à mesa com membros de outras castas ou usar os mesmos pratos e copos. Em casas mais conservadoras, eles possuem uma entrada especial que só permite que eles cheguem até o banheiro e a área de coleta de lixo, sendo proibidos de colocar os pés na casa principal.

Trichy, Índia

Como o sistema hoje é cultural e não oficial, alguns poucos dalits conseguiram escapar de seu destino e ascender socialmente. No entanto, como cidadãos de um país que também sofre com extrema desigualdade, nós sabemos que quebrar o ciclo da miséria não é fácil. Para reparar os males causados por séculos de um sistema cruel, o governo indiano oferece cotas nas universidades e outros programas sociais, como a concessão de microcrédito, que visam a inserção dos párias na sociedade.

Um grupo minúsculo deles, aproveitando a abertura econômica do país nos últimos vinte anos, até mesmo enveredou pelo empreendedorismo e alcançou seus milhões de dólares, criando um fenômeno conhecido como Dalits Millionaires (link em inglês). Mas ainda existe um longo caminho a percorrer. Apenas 30% dos dalits é alfabetizado (a média do país é de 75%) e a discriminação contra crianças dalits nas escolas acaba fazendo com que elas abandonem as aulas. Eles também são as maiores vítimas de violência e crimes de ódio.

Mulher em Udaipur, Índia

Hoje, os dalits que conseguem escapar da sina de exercer as profissões indignas são aceitos na convivência de outros indianos. Contudo, mais que qualquer outra união entre castas, casar-se com um dalit é um ainda tabu tremendo.

Já chamei de casa a Cidade do Cabo, Chandigarh, Buenos Aires e Barcelona, mas acabo sempre voltando pra minha querida BH. Gosto de literatura, cervejas, música e artigos de papelaria, mas minha grande paixão é contar histórias. Por isso, desde 2011 viajo o mundo e escrevo sobre o que vi. Também estou no blog sobre escrita criativa Oxford Comma.

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96 comentários em Como funciona o sistema de castas na Índia

    • Elícia, acredito que a discriminação das castas mais baixas, o que dificulta tanto a mobilidade social quanto o acesso aos serviços básicos, assim como a dificuldade de distribuição de renda são alguns dos fatores que podem levar a um travamento dos avanços sociais.

  1. Sistema de casta é uma ideologia de dominação . Índia é mesmo contrastante : ao mesmo tempo q estão próximos de seus deuses tb estão próximos de seus demônios. Com q lógica pode se humilhar alguém ? Com q lógica explicasse a subserviência? Entenderei na próxima vida , nessa vida eu não tenho alcance para entender.

    • É realmente bem difícil de absorver, assim como outras situações em que um grupo de pessoas domina outros para se sentir por cima. 🙁

      Abraços

  2. Boa noite, eu gostaria saber diretamente, de que forma o sistema de castas indiano impede o crescimento econômico do país?
    Urgente, aguardo a resposta.

    • Kayra, nossa, essa pergunta é bem complexa e exige também saber da economia indiana.. infelizmente não sei te responder…

      Abraços

    • Se você ler direito vai perceber que não tem haver com o crescimento econômico e sim com a descriminação social.Se quiser saber diretamente sobre oque isso impede no crescimento econômico procura no google.
      Imaginesse você um homem ou uma mulher ser nascida(o) dentro de um bueiro morar em um bueiro e não poder sair disso,Não poder casar com uma pessoa de outra classe pois vai deixar ela mais pobre pois essa pessoa não vai arrumar nenhum emprego por causa do sobrenome, é como se você morasse no Brasil e tivesse uma ficha criminal quando olham seu sobrenome,
      Ninguém se casa com uma pessoa com uma extensa ficha criminal ou da emprego a essa pessoa, Do msm jeito é assim na Índia se você nascer com um sobrenome ruim vai ser assim pro resto da sua vida porém sem ter cometido nada de errado e assim você vai ser pobre e atormentado pro resto da sua vida sendo assim você não vai ter smartphone não vai ter oque comer, vai passar fome, tirando que essa classe sofre muito 100% do tempo juntamente com seus filhos,msm sendo uma pessoa boa e tendo filhos a cuidar sabendo que seus filhos vão ser do msm jeito por que a sociedade vê você assim, De 25% a 35% da população Lah é assim e a primeira coisa que perguntam quando você chega em qualquer lugar da índia “é qual é o seu sobrenome” assim começam os insultos e a crueldade verbal podendo até ser agredido, estrupada,violentada sexualmente, te matarem longe das autoridades por causa do seu sobrenome ou seja “sistema de castas”índia pra mostrar que o ser é inferior (finjem ser uma religião) mas eles matam varios e antes torturam, Essa é a verdade!! Os rio como o gaja, é sagrado e serve como uma forma de protestar contra essas barbaridades, e injustiças

      • Essas Pessoas de castas mais altas são muito maus desde sempre é até hoje para se sentir superiores matam e abusam verbalmente e fisicamente (bulling extremo) das pessoas de castas mais baixos desde sempre é até hoje matam os que tem sobrenome ruim e também para se divertir, por diversão,
        Se alguém de lah dedura para o exterior ou para as altoridades eles matam e torturam cada pedaço do seu corpo antes de matar,. Poucos sobrevivem apenas aqueles que eles precisam.
        Os rios como o Ganja são para os parentes jogarem os corpos um dia depois quando eles aparecem morto perto dos Rios e os pertinentes mentem aos parentes que foram os deuses que os mataram por desobedecerem a eles, a maioria das pessoas mortas são novas, de idade adulta Até adolescente virando adulto e os idosos muitas as poucas são crianças isso como “castigo” tipo você fez isso vms levar sua filha- se não pagar impostos eles levam “tem que pagar pra viver” essas coisas Lah pioram juntamente quando a crise da India pioram eles matam por causa da crise por isso são forçados a trabalharem muito se não quiserem serassassinados e mesmo assim acabamos perdendo algo ou alguém sempre quando as coisas apertam quando sismam conosco ou por diversão
        A maioria das autoridades são e estão envolvidas nisso desde sempre,e é um falso alegamento eles dizem que essa prática foi proibida desde meio século pra cá ou seja uma estrategia para encobrir-los e livrar-los de ONGs e proteção humanas e para que outros países não os caçem eles fazem isso para abafar os casos avisos a sociedade
        Os rios como exemplo o Ganja são para jogar os corpos um dia depois de mortos Quando aparecem mas os que morrer por outras causas doença etc também são jogados Lah, lembrete os que são torturados por algum motivo ficam no sol antes de morrer atee morrer por copletamente

  3. Olá boa noite, matéria interessante, bem escrita.
    A minha dúvida é a seguinte, se as pessoas que nascem parias tem direito dado de ser de outra classe e fazer o que quiserem, algo considerado “melhor” então quem fará as atividades que eles não querem executar!
    Será​ que o trabalho é degradante, ou querer ter algo sem mérito é degradante?
    E mais no Brasil temos sim o sistema de castas, mas é ao contrário, os pensadores ficam a margem dá sociedade, os políticos e comerciantes acima, e hoje em dia os que seriam os “parias” vivem em presideos assassinando estuprando roubando e matando, pq alguém disse a eles, que o trabalho humilde é degradante, e merecem o melhor.
    E aqui mais uma pergunta, o que é um trabalho degradante para quem tem a capacidade de matar e cometer atos grotescos? Estas pessoas deviam ter oportunidades na vida, tendo dentro delas a maldade exposta toda vez que lhe dão poder?
    Acredito que todo indiano experiente é realista entende o que eu digo!
    Quando se coloca um leão ao lado de um gato, óbvio que o gato será estraçalhado!
    Não sou

    • Olá Mel 🙂

      Seu comentário dá muito pano para manga para discussão. Você dá a entender que os mais pobres em nossa sociedade invariavelmente optam pelo crime e violência, quando isso está longe de ser verdade. Tem muito ladrão, assassino e estuprador usando colarinho branco e andando de carro importado, mas nosso sistema protege uns mais que outros. A desigualdade social é um grande motor da violência, isso é verdade, mas nnao necessariamente nas camadas mais baixas apenas…

      Obrigada por contribuir com a discussão expondo seu ponto de vista…

      Abraços

  4. Parabéns pelo texto Natália!! Foi bastante didático e esclarecedor, embora seja triste essa realidade.. Aproveitando o assunto, fiquei curiosa em saber sobre a sua experiência na Índia! Pretendo fazer um intercâmbio lá mas tenho um pouco de medo de ir sozinha, pelo fato de ser mulher.. se tiver algum outro post para me indicar sobre o assunto!! Desde já agradeço!

      • Olá,eu gostaria de saber se por exemplo eu pertenço a uma casta e vou embora desse país,já outra pessoa de outra casta tbm vai embora pra esse país onde estou,lá agente se encontra e começamos a namorar e tivemos um filho esse filho pretenderá a que casta? Gostaria dá resposta ainda hj pois é para uma aula agradecerei o bastante. Obrigada!

        • Eduarda, se seu filho não vive no sistema social na Índia, ele não pertencerá a nenhuma casta, já que isso não é uma questão em outros países e as castas são puramente sociais que só fazem sentido dentro daquele contexto. Mesmo na Índia elas já são ilegais há anos e não deveriam mais existir. Desculpe não ter respondido a tempo!

          Abraços

  5. Quem inventou o sistema de castas foi um gênio. Só na próxima vida o cara pode evoluir, isso se cumprir os deveres direitinho. Perfeito. Tem melhor jeito pra controlar milhões de pessoas? Só a religião pra concentrar tanto poder. E aqui sabemos bem como isso funciona.

    • Mayara, não sou fotógrafa não, a fotografia é só um passatempo mesmo. As fotos são minhas e dos outros blogueiros aqui do 360meridianos.

      Abraços!

  6. Sou indiana e moro no Brasil desde pequena, essa questão das castas é algo que meu pai ainda tem muita neurose, minha família se encontra na casta Kshatriya e eu deveria me casar com alguém da mesma casta, porém conheci um rapaz do interior de Karnataka e me apaixonei por ele, pertence a uma casta que se enquadra na Shudra.
    Sabendo da minha família ele sempre me diz que é de família pobre e não tem dinheiro e mesmo assim eu ainda o amo e casarei com ele no que depender de mim!
    Meu pai está muito bravo comigo e minha mãe não pode fazer nada, mas eu o amo e isso ninguém ou nenhuma casta vai tirar de mim.
    Estou relatando porque não suporto isso e espero que um dia isso acabei pois tenho muitas amigas que sofrem por não poderem ficar com o amor de suas vidas por conta de castas. Muito triste isso.
    Para mim não importa sua classe social e sim quem você realmente é por dentro. Somos todos iguais.

  7. Gostei muito da sua matéria,agora gostaria de saber se Todos os indianos sem exceção,são divididos por este sistemas.Um exemplo seria as outras religiões presentes no país,como o cristianismo,no caso Padres Católicos mesmo não sendo totalmente hinduísta ,terem que seguir as castas?

    • Yasmin, na verdade não porque o sistema de castas é ilegal, então isso é mais algo social que imposto. Tem uma religião no norte, O sikhismo, que rejeita o sistema e por isso todos os seus membros têm o mesmo sobrenome justamente para evitar a diferenciação…

      Abraços

    • Marih, em um sistema discriminatório que qualifica as pessoas de acordo com o nascimento e classe social eu não consigo ver nenhum ponto positivo.

      abraços

  8. Ola Natalia,achei interessante a sua matéria sobre as Castas na Índia, e a gente fica indignado de ver como o ser humano tem uma mentalidade anti social de classificar o pro pio ser como superior a demais pessoas . No Brasil, estamos vendo diretos certos indevidos, se classificar superior,e achar que pessoas pobres,negras,índios, são de classe baixa, e são descriminada como pessoas inferiores.Se pararmos e pensarmos sobre a descriminação,leva a nos crer que no Brasil existe uma CASTA disfarçada.Ultimamente com os acontecimento no Brasil,sobre as corrupção políticas,o propio judiciário,nos leva crer que no Brasil, existe uma divisão de CASTAS entre a sociedade do Pais.Se prestarmos atenção,sobre os julgamentos dos políticos e empresários corruptos,notamos que a maioria dos condenados pagam suas penas domiciliar,com tornozeleiras eletrônicas,em suas casas.Totalmente diferenciada de pessoas menos favorecidas que pagam suas penas em regime fechado.Se levarmos em conta a nossa constituição, nos da a impressão que não esta sendo respeitada, e que no Brasil existe uma CASTA disfarçadas como na ÍNDIA.

    • Viola, é o que eu sempre digo, de certa forma vivemos também em uma sociedade de castas. A única diferença é que elas nunca foram formalizadas.

      Abraços!

  9. Uma das primeiras coisas que fiz ao sair do avião foi ir ao banheiro. E tinha essa placa: “os funcionários utilizam o banheiro em outro lugar”. Já deu pra sentir o clima!

  10. Os textos de vocês tem uma importância atemporal.
    Estamos na India e com o guia de vocês em mãos para tentar elaborar um roteiro legal.
    No momento estamos “curtindo” um verão em Jaipur, mas vamos rumar para o norte logo menos.
    Parabéns pela experiência e pelo relato tão rico.

    • Juliana, fico muito feliz com o seu comentário! Que bom que nosso guia está acompanhando vocês na viagem! Morro de saudades da Índia!

  11. Parabéns pelo texto. Estou de fférias na Índia e tenho percebido bem a segregação informal imposta pelas castas.
    No atendimento no restaurante, no tratar as pessoas nas ruas.
    Apesar de saber que é fruto da Cultura local não deixa de ser confrangedor e até mesmo revoltante.

    • Saulo, realmente, é muito visível a segregação. E a gente não tem que aplaudir tudo só porque é parte da cultura local. O importante é entender porque a sociedade é do jeito que é.

      Abraços!

      • Oi Natália.Eu queria saber se esse sistema de casta é independente do gênero da pessoa.Pq eu nunca fiquei sabendo sobre uma mulher Brahmin.
        Elas existem,e tem os msm privilégios dos Homens Brahmins?

        • Ei Lucas, sim, há mulheres Brahmin. Se elas nascem em uma família Brahmin serão Brahmines. O que acontece é que como a participação social delas é diminuida, não recebem tanto destaque. Elas têm privilégios de casta, porém têm também todas as restrições impostas às mulheres.

          Abraços!

  12. Natalia, parabéns. em seu ótimo resumo você esclareceu um tema o qual tenho dúvidas desde muito tempo, recentemente trabalhei com alguns indianos aqui no Brasil e instintivamente não quis tocar neste assunto, diferentemente de alguns amigos que questionaram por não imaginar a delicadeza do assunto, eu senti o clima, e até hoje estava curioso.
    Novamente lhe dou os parabéns, e desejo que você continue fazendo este belo trabalho que você escolheu.

      • Também estive na na índia na cidade de Gonpipari , muito pobre em sua grande maioria dalits, graças a Deus eu consegui desmistificar ( pelo menos em alguns com quais tive bastante contato) a ideia do ser humano superior & inferior etc.. , eles ficavam espantados quando eu dividia algo que estava comendo, um exemplo simples, a gente , digo eu os garotos , a gente caminhava com pacote de salgadinho e todos comiam juntos do mesmo pacote, aquilo que para mim é normal , como deve ser mesmo , para eles era surreal, eu branco , alto , de olhos claros , chegaram a dizer que era “intocável” mesmo não sendo um indiano ,imagina o grau , tive que me virar nos 30 literalmente pra convence-los do seguinte , parti da premissa , de que tudo que vive é meu próximo e se é meu próximo me faz falta , me acrescenta é um igual , do mesmo valor perante tudo e todos , tive que insistir , muito felizmente , consegui graças a Deus , foi maravilhoso vê-los me chamar de irmão , que é o que de fato somos , Índia é o seguinte ou você muda seu pensamento sobre o seu próximo ou você não é próximo de ninguém !

  13. Natália, não sei se você assistiu uma reportagem da globo, dando conta de que mulheres eram estrupadas na Índia, interessante é que eles davam a entender que tinham percorrido o País inteiro quando na verdade eles fizeram apenas uma reportagem de Nova Deli, desconhecendo totalmente a cultura Hindu, que segundo se fala a antiguidade hinduísta somaria em torno de cinco mil castas sociais antes da constituição hindu de 1947 e que muitas ainda resistem as leis da Índia sobrevivendo na clandestinidade, que mesmo com uma reforma em 1950 oficialmente existem cerca de 750 castas, o interessante disso tudo é que a globo não tem o cuidado de exibir uma reportagem sem o mínimo de conhecimento.

  14. Olá galera, também estudo sobre muitos sistemas políticos no mundo, mas vocês já observaram que em nosso BRASIL, existem as mesmas castas, quem dá essa dica é o filósofo Indiano Osho, fica a dica. Adorei a matéria.

  15. Natália! Eu viajo através de seus relatos. São breves, mas ricos de informação e essência. Realmente não dá pra colocar a história de séculos de um lugar em palavras. Mas resumidamente, está muito bem escrito. Parabéns!!!

  16. Boa noite, Natália e a todos os participantes nessa troca de interesses e experiências.
    Tenho o maior respeito por vocês e dou os meus parabéns pelos diálogos terem fluido na base da gentileza, informativo , educação e respeito.
    Pelo que pode ler uma falta de respeito perguntar a um indiano de que casta é!?, hoje precisamente cometi um erro e fi-lo a um indiano de uma loja de telecomunicações, penso lá voltar e delicadamente pedirei desculpas, pois nunca me passou pela cabeça que era indelicado , até porque se não lesse o vosso dialogo continuaria na ignorância ,pois ele respondeu-me muito educadamente e até me perguntou como eu sabia que existia, o qual respondi que tinha visto na televisão . Um bem haja para si Natália e para os outros. Também tenho curiosidade de conhecer a Índia que sabe um dia!

    • Olá Ana Paula, obrigada por comentar! Creio que não há necessidade de se desculpar, pois pelo que você conta ele não se ofendeu com a pergunta. Provavelmente apenas interpretou como uma curiosidade saudável acerca da cultura dele. Não precisa se preocupar com isso! Sim, se algum dia for à Índia não fique perguntando, pois como o sistema é considerado ilegal hoje em dia pode causar desconforto em algumas pessoas, mas, de verdade, nem mesmo na própria Índia essa é uma regra escrita em pedra. Já vi indianos perguntando a casta para outro (que não gostou muito, é verdade), mas cada pessoa reage a isso de uma forma!

  17. já vi um vídeo da Índia, eles estavam queimando Cristãos vivos,são intolerantes. o vi-´deo é horrivel, acho terrivel esse sistema de castas, achava que era só coisa de novelas. mas é sério. Estou fazendo pedagogia e estamos estudando sociologia, por isso entrei no seu blog pra estudar, apesar de tudo parece ser um país bonito.

  18. Olá, Natalia. Eu conheci um indiano pela Internet e me apaixonei por ele. Ele também parece gostar de mim, mas ele diz que se os pais dele arranjarem um casamento para ele, ele terá de casar de qualquer jeito. Então eu gostaria de saber se o sistema de casamento arranjado ainda é tão forte, mesmo nas megalópoles como Ahmedabad. Abraços.

  19. A única coisa que posso dizer é: Parabéns pelo trabalho.
    Sou apaixonada pelo povo indiano e com certeza quero conhecer a Índia. Espero que nesse dia o assunto “casta” tenha sofrido uma revolução, me sinto muito mal se ver alguém discriminando o outro e certamente levaria umas bofetadas por me intrometer haahahahaha.
    Um grande abraço pra vocês…
    Amei este blog 🙂

    • Aos poucos, essa cultura está mudando por lá, Quézia. Hoje, por exemplo, já é tabu perguntar a casta da pessoa, pq não pode parecer que você se importa com isso. Algumas políticas do governo têm contribuído para isso também. Mas claro, a mudança é bem lenta, ainda mais em um sociedade tão conservadora.

  20. Ola Natalia.Quero dizer que teu Blog e excelente. Em 2014 com um grupo de 10 amigos viajamos para a India.Mas antes pesquisei teu Blog que me ajudou muitoooo.Com certeza ninguem deve visitar a India sem antes ler esperiencias de alguém. Nos visitamos em 10 dias 3 Estados da India de Norte a Sul.Foi incrivel.Fiquei apaixonada pelo povo,em especial os mais humildes. Visitamos 2 Leprosarios no Sul da India.E impactante demais.Quero muito voltar e ficar mais tempo. Depois fomos pra Espanha por 5 dias e retornamos ao Brasil.Final do ano foi para o Senegal.Tens algumas experiências de la ??? Abraços. Obrigada por dividir tuas experiências.

    • Ei Rosa, que ótimo, fico feliz em saber que ajudamos na sua viagem e que você teve uma ótima experiência na Índia. Infelizmente não conhecemos o Senegal…

      Abraços =)

  21. Olá Natália, bom dia, conheci um indiano, o sobrenome dele é KotwAni, tem como eu saber através do sobrenome a qual casta ele pertence, tenho medo de perguntar e ser indelicada, não me importo com isso é apenas uma curiosidade, mas para entender melhor essa cultura!

    • Acho que não, Elisama. São muitos sobrenomes e a gente não entende bem como é feita essa diferenciação. E realmente não é legal perguntar, é bem indelicado.

      Abraços

  22. Triste e complicado. Tem a parte cultural, mas é dificil para o olhar ocidental ignorar as injustiças, assim como para eles é dificil entender alguns de nossos costumes.

  23. Como funciona o sistema de castas na Índia ? Resposta: não é sistema e, menos ainda, funciona. É uma das excrescências, que temos neste mundo. Nunca deveria ter existido e, pelo tanto, já passou da época de desaparecer. Os indianos são nivelados a insetos, no caso o “sistema” existente em um formigueiro – isto para não compará-los a insetos piores, do que as formigas.

    • Mais que comprar outras culturas a insetos, Benito, acho interessante a gente perceber que muitas dessas desigualdades já existiram ou ainda existem no Ocidente. Inclusive, foram super fortalecidas pelos próprio britânicos já no século 20, há menos de 100 anos! Difícil uma coisa assim mudar do dia pra noite. Na verdade, como eu expliquei, o sistema não existe mais oficialmente, o que resta é a cultura e o preconceito, coisa que também vemos por aqui. Só que lá, como absolutamente tudo na índia, é multiplicado por 1000.

      • Natália obrigado por suas considerações. Contudo, relendo sua narrativa, percebe-se haver muitas “assertivas”, de que ainda há um “sistema” ou do que se queira chamar na Índia e, pelo tanto, é desprezível. Pouco importa citar-se a existência, segundo você, de situações/sistemas semelhantes no Ocidente. Você está focando a Índia e é sobre ela meu juízo. Deduzi, por suas palavras, que tal sistema existe há muito tempo, não sei, talvez há seculos. Pergunto: não é tempo suficiente para execrá-lo ? Por outro lado, Natália, nossa “cultura” e “preconceitos” não esbarra, nem de longe do que ocorre na Índia.

        • Olá Benito, obrigada por suas considerações. É verdade que o sistema existe há séculos, mas foi fortalecido e transformado durante a dominação britânica na região, que só acabou há cerca de 60 anos. Como eu disse no texto, antes dos britânicos o sistema era maleável, flexível. Eu, tendo tido a experiência de viver lá e aqui, acredito que existam sim muitas coisas em comum nos nossos preconceitos e cultura, embora a origem desses problemas sejam diferentes. Consigo ver aqui paralelos sim com as sociedades de castas. E se aqui ainda sentimos os efeitos da escravidão, que acabou há muito mais tempo, que dirá lá? Estruturas sociais tão fortes não desaparecem do dia para a noite. Acho que a gente tem que saber interpretar contextos e a história do lugar, problematizar mesmo a situação, em vez de simplesmente assumir que um povo inteiro é “ruim” ou “desprezível”.

  24. Já eu sou o contrário, Cândida Silva! Quanto mais leio e vejo sobre o país, mais tenho curiosidade de conhecer. Creio que vai do estilo de cada um, não posso impor minha opinião a você, mas nas viagens mais inusitadas, para os lugares mais “estranhos”, e que, aparentemente, possuem maiores dificuldades, são onde surgem as melhores histórias e os maiores aprendizados para a vida.
    Como diria um amigo meu, lugares assim te proporcionam um “life changing moment”! 🙂

    • Felipe, que bom que existem pessoas diferentes de mim no mundo! Caso contrário, eu jamais teria a oportunidade de ler um relato sobre a Índia. Meus momentos de mudança e experiências novas de vida, penso que posso fazê-los em muitos outros lugares. Aliás, já tive fatos que mudaram radicalmente a minha vida, aqui mesmo na minha cidade, no meu trabalho, alguns até mesmo sem que eu precisasse sair da minha casa… Espero que quando você for à Índia, volte aqui pra nos contar, eu vou gostar de ler.

      • Gostei muito da resposta educada e gentil que você ofereceu ao Felipe. Esse tipo de comportamento: respeito ao ponto de vista de outra pessoa, é talvez o que mais esteja em falta no mundo, daí tanta guerra e tanto ódio, inclusive na Índia, que eu também gostaria de conhecer, por conta dos filmes lindos que eles produzem, assisto sempre e adoro!

      • Ficarei muito feliz em disponibilizar um relato, caso eu consiga ir para lá.
        Quanto a sua resposta, acho que a gente fica até surpreso quando suscita uma divergência e essa não é motivo de briga. Hoje em dia é tão comum esse tipo de comportamento… obrigado, e viva a gentileza (2)

        • Obrigada meninos, Felipe e Gabriel! Felipe, espero que tua vontade de conhecer a Índia se realize o mais rápido possível. Quem sabe um dia não venha a mudar de opinião? Afinal, tantas coisas na vida da gente vão se transformando ao longo da nossa caminhada…

  25. Eu sei que vcs moraram na Índia e que por isso tem um olhar diferente sobre o país. Mas, eu quanto mais leio sobre esse lugar, menos vontade eu tenho de conhecê-lo.

    • Pois é, Cândida! Eu entendo demais todo mundo que me diz que nunca quer ir pra lá! Mas mesmo assim não canso de recomendar, pq ao mesmo tempo foi um dos lugares mais incríveis que eu já fui. Acho que o pior e o melhor lugar da minha volta ao mundo estavam na Índia. Teve dia que eu chorei lá querendo ir embora e dia que eu ficava só repetindo “eu nunca achei que ia visitar um lugar desses”. É um país pra mexer com a gente mesmo, pra odiar e depois amar e te fazer questionar muito, como disse o Felipe. Mas sem dúvidas é uma viagem muito difícil, entendo muito quem não quer encarar esses perrengues.

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